Linguagem técnica é barreira de comunicação entre médicos e pacientes – e afeta o tratamento, segundo estudo

O estudo indica que cerca de dois terços dos americanos não sentem confiança de que entenderam corretamente as instruções passadas por seus médicos.

               
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O uso de linguagem técnica por vezes pode se tornar uma barreira na comunicação entre as pessoas. Na saúde, uma nova pesquisa da AHIMA Foundation dá luz sobre o tema. O estudo “Entendimento, Acesso e uso de Informação de saúde na América”, realizado nos Estados Unidos, indica que cerca de dois terços dos americanos não sentem confiança de que entenderam corretamente as instruções passadas por seus médicos.

A pesquisa contou com 1.059 pessoas maiores de 18 anos e residentes nos Estados Unidos. Assim, os resultados indicaram que:

  • 62% dos pacientes sentem que compreendem pouco os assuntos discutidos durante o atendimento;
  • 24% afirmam não terem entendido nada;
  • 31% se esquecem das instruções após a consulta;
  • 15% dos entrevistados afirmam ficar mais confusos quanto à própria saúde após o encontro com o médico.

Por estas razões, o estudo estima que cerca de 80% das pessoas tendem a buscar as recomendações médicas na Internet após passarem por consulta médica. Em complemento, uma a cada 4 pessoas não sabe acessar os próprios registros médicos.

A pesquisa associa esse cenário ao baixo nível de alfabetização em saúde no Estados Unidos — mesmo após a criação do Plano de Ação Nacional para Melhorar a Alfabetização em Saúde em 2010. No plano, destacava-se a necessidade de promover mudanças no sistema de saúde de forma a melhorar as informações passadas aos pacientes.

Ao se aprofundar na questão, o estudo da AHIMA identificou que essas dificuldades são ainda mais recorrentes com cuidadores de pacientes, que compõem uma parte expressiva do público que recorre à Internet para solução de dúvidas.

Cuidadores recorrem à pesquisas na Internet após consultas

“Cuidador de pacientes” é um conceito que inclui tanto aqueles contratados para cuidar de alguém, quanto aqueles que cuidam da saúde de familiares. Nessa questão, o relatório indica que 43% da população do estudo são cuidadores. Destes, 91% são ativos no gerenciamento de saúde de outra pessoa e 43% deste público apresenta receio quanto à capacidade de seus entes cuidarem de si mesmos.

Com isso, a pesquisa observou que 38% dos cuidadores acreditam que os médicos fornecem informações suficientes, mas que a comunicação dos profissionais com os pacientes não será efetiva sem o cuidador presente.

O resultado é que os cuidadores demonstraram ser mais propensos a dizer que o médico os confundiu, do que pessoas que não prestam cuidados. Fator que os leva a pesquisar online sobre o conselho médico recebido em uma consulta.

Por fim, a pesquisa apontou ainda que 22% dos americanos se sentem desconfortáveis em perguntar questões de saúde para os médicos e 17% sentem que não tiveram a oportunidade de tirar dúvidas, o que acarreta em aproximadamente 24% dos pacientes abandonando consultas sem uma compreensão clara do próprio quadro clínico.

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