Inteligência Artificial consegue identificar doenças pelo cheiro

Diagnóstico pelo olfato: testes feitos com cães para detecção do câncer de próstata levaram pesquisadores a criar um sistema de inteligência artificial para reconhecer de forma mais precisa as substâncias químicas relacionadas ao tumor

               
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Há alguns anos, o uso do olfato para identificar algumas doenças tem sido estudado pelos cientistas. Os cães, por possuírem um olfato ainda mais aguçado que o dos humanos, já mostraram como podem contribuir para essa tarefa. A novidade é que a possibilidade utilizar sistemas de Inteligência Artificial para essa função está próxima, segundo o estudo publicado no site PLOS ONE

A inteligência nomeada de “nano nose” é uma espécie de nariz artificial que detecta produtos químicos por meio de substâncias que emanam de locais como pele, sangue, urina e respiração graças às células do organismo.

O estudo foi realizado por pesquisadores nos Estados Unidos e no Reino Unido. Uma das motivações para a realização da pesquisa foi o câncer de próstata, o segundo câncer mais comum no mundo. 

Os cientistas esperam obter uma forma de teste diagnóstico menos invasiva e mais precisa para essa doença. Os exames mais comuns para o diagnóstico desse câncer podem gerar resultados falso positivos ou não detectar 15% dos casos de câncer.

No caso do nano nose, o objetivo é conseguir integrar a nova tecnologia aos celulares. Isso poderia ser feito por meio de um sensor de tamanho mínimo – atualmente, o dispositivo possui um terço do tamanho de um iPhone 10. Ele seria acoplado ao aparelho, junto com o software de inteligência artificial funcionando em nuvem. De acordo com os pesquisadores, o sistema é tão eficiente quanto os cachorros treinados para isso. 

Para se ter um exemplo da habilidade canina, em 2015, um estudo publicado no Journal of Urology mostrou que cães treinados foram capazes de identificar o câncer de próstata em 96% das tentativas. Os pesquisadores da inteligência artificial acreditam que podem treinar o sistema para obter essa mesma taxa de precisão.

Contudo, apesar da evidente habilidade, utilizar os cães como dispositivo para diagnósticos é impraticável. Os cachorros trabalham por um sistema de recompensa, o que pode deixá-los entediados e cansados com o passar do tempo, afetando os resultados. 

Estudo 

Para a primeira fase do estudo dessa tecnologia, foram utilizados 2 cães: Florin, uma labradora de 4 anos, e Midas, uma Vizsla Húngara de 7 anos, para diagnosticar casos positivos e negativos do câncer de próstata em amostras de urina. Depois, os cientistas adicionaram algoritmos capazes de detectar elementos químicos ao sistema de inteligência artificial e, em seguida, colocaram para imitar o que os cães fizeram.

Agora, rumo à segunda fase do estudo, os cientistas planejam comparar as curvas de operação do olfato canino, do detector químico da nano nose e outros exames diagnósticos do câncer de próstata.

Essa não é a única iniciativa no radar dos cientistas. Atualmente, pesquisadores da Universidade de Rhode Island, nos Estados Unidos, que não fazem parte do estudo da próstata, estão adaptando os sensores para tentar detectar amônia na respiração. A estratégia é baseada na suspeita de que pacientes com Covid-19 emitem essa substância a um nível suficiente para os cães farejarem. Caso seja confirmado, eles pretendem aprimorar a inteligência artificial para essa mesma tarefa.

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