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Medicina de Família e Comunidade: por que a demanda por profissionais da área não para de crescer

Tendência é que a área continue crescendo cada vez mais, em especial na rede privada brasileira. 

               
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Medicina de Família e Comunidade

O Brasil conta com mais de 7,1 mil profissionais com o título de especialista em Medicina de Família e Comunidade, segundo o Conselho Federal de Medicina. Apesar do número apresentar um aumento em relação a anos anteriores, a demanda por esses médicos no país é cada vez maior.

Antes de entender por que essa área não para de crescer, é importante explicar que a Medicina de Família e Comunidade é a especialidade médica que trata do paciente ao longo da sua vida, em todos os ciclos. Cuida de recém-nascidos, crianças, adolescentes, adultos, gestantes e idosos. Isso é feito sem depender do sexo, idade ou problema de saúde da pessoa em questão. 

Papel da Medicina de Família e Comunidade

A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade que cuida da atenção primária. O profissional dessa área presta um atendimento médico geral e global para todos os cidadãos. Assim, o médico de família atende os pacientes de forma absoluta, preventiva e terapêutica. A preocupação não é apenas em relação à doença, mas também a causas, relações, interferências e tudo ao seu redor. Isso inclui ainda fatores relacionados ao ambiente doméstico. Conhecer a realidade das famílias facilita a execução do trabalho do médico.

Os profissionais da área são qualificados para tratar os problemas mais comuns de saúde, que, consequentemente, impactam mais nas pessoas. Eles prestam assistência inicial em qualquer área da saúde. Além disso, fazem a prevenção de doenças, estimulando bons hábitos de vida e exames preventivos.

A Medicina de Família não é especialista em doenças ou órgãos, mas nos seres humanos, suas famílias e comunidades. Dessa forma, o atendimento não se restringe ao consultório ou ao hospital, mas também a visitas a domicílio.

Vale lembrar que a Medicina de Família e Comunidade, por conhecer os diversos contextos familiares, bem como os próprios indivíduos em si além das enfermidades, capacita o profissional a tomar uma decisão mais personalizada. Isso pode representar um tratamento mais eficaz.

Por que a demanda por profissionais cresce

Medicina de Família e Comunidade

A área da Medicina de Família e Comunidade tem crescido bastante nos últimos anos. Conforme o Conselho Federal de Medicina, o número de especialistas nessa área cresceu 30% em dois anos e 171% nos últimos dez anos. Apesar de sobrarem vagas nas residências médicas, o número de vagas teve um aumento de 469% entre 2010 e 2019.

Junto com o número de profissionais, aumenta também a demanda. E a tendência é que a área continue crescendo cada vez mais, em especial na rede privada brasileira. 

O motivo é que antes o foco era diagnóstico e tratamento de doenças, e agora o panorama é diferente. Os próprios planos de saúde estão entendendo que a medicina preventiva, quando dá atenção à saúde e ao bem-estar do paciente, pode ser mais eficaz e ainda reduzir custos do que tratar a pessoa quando está doente. Ganham os pacientes e as operadoras. 

Na Atenção Primária, o paciente costuma primeiramente receber os cuidados iniciais por parte do médico de família. Quando necessário, ele é encaminhado a médicos especialistas para que atendam exatamente às suas necessidades. Depois, a pessoa retorna ao médico de origem que fez a avaliação inicial para seguir no acompanhamento. Ou seja, é ele quem centraliza o cuidado.

Além de não haver consultas com especialistas sem necessidade, esse modelo também evita desperdícios ao priorizar a prevenção em saúde. Ou seja, sai muito mais barato cuidar de um paciente antes de ele adoecer do que depois. 

Mais da metade dos problemas de saúde dos cidadãos pode ser resolvida no atendimento primário. O resultado é a diminuição de exames e hospitalizações que seriam desnecessários. 

