Interoperabilidade na saúde: o que a integração de dados entre Sami e BP significa para o setor

Interoperabilidade na saúde: o que a integração de dados entre Sami e BP significa para o setor

O anúncio da parceria entre Sami, healthtech de planos de […]

By Published On: 30/03/2022
Sami e BP compartilham dados dos pacientes em parceria pioneira.

O anúncio da parceria entre Sami, healthtech de planos de saúde, e a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, chamou a atenção no universo da saúde na última semana. Isso porque o passo dado entre as duas empresas foi considerado um marco da primeira experiência de interoperabilidade no Brasil entre uma operadora de saúde e um hospital não verticalizado.

Apesar de ser uma pauta antiga do setor, a integração dos dados de pacientes entre os hospitais e as operadoras esbarram em alguns desafios. A tecnologia, o interesse e a descrença entre os envolvidos são os principais. É o que acredita Vitor Asseituno, fundador e presidente da Sami.

“Existe um misticismo e uma falta de confiança histórica entre as organizações, que têm medo que saibam os dados. Boa parte das empresas de saúde são mal gerenciadas, e elas têm medo de ficar expostas porque fizeram coisas erradas, que tem erro médico, que cobraram duas vezes. Quando você fala de trocar dados, você fica muito transparente”, afirmou ao Futuro da Saúde.

Ele explicou que o processo todo entre a negociação e a efetivação da integração durou cerca de 8 meses. Como a healthtech nasceu digital, a integração foi mais fácil, já que não foi preciso alterar os processos – um dos entraves para algumas operadoras com mais de uma década no mercado e que ainda não se digitalizaram. A carteira de beneficiários, com cerca de 7 mil vidas, também facilitou a interoperabilidade. “É mais fácil do ponto de vista cultural e tecnológico, e menos arriscado às organizações”, aponta Asseituno.

Além da BP, outras três unidades de saúde credenciadas à Sami também farão parte da interoperabilidade e devem ser anunciadas ainda este semestre. Atualmente, as equipes de tecnologia estão adaptando os sistemas para que possam se comunicar, além de realizar as definições referentes a questões contratuais e jurídicas. O Gympass, plataforma de atividade física parceira da operadora, já está integrado há mais de um ano.

Modernização da BP

Gavetas de exames e pastas de prontuários não são mais a realidade de alguns hospitais que se colocaram à frente da digitalização dos processos, como é o caso da BP. “O que facilitou muito [a interoperabilidade] é que a BP vem realizando uma transformação digital nos últimos 7 anos. Implementamos o prontuário eletrônico Tasy em todo o hospital, desde o atendimento até a cobrança. Também conseguimos a acreditação Himms [Health Information and Management Systems Society], nível 7, que certifica que os processos no hospital são todos digitais”, afirma Patrícia Holland, diretora-executiva de Desenvolvimento de Negócios e Expansão da BP.

Além da Sami, a Alice já está realizando esse processo de integração de dados com a BP. Outras operadoras mais estabelecidas também já procuraram a instituição para realizar a interoperabilidade com o objetivo de reduzir duplicidades e mitigar falhas, mas ainda estão em conversas e adaptações.

“Como as healthtechs já têm uma pegada digital e a proposta de valor delas é de fazer a gestão integral de saúde, não podem ficar perdidas, precisam ter acesso a esses dados. Elas demandaram isso e a gente consegue atender”.

Essas parcerias com startups de saúde foram essenciais para se consolidar uma realação de confiança entre os envolvidos, necessário para o compartilhamento de dados. A gestão de saúde deve ser realizada em conjunto, já que o paciente não é exclusivo de um único hospital. “A Sami escolheu a gente para ser parceiro. Quando a BP se posiciona a ser um hub de saúde, isso não quer dizer que ela tem que fazer tudo sozinha. A Sami tem competências que são complementares a nós”, defende Patrícia.

Próximo passo pós-integração

O próximo passo é descobrir como utilizar esses dados além das consultas. A ideia é que seja possível trabalhar com a prevenção de doenças, utilizando inteligência artificial para realizar uma análise, antecipar um diagnóstico, e até realizar estudos clínicos. “O grande problema de boa parte das doenças é que a gente descobre tarde demais. Ninguém tem os dados e faz algoritmos em cima deles. Vamos começar a ter isso e a fazer esse trabalho”, afirma Asseituno.

“Todo mundo diz: “Dado é o novo petróleo”. Mas o petróleo é uma água preta se você não souber o que fazer com ele e não serve para tudo. Qual o valor real dos dados? “

A ideia é que o atendimento seja cada vez mais personalizado e assertivo, além da operadora poder analisar os dados para que possa contribuir com a prevenção e diagnóstico. 

Os dados ficam armazenados na nuvem da Amazon Web Services e todo o processo atende às normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo a segurança das informações. A transferência dos dados utiliza-se do HL7 FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources), um barramento de mensagens que organiza onde cada informação se encaixa dentro de cada sistema. Para que haja esse compartilhamento, é preciso que o usuário autorize o plano.

Rafael Machado

Jornalista com foco em saúde. Formado pela FIAMFAAM, tem certificação em Storyteling e Práticas em Mídias Sociais. Antes do Futuro da Saúde, trabalhou no Portal Drauzio Varella. Email: rafael@futurodasaude.com.br

About the Author: Rafael Machado

Jornalista com foco em saúde. Formado pela FIAMFAAM, tem certificação em Storyteling e Práticas em Mídias Sociais. Antes do Futuro da Saúde, trabalhou no Portal Drauzio Varella. Email: rafael@futurodasaude.com.br

Leave A Comment

Recebar nossa Newsletter

NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

Artigos Relacionados

Rafael Machado

Jornalista com foco em saúde. Formado pela FIAMFAAM, tem certificação em Storyteling e Práticas em Mídias Sociais. Antes do Futuro da Saúde, trabalhou no Portal Drauzio Varella. Email: rafael@futurodasaude.com.br