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Hepatite misteriosa: o que se sabe até agora?

Desde 15 de abril casos de hepatite aguda de causas desconhecidas tem atingido crianças ao redor do mundo. Veja o que se sabe até o momento

               
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Desde 15 de abril, quadros inexplicáveis de hepatite têm atingido crianças ao redor mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até o momento são 348 casos prováveis de hepatite grave, que foram detectados em 20 países – como Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Itália, Israel, Indonésia, Brasil, Argentina, Panamá e outros. Até o relatório de 23 de abril, a OMS afirmou que 17 crianças (aproximadamente 10%) precisaram passar por transplante de fígado e pelo menos uma morte havia sido relatada.

Detectada inicialmente no Reino Unido, os casos da doença passaram a ser vistos em outros territórios e tem intrigado especialistas por se tratar de casos clínicos graves em crianças sem problemas de saúde (na maioria dos casos). Além disso, os quadros registrados não podem ser explicados pelas causas comuns de hepatite.

A hepatite é uma doença que atinge o tecido do fígado e pode ser causada pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas e medicamentos. Em outros casos, pode ocorrer a hepatite viral, ocasionada por microrganismos de tipos A, B, C, D ou E – classificação baseada nas diferentes possibilidades de causas da doença.

Casos no Brasil

No Brasil ao menos 20 casos de hepatite aguda grave e sem causa conhecida estão sob investigação das secretarias de Saúde dos estados. Até o momento, foram registrados: 7 casos no estado de São Paulo, 6 no estado do Rio de Janeiro, 2 no Paraná, 2 em Minas Gerais, outros dois casos no Espírito Santo e 1 em Santa Catarina.

No território brasileiro, os especialistas apontam principalmente para enzimas intracelulares com alterações elevadas e sintomas gastrointestinais. Junto a isso, a Secretaria da Saúde do Espírito Santo pontua que dois casos detectados no estado não apresentam as mesmas características descritas em outros países. Ambos os quadros seguem em investigação.

Enquanto outros países já viram casos de hepatite inexplicável atingindo jovens de 1 mês de vida até 16 anos, as crianças brasileiras possuem de 2 meses a 8 anos de idade. Recentemente, o Rio de Janeiro confirmou a morte de um bebê de oito meses.

A causa mais provável

Atualmente, médicos e epidemiologistas descartam a possibilidade desses vírus da hepatite serem os responsáveis pelos novos casos. Junto a isso, as hepatites misteriosas não apresentam evidências que indiquem associação à Covid-19, seja por infecção ou vacina.

A possibilidade de tratar-se de efeitos colaterais das vacinas contra Covid-19 foi descartada, pois a maioria das crianças afetadas não foram imunizadas ainda. Ademais, um estudo do CDC, indica que não foram encontradas ligações entre os casos de hepatite e SARS-CoV-2 – no estado do Alabama, EUA. Porém, as autoridades seguem analisando para ver se existem casos com anticorpos que apontem para uma possível infecção anterior.

Por outro lado, os especialistas suspeitam que o adenovírus possa ser o responsável pelos casos repentinos nas crianças. No dia 6 de maio, a agência de segurança da saúde do Reino Unido relatou que, dos 163 casos de hepatite pediátrica detectados no território britânico, 126 foram testados para adenovírus e 72% tiveram resultados positivos. 

Nos EUA, as autoridades de saúde estão investigando 109 quadros pediátricos de hepatite de origem desconhecida. No dia 29 de abril, o CDC já havia detectado o adenovírus em mais da metade dos casos. “Neste momento, acreditamos que o adenovírus pode ser a causa desses casos relatados, mas outros potenciais fatores ambientais e situacionais ainda estão sendo investigados”, reforça o CDC em relatório publicado dia 29 de abril.

O adenovírus e outros pontos a serem investigados

Entre outros aspectos a serem considerados, está o fato de que existem cerca de 50 tipos de adenovírus. Esse agente é o responsável pelos resfriados, conjuntivites, bronquite, pneumonia, gastroenterite e outros. A disseminação dos adenovírus podem ocorrer de algumas formas, como por contato pessoal, através de gotículas respiratórias, ou compartilhamento de objetos infectados. 

Segundo a OMS, 74 dos casos foram testados como positivo para a presença de adenovírus F tipo 41. Já o SARS-CoV-2 só foi identificado em 20 casos e em outros 19 foram detectados uma co-infecção de SARS-CoV-2 e adenovírus.

Junto a isso, a OMS aponta que nesse momento as crianças pequenas podem estar mais suscetíveis à contaminação. Isso devido ao baixo nível de circulação de adenovírus durante a pandemia por Covid-19. Dessa forma, a circulação atual do vírus implica em um potencial surgimento de um novo adenovírus, além da possibilidade de co-infecção por SARS-CoV-2. Mesmo assim, esses elementos ainda devem ser investigados. 

Cuidados preventivos

Enquanto o cenário todo segue em investigação, as autoridades de saúde reforçam a necessidade de higienizar as mãos e usar máscaras com frequência, principalmente ao apresentar sintomas respiratórios.

Até o momento, a Organização Mundial da Saúde não recomenda restrições de viagens ou comércio com os países onde os casos foram identificados. Entre outras recomendações, a organização estimula a realização de exames de sangue, urina, fezes, amostras respiratórias e de biópsia hepática (quando disponíveis). Nessas análises, devem ser incluídas a caracterização do vírus e seu sequenciamento.

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