Como a inovação aberta cria novos modelos de negócio e fontes de receita na área da saúde

Novo modo de inovar pode criar inúmeras oportunidades para empresas da área da saúde. 

               
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Promover uma forma de inovação mais colaborativa e diversa. É essa a ideia por trás do termo inovação aberta. E esse novo modo de inovar pode criar inúmeras oportunidades para empresas da área da saúde. 

Na inovação aberta – ou open innovation, em inglês -, a combinação de recursos internos com externos impulsiona a cultura de inovação. Dessa forma, empresas, clientes, fornecedores, institutos de pesquisa, startups, demais indivíduos e órgãos públicos se integram e trabalham juntos na criação de novos produtos e serviços. 

Esse modelo de inovação se torna praticável quando a empresa reconhece que existem inúmeros profissionais altamente capacitados e com muito conhecimento fora da companhia. E é aí que surge a chance de trazer esses profissionais ou empresas externas para perto.

A inovação aberta leva este nome por ir de encontro àquela cultura antiga de empresas grandes de manter centros de pesquisa e desenvolvimento “fechados” em si mesmos, que não se comunicavam com o mundo lá fora e muitas vezes nem com outros setores da empresa. Apenas após muitos estudos internos, por vezes até mantidos em segredo, os novos produtos e serviços eram apresentados ao mercado.

Inovação aberta e novos modelos de negócios na saúde

inovação aberta

Na área da saúde, há muitas empresas e estabelecimentos que agem de forma mais conservadora. Isso acaba dificultando a inovação e o destaque no mercado. Entretanto, quando os centros de saúde fazem parcerias com negócios inovadores, surge a oportunidade de eles criarem alternativas de forma mais rápida. 

Com a inovação aberta, abre-se a possibilidade para novos mercados e aumentam as soluções inovadoras, as trocas de conhecimento e a eficiência nos processos de inovação, incentivando também a cultura de inovação da empresa e permitindo uma melhor compreensão sobre as necessidades dos pacientes. Por outro lado, se reduzem os custos e o tempo para desenvolvimento e lançamento de novas soluções.

A colaboração com healthtechs, que são startups com foco na saúde, gera inúmeros benefícios na gestão de hospitais e clínicas, por exemplo, pois ficam em contato com um panorama repleto de novas ideias e tecnologia de ponta. Além disso, é facilitado o acesso a profissionais com potencial para colaborar para que o negócio cresça cada vez mais. 

Os eixos de atuação da inovação aberta na saúde são diversos. Um deles é a promoção de saúde e prevenção de doenças, buscando tecnologias que possam apoiar a adoção de um hábito de vida mais saudável. Outro foco é o diagnóstico precoce, em que buscam tecnologias que colaborem nos diagnósticos de forma precisa, ágil e com baixo custo. E também ferramentas que possibilitem a realização de uma avaliação inicial por telediagnóstico. 

Ainda faz parte da inovação aberta o suporte à saúde, buscando tecnologias que possibilitem o acompanhamento e monitoramento do paciente a distância de forma digital. Outros tópicos também, como gestão de rotina de trabalho, gestão de dados e geração de informação para tomada de decisão e linhas de treinamentos dos profissionais. 

Plataformas de inovação aberta

Recentemente, a Artemisia e a Umane lançaram o projeto de uma plataforma de inovação aberta em atenção primária à saúde. O programa tem o objetivo de aproximar inovações da área ao setor público. A ideia é selecionar negócios que apresentem as melhores soluções, fornecendo o apoio para que consigam ser implementadas. Tudo isso tendo como base os desafios de atenção primária nos municípios brasileiros.

De acordo com as empresas, essa iniciativa foi fruto de uma grande análise de diversos setores e envolve gestores públicos, empreendedores de impacto social e a própria população brasileira. O foco é aprimorar cada vez mais a qualidade da saúde pública. 

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Novas fontes de receita na saúde com inovação aberta

Uma das vantagens da inovação aberta é permitir que a empresa experimente novos modelos de negócios. Mesmo que seja completamente distinto do original. E, com isso, cria também novas fontes de receita, que podem ser mais escaláveis. 

