Identificada área do cérebro relacionada a transtornos mentais

Os cientistas do estudo acreditam que a descoberta possibilite avaliar o quão resiliente uma pessoa é ao estresse. Além disso, poderia ser uma ferramenta para prever quais situações ela deve evitar para prevenir transtornos de ansiedade e depressão.

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Enquanto algumas pessoas parecem se incomodar pouco com situações estressantes, outras apresentam sinais de ansiedade e depressão quando expostos ao estresse prolongado. Este fato motivou pesquisadores da Universidade de Zurique, na Suíça, a identificarem uma região do cérebro possivelmente relacionada ao desenvolvimento de ansiedade e depressão, chamada locus coeruleus-norepinefrina (LC-NE), como forma de resposta ao estresse do cotidiano. A descoberta foi publicada pela Nature Communications.

Segundo o estudo, quanto mais intensa for a resposta do LC-NE em casos de estresse, maiores as chances de desenvolver transtornos de ansiedade e depressão. Com essa constatação, os cientistas acreditam terem encontrado uma medida que evite o desenvolvimento dos transtornos ao tentar prever o quão resiliente o indivíduo é ao estresse.

Para o pesquisador do Centro de Neuroeconomia de Zurique UZH, Marcus Grueschow, “ter uma medida objetiva da capacidade de uma pessoa para lidar com o estresse pode ser muito útil”, como, por exemplo, no treinamento de resiliência ao estresse com neurofeedback [tratamento para melhorar a auto regulação do cérebro]”.

Estudo

Para chegar nesta conclusão, os cientistas acompanharam 48 estudantes de medicina que estavam prestes a iniciar um estágio de 6 meses em prontos-socorros, emprego com forte carga de estressores. Antes do estágio começar, os pesquisadores passaram aos estudantes tarefas que exigiam o processamento de informações conflitantes, o que permitiu a constatação de que a intensidade da resposta do LC-NE varia de pessoa para pessoa. Além disso, tentaram prever o quanto os participantes seriam afetados pelo estresse que estava por vir.

Ao atingir 3 e 6 meses de estágio, os participantes responderam questionários em que avaliavam a si mesmos quanto ao bem-estar, ansiedade, depressão, entre outros. Os cientistas analisaram o comportamento, a atividade psicofisiológica através das amígdalas, utilizaram dados sobre o padrão de respostas do LC-NE e um marcador externo que avalia a dilatação da pupila, além de outros procedimentos. A conclusão foi que a resposta do locus coeruleus-norepinefrina é um marcador forte e confiável para prever a resposta e resiliência de cada pessoa quanto ao estresse do dia-a-dia.

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