Inteligência artificial na telemedicina ajudou a reduzir sobrecarga do sistema de saúde, indica pesquisa da FGV

Pesquisa da FGV realizada nos municípios de Curitiba, São Bernardo do Campo e Catanduva indica que o uso de plataformas para atendimento médico a distância trouxe acesso e segurança para muitos pacientes durante a crise sanitária, o que acarretou também em uma redução da sobrecarga do sistema de saúde.

               
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Uma pesquisa do Instituto Laura Fressatto, de Curitiba, da PUC-PR e da Fundação Getúlio Vargas (FGV EAESP) indica que o atendimento médico à distância com uso de inteligência artificial, por meio de chatbots, ajudou a reduzir a sobrecarga do sistema de saúde durante a crise sanitária da Covid-19. Conforme antecipou a Agência Bori, os resultados do estudo foram publicados na Frontiers in Digital Health, com base em dados analisados de julho a outubro de 2020 em plataformas de telemedicina de três cidades brasileiras: Curitiba, São Bernardo do Campo e Catanduva.

Uma das observações foi que as plataformas de chat com robôs realizaram atendimentos com conversas estruturadas e aumentaram o acesso e a segurança do atendimento médico. Segundo a análise, cerca de 45% de mais de 24 mil pacientes atendidos foram classificados com sintomas leves de Covid-19, enquanto outros 30% foram diagnosticados com quadros moderados de sintomas e 14,2% como casos graves.

“No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) é a principal fonte de atendimento para 75% da população, portanto previa-se uma saturação do sistema com o aumento contínuo de casos. Com o uso da plataforma, a redução da sobrecarga acontece justamente pela identificação de casos leves e, eventualmente, de casos moderados, que são monitorados à distância”, contextualiza Adriano Massuda, pesquisador da FGV EAESP e um dos autores do estudo, segundo a Agência Bori. “O uso de inteligência artificial (IA) permitiu capacitar os atendimentos de telessaúde a ajudar a resolver esse gargalo, aumentando o acesso coordenado dos pacientes ao sistema de saúde e priorizando a recomendação de buscar um hospital apenas nos casos mais graves”.

A conclusão do estudo é de que uma política nacional de transformação digital poderia otimizar a adoção de tecnologias no âmbito municipal e tornar o acesso à saúde mais rápido e seguro para os pacientes. Entretanto, segundo Hugo Morales, do Instituto Laura Fressato, “para que tais atendimentos sejam bem sucedidos, é crucial que as plataformas possam se adaptar a necessidades locais, o que deve incluir a possibilidade de fazer alterações na árvore de decisão dos algoritmos dos chatbots”.

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