Herança genética de neandertais pode influenciar quadros de infecção por Covid-19

Pesquisadores identificaram fatores genéticos herdados dos Neandertais que podem proteger ou agravar casos de infecção por Covid-19.

               
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Geneticistas descobriram que a herança dos Neandertais no cromossomo 12 pode reduzir em 22% o risco de quadro grave de Covid-19. O estudo publicado pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) na quarta-feira (17) indicou que aqueles que herdaram essa mutação genética no cromossomo podem estar menos propensos a sofrer com o novo coronavírus. 

De acordo com o estudo, essa mutação foi encontrada em todos as amostras de DNAs analisadas de Neandertais e em 30% das amostras de DNA de europeus e asiáticos. Neste local, ocorre a codificação de proteínas que ativam enzimas importantes em infecções por vírus de RNA. O mesmo cromossomo está relacionado também a proteção imunológica contra o vírus do Nilo Ocidental e contra o vírus da hepatite C.

Enquanto a mutação no cromossomo 12 pode reduzir as chances de casos graves, no cromossomo 3 é o oposto: pode agravar a infecção por Covid-19. Há alguns meses, cientistas identificaram que os herdeiros dessa variante podem estar duas vezes mais suscetíveis a precisar de ventilação artificial do que o restante. 

O estudo do consórcio Genetic of Mortality in Critical Care (GenOMICC), foi realizado com 2.244 pacientes infectados pelo novo coronavírus. Além disso, foram utilizados dados estatísticos regionais da plataforma e um software filogenético. Com isso, foram identificadas sete posições específicas no gene, que podem afetar de alguma forma os cromossomos 3, 6, 12, 19 e 21. 

Dependendo de qual gene foi herdado, pode haver um agravamento de casos de SARS-CoV-2, devido ao cromossomo 3. Ou pode existir maior proteção, se a herança for no cromossomo 12.  

Os neandertais foram uma espécie humana que há cerca de 400 mil anos povoaram a Europa e Ásia, até sua extinção cerca de 28 mil anos atrás.

Hoje em dia, os lugares onde mais encontramos heranças desses ancestrais são principalmente na Europa e na Ásia. O continente africano é a única região onde esse fator é praticamente ausente.

A importância de estudar antigos ancestrais humanos está em entender como a humanidade atual é influenciada por esses genes antigos. Alguns hábitos e doenças podem ter se originado há milhares de anos, devido às necessidades e estilo de vida deles. A compreensão desses fatores poderia ajudar a encontrar novas soluções na área da saúde.

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