Com isso, os hospitais podem manter as receitas obtidas com os serviços assistenciais, mas ir além. É possível, aliando a inovação aberta, fazer parcerias com outras instituições ou até mesmo criar laboratórios ou centros de atendimento dentro de grandes empresas. Ou ainda vender capacitação ou consultoria. Criar cursos também é uma opção escalável, tendo em vista o alcance da internet e a possibilidade de aulas virtuais.

Dessa forma, não é mais necessário gerar renda a todo custo apenas com os serviços hospitalares. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que essas instituições se organizem. Assim, os novos modelos de negócio precisam ser desenhados e planejados, para serem colocados em prática e darem resultados financeiros. 

Como implementar a inovação aberta

Enfim, existem muitas maneiras de começar o processo de inovação aberta em um centro de saúde. Alguns exemplos são:

  • Criar comunidades e/ou plataformas de escuta para pacientes e comunidades: essa fonte de receita tem o objetivo de compreender suas respectivas dores e focar em recursos novos. É uma maneira de entender as reais necessidades dos pacientes atendidos e receber alternativas de possíveis soluções.
  • Cocriar novos produtos e serviços: uma outra ideia é criar parcerias com hubs de inovação e startups para codesenvolver soluções empreendedoras e produtos inovadores. Para empresas maiores, a parceria com startups pode trazer uma nova atmosfera repleta de ideias. Há a possibilidade de elas aprenderem métodos mais ágeis ou estratégias digitais, com o objetivo de criar e assegurar uma nova cultura de inovação. As startups, por sua vez, também têm a possibilidade de aprender com a experiência das empresas de saúde. Ou seja, os dois lados acabam se beneficiando.
  • Suportar iniciativas empreendedoras: uma terceira maneira de fazer inovação aberta na área da saúde é fazer um investimento em iniciativas empreendedoras que possuam um alto know-how. Existem muitos grandes centros de saúde que podem dar suporte a empreendedores de diversas formas. Pode ser desde um investimento, passando por uma mentoria, como programas de aceleração, coparticipação nos projetos, entre diversas outras opções.

Desafios da inovação aberta na saúde

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Um dos desafios da inovação aberta na saúde é a falta de profissionais especializados em hospitais, clínicas e outros estabelecimentos. Sem eles, não há comunicação nem com o mercado, nem com as tecnologias e muito menos com as competências externas. É importante ter estes profissionais, pois eles sabem o que já funcionou e o que não teve sucesso dentro da companhia. E o mais importante: sabem como é a cultura interna da empresa.

Uma possível falta de preparo por parte dos colaboradores também é um obstáculo a ser superado. É necessário deixá-los alinhados e criando uma conexão para que o processo de inovação não saia do controle. 

Outro grande desafio é saber lidar com o diferente. Para que as ideias de inovação aberta se desenvolvam bem, é preciso enfrentar a resistência de colaboradores e diretores. 

Por fim, outro desafio é em relação ao cumprimento de prazos. Muitas startups podem não cumprir os prazos das entregas, pois estão acostumadas com outro panorama de trabalho. Isso gera muita frustração por parte dos estabelecimentos de saúde, pois os prazos não cumpridos podem dar prejuízo. Assim, precisa haver um acompanhamento mais de perto do projeto, a fim de minimizar as diferenças no modo de trabalhar e obter resultados satisfatórios.

Conteúdos sobre tecnologia e inovação no Futuro da Saúde

Futuro da Saúde é um hub de conteúdo digital criado pela jornalista especializada em saúde Natalia Cuminale. Além deste site, onde você encontra mais conteúdos como este sobre tecnologia e inovação na área da saúde, temos ainda um podcast. Confira abaixo o episódio com o médico Claudio Lottenberg, presidente do Conselho do Hospital Albert Einstein e do Instituto Coalizão Saúde. Ele explica que inovação não necessariamente tem a ver com a compra de equipamentos e a adoção de novas tecnologias. E não esqueça de nos seguir nas redes sociais: Instagram e Youtube.

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