Atenção Primária na saúde suplementar

Algumas operadoras de saúde suplementar já estão começando a ter mais visão sobre isso. A Qsaúde por exemplo, oferece planos de saúde individuais e focados nos clientes. A empresa viu a importância de integrar um serviço de Medicina de Família e Comunidade, podendo oferecer uma gestão muito mais focada e personalizada na saúde. Assim, a maior parte do que é gasto em saúde pode ser poupado. As doenças crônicas, que muitas vezes não têm resolução efetiva, podem ser controladas através dos próprios médicos de família.

Com base nesses benefícios, muitos hospitais começaram a investir na formação de profissionais de Medicina de Família e Comunidade. Eles estão começando a ser vistos com outros olhos e a serem mais valorizados.

Pacientes que passaram a vida inteira se consultando com médicos das mais diversas especialidades, a fim de resolver seu problema ou enfermidade, quando se consultam com um profissional de Medicina de Família e Comunidade muitas vezes notam a diferença. O motivo é que esses profissionais tendem a ser diferenciados: eles costumam conversar mais com o paciente, a fim de entender seu histórico, seus sintomas, suas angústias, seus medos e inseguranças. 

Medicina de Família e Comunidade

Desafios enfrentados pelos profissionais de Medicina de Família e Comunidade

A Medicina de Família e Comunidade possui muitos desafios , que faz com que os estudantes pensem duas vezes antes de seguirem esse caminho. Um profissional que segue a carreira precisa saber que vai lidar com diversas pessoas nos mais diferentes aspectos e fases da vida. Ele vai se tornar um profissional de confiança na comunidade. 

Assim, ele precisa conhecer o território, saber a cultura da população que sua Unidade Básica de Saúde (UBS) contempla, criar estratégias de planejamento participativo, conhecer as barreiras, os dados demográficos e também os socioeconômicos. Além disso, pode ajudar na criação de estratégias e soluções para os problemas da comunidade, programar atividades comunitárias de acordo com as necessidades dela, incentivar os bons hábitos de todos, entre outras responsabilidades. Em resumo, o médico de família e comunidade precisa ter aptidão em quatro áreas: a de assistência, a de orientação comunitária, a de docência e a de gestão de recursos.

As principais dificuldades que esse profissional encontra no meio são:

  • Condições de trabalho inadequadas: as UBS nem sempre possuem a estrutura adequada para que o profissional possa atender bem os pacientes. 
  • Carga de trabalho pesada: a carga de trabalho costuma ser bastante extensa e intensa. O profissional de Medicina de Família e Comunidade atende inúmeros pacientes em diversos contextos, com a agenda cheia e pouco tempo para cada consulta. Além disso, alguns atendimentos podem ser cansativos, tediosos ou estressantes.
  • Salários baixos: a Atenção Primária não paga os melhores salários a esses profissionais. Um profissional de Medicina de Família e Comunidade na metade da carreira ganha 30% menos do que um especialista em endocrinologia com o mesmo tempo de experiência, por exemplo.

Por fim, muitos profissionais da área se deparam com vulnerabilidade em vínculos trabalhistas, dificuldade de trabalho em equipe multiprofissional ou pouco reconhecimento da população pela especialidade.

Tendências e oportunidades para Medicina de Família e Comunidade

Medicina de Família e Comunidade

A Medicina de Família e Comunidade passou a ser considerada, cada vez mais, uma atuação essencial quando se pensa na saúde a longo prazo, pois é através dela que se proporcionam os cuidados básicos e constantes de um cidadão. E da mesma forma que em outros setores, esse também conta com mudanças e avanços tecnológicos.

O uso do Big Data para armazenar dados dos pacientes e cruzamentos de dados, a fim de verificar os tratamentos mais adequados, intervenções e medicamentos, está cada vez mais presente. A health analytics vem conduzindo a análise de dados e informações em saúde juntamente com a inteligência artificial, gerando informações novas e confiáveis a partir dos sistemas eletrônicos.

Vale lembrar que, mesmo com toda essa tecnologia presente, o profissional de Medicina de Família e Comunidade tem o dever de sempre buscar prestar um atendimento humanizado e priorizar uma boa relação médico-paciente.

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