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Medicamentos antivirais contra a Covid-19 aguardam liberação da Anvisa

Paxlovid e molnupiravir reduzem, respectivamente, 89% e 65% as internações e mortes pela Covid. Medicamentos aguardam liberação da agência.

               
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Molnupiravir e paxlovid prometem ser o

Embora a indústria tenha avançado no desenvolvimento de estratégias contra a Covid-19, os medicamentos antivirais, considerados promissores pelos especialistas, ainda não estão disponíveis no país. Na semana passada, a Pfizer solicitou à Anvisa a liberação de uso emergencial para o paxlovid, medicamento antiviral contra a Covid-19. Agora, a agência tem 30 dias para analisar e solicitar as informações necessárias à farmacêutica. Outro medicamento que segue em análise desde novembro é o molnupiravir, da MSD.

Recentemente, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse ao jornal Folha de S. Paulo que já está em negociação com as fabricantes, mas alerta que além da aprovação, é preciso criar leis que possibilitem a importação desses medicamentos, similar ao que ocorreu com as vacinas.

Existe uma expectativa dos médicos para a chegada desses medicamentos, já que, de acordo com os dados disponíveis, se mostram eficazes e podem ser uma ferramenta no combate à Covid. Eles atuam nos primeiros dias de sintomas e mostram bons resultados na prevenção de casos graves. Em estudos científicos, o paxlovid reduziu em 89% o risco de mortes e hospitalização. Já o molnupiravir, reduz em aproximadamente 65% esse risco. Estudos in vitro sugerem que ambos são eficazes contra a ômicron.

Vantagens dos antivirais contra Covid-19

De acordo com Eduardo Medeiros, professor de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor científico da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), uma das principais vantagens desses medicamentos é atuarem impedindo a replicação do vírus e serem administrados via oral.

Entretanto, o custo desses medicamentos pode ser um entrave para que eles sejam amplamente utilizados no Brasil. O tratamento do paxlovid custa 530 dólares e do molnupiravir 700 dólares, segundo os valores pagos pelo governo americano. Na cotação atual, o custo por paciente pode variar de 2700 reais a 3500 reais.

“O molnupiravir atua introduzindo erros de cópia durante a replicação do RNA viral. A medicação mimetiza a citidina (C) ou a uridina (U), determinando tantas mutações no RNA viral que esse não consegue mais se multiplicar. O paxlovid permite que as cadeias de RNA viral sejam montadas corretamente, porém atua como inibidor de protease, impedindo que o vírus se replique”, explica o professor.

O paxlovid é na verdade um combinado de dois medicamentos. Ele junta o novo nirmatrelvir, criado para a utilização contra o Sars-CoV-2, e o ritonavir, amplamente utilizado por pacientes com HIV. “O paxlovid é metabolizado pelo fígado, por isso deve ser tomado junto com o ritonavir que bloqueia a enzima hepática, potencializando o efeito do paxlovid” explica Medeiros. Tanto o paxlovid quanto o molnupiravir tiveram seu uso aprovado pela União Europeia e Estados Unidos.

Vale lembrar que esses medicamentos não substituem as vacinas e devem ser utilizados nos casos em que a imunização não impede que a pessoa seja infectada, diminuindo o risco do quadro se agravar. “Principalmente indivíduos idosos e imunodeprimidos têm resposta imunológica diminuída contra as vacinas para Covid-19. Ter uma medicação disponível com atividade contra SARS-CoV-2 pode contribuir efetivamente para melhor evolução dos pacientes, reduzindo internações e mortes”, alerta o diretor científico da SPI.

“Medicações antivirais que possam reduzir o tempo de excreção viral, também auxiliam no controle de surtos e na transmissão dos contactantes.”


O que tínhamos até o momento

Atualmente, o único antiviral disponível contra a Covid é o remdesivir, da farmacêutica Gilead. Seu uso era desaconselhado pela Organização Mundial da Saúde por demonstrar em pesquisas iniciais uma baixa eficácia e não reduzir mortalidade, apenas a hospitalização em casos específicos.

Entretanto, um novo estudo da Gilead mostrou que se utilizado nos 7 primeiros dias de sintomas, o medicamento pode reduzir em até 87% os riscos de hospitalizações e mortes, quando comparado ao placebo. Mesmo assim, além de ter um alto custo, o medicamento é administrado por via endovenosa, o que poderia dificultar o uso.

“A logística de aplicação é complexa. O paciente no auge da transmissão tem que arrumar um centro de transfusão para receber a medicação. O paxlovid seria como um tamiflu da covid. Você toma no começo da doença, com a vantagem de ser via oral”, afirma a infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês.

Outros medicamentos utilizados em casos graves eram os anticorpos monoclonais. Com a chegada e predominância da ômicron, porém, eles não são mais efetivos no tratamento, já que esses anticorpos são produzidos em laboratórios baseados em uma única célula, e com a quantidade de mutações do coronavírus, eles acabaram sendo “inutilizados”.

No início de fevereiro, a Anvisa revogou a autorização de dois medicamentos deste tipo, o banlanivimabe e o etesevimabe, da Eli Lilly, por não mostrarem efetividade contra a ômicron, que representava 97% dos casos no país. A aprovação do paxlovid e no molnupiravir também viriam preencher essa lacuna.

“O ideal seria que a gente tivesse essas ferramentas terapêuticas disponíveis, evitando que os pacientes evoluam para um quadro mais grave. Não só fazendo um bem para aquele paciente, mas para todo sistema de saúde, evitando um colapso”, defende Dal Ben.



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