Após período de aquisições, Grupo Sabin reformula posicionamento para se apresentar como ecossistema de saúde

Após período de aquisições, Grupo Sabin reformula posicionamento para se apresentar como ecossistema de saúde

Após um período de 10 anos investindo na expansão, que […]

By Published On: 08/03/2023
Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin

Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin

Após um período de 10 anos investindo na expansão, que incluiu mais de 30 aquisições, o Grupo Sabin decidiu reformular seu posicionamento de mercado para refletir sua visão estratégica de se tornar um ecossistema de saúde, o que passa pela consolidação de sua estrutura e fortalecimento da integração de seus negócios. Para isso, passará a adotar uma nova marca institucional e submarcas para as três unidades de negócio.

A primeira é a de diagnóstico, que agora passará a se chamar Sabin Diagnóstico e Saúde, e contemplará análises clínicas, diagnósticos por imagem, anatomia patológica, genômica, imunização e check-up executivo. A segunda é a de atenção primária, sob a marca Amparo Saúde, que inclui a gestão de saúde populacional inclusive com a instalação de postos de atendimento em empresas parceiras. A terceira área é a de serviços digitais com a Rita Saúde, plataforma que funciona como um marketplace que integra farmácias e médicos e os conecta aos pacientes — inclusive com a criação de uma carteira digital para os clientes, que poderão adquirir serviços para si ou para terceiros, em uma espécie de crowdfunding.

Em entrevista exclusiva para o Futuro da Saúde, a CEO do Grupo Sabin, Lídia Abdalla, falou dessa nova fase da empresa e detalhou um pouco dos próximos passos — em 2022 o grupo atendeu 7,5 milhões de clientes em suas 350 unidades em operação em 78 cidades brasileiras. Ao longo da conversa ela também comentou a percepção do Grupo Sabin sobre o cenário atual da saúde no Brasil e as expectativas e tendências para 2023. Confira os principais trechos da entrevista abaixo:

Qual sua percepção sobre a saúde no Brasil hoje? Que momento estamos vivendo?

Lídia Abdalla – Bom, eu acho que vivemos nesse ano um momento de pós-pandemia, depois desse ciclo de três anos em que a saúde no Brasil e no mundo passou por várias transformações. Nós vivemos um momento de grandes desafios, obviamente com a questão da sustentabilidade econômico-financeira, temos visto as operadoras falando da alta sinistralidade, as consolidações aumentando sobretudo em busca de mais escala, de gerar mais valor e conseguir mais sinergia. Nós temos inúmeros desafios daqui pra frente com essa questão da sustentabilidade, com a questão de integração, de trabalhar para, de fato, tentar construir um sistema de saúde que seja mais homogêneo, que consiga conversar melhor com os diferentes atores que participam dessa cadeia de saúde. Nós estamos falando de tecnologia, de dados… então acho que esse é um grande desafio que temos para os próximos anos. De outro lado, nós temos a população vivendo mais, então o que falamos sobre a mudança da pirâmide etária já é uma realidade. Hoje as pessoas já estão vivendo mais, envelhecendo mais, e por isso há uma maior necessidade ainda de olhar para a medicina preventiva. Acho que esse é um outro caminho que os serviços, as empresas, os profissionais de todo o setor de saúde têm olhado. Uma coisa que eu tenho falado bastante, que é uma percepção nossa, é que nós já observamos a mudança no perfil do consumidor, o qual está buscando mais por medicina preventiva. Nós vimos o quanto isso foi discutido na pandemia, porque as pessoas que tinham os casos mais graves tinham morbidades, doenças crônicas, então nós percebemos uma preocupação maior das pessoas com a saúde. Eu acho que o grande desafio do setor é isso: olhar para o paciente no centro do cuidado, além de cuidar da saúde e não da doença. Eu acho que esse ciclo deve mudar e é um período de muitos desafios para trabalhar nesse caminho, mas que é o caminho, sem dúvida, do futuro da saúde.

O que vocês esperam de 2023 para o mercado de saúde no Brasil?

Lídia Abdalla – É um ano difícil pelo cenário macroeconômico, pela pressão da alta taxa de juros, de forma que quem tinha mais dívidas ficou mais endividado, há um aumento de despesas financeiras, aumento de custo operacional, o que também é um reflexo da própria pandemia. As nossas empresas do setor de saúde, e isso vale tanto para o serviço público quanto para o privado, tiveram que fazer muitos investimentos e o custo operacional aumentou muito nesses últimos anos. De outro lado, há a dificuldade com as operadoras de fazer o repasse de reajustes também pela pressão que sentiram pela alta sinistralidade. Sem dúvidas, é um ano de pressão econômico-financeira em todo o setor. Todos estão buscando caminhos para conseguir trabalhar mais produtividade e eficiência, para seguir crescendo nos seus mercados e atuações. Todo estão mais cautelosos com relação às aquisições, até porque hoje o custo de capital não é no Brasil muito diferente do que era há 2, 3 anos, então nós observamos todos os players olhando com mais cautela. Eu imagino que seja um ano que todos os negócios estão olhando para eficiência, produtividade, para trazer sinergia dos movimentos que fizeram nos últimos anos de aquisições, de consolidação e preparar para o ano seguinte. Esperamos que no próximo ano já tenhamos um cenário macroeconômico mais favorável para seguir crescendo.

O que vocês enxergam como tendência para os próximos anos?

Lídia Abdalla – Acho que é, de fato, cada vez mais trabalhar na digitalização dos serviços e de como conseguimos integrá-los utilizando dados e informações para que isso gere mais valor para o cliente da ponta final. Quando estou falando do cliente, eu nem estou falando só do paciente, do beneficiário, do consumidor final, mas estou falando das operadoras de saúde, dos hospitais, das empresas, todos os nossos potenciais clientes que utilizam os nossos serviços em algum momento. Essa é uma tendência, de trabalhar cada vez mais com dados, com informações, de fazer isso gerar mais valor para o beneficiário e, consequentemente, para o setor de saúde. Também tem um olhar cada vez mais forte para a medicina personalizada e preventiva, sobre ter um cuidado mais ligado à saúde e menos à doença. No nosso setor, especificamente, falando de diagnósticos, temos visto um crescimento na área de genômica, de testes moleculares, que é uma área que eu acho que vai crescer bastante, é uma tendência para os próximos anos, porque traz possibilidades de diagnósticos mais rápidos, mais assertivos, tratamento com menor custo, medicações podendo ser utilizadas de forma mais personalizada. específica e proporcionando uma redução de custos em todo o sistema.

Por que vocês decidiram fazer esse movimento da nova marca?

Lídia Abdalla – É o resultado de toda a nossa estratégia de crescimento dos últimos anos, de diversificação dos nossos negócios e do nosso posicionamento enquanto uma plataforma de negócios em saúde, que é o que viemos construindo nesses últimos 10 anos. Agora o Grupo Sabin representa a nossa marca corporativa que se torna protagonista na construção desse nosso ecossistema de saúde, que é a base de toda a plataforma de negócios de saúde. O que queremos como resultado disso é, de fato, reforçar a nova proposta de entrega de valor para os nossos clientes. De novo, quando eu falo clientes, estou me referindo às operadoras de saúde, empresas, hospitais que somos parceiros e até o nosso paciente, que é o consumidor final. Então, em 2022 completamos um ciclo de 10 anos do início do nosso projeto de expansão geográfica. Esse projeto aconteceu de forma orgânica e inorgânica, com as fusões e aquisições. Foram 30 aquisições que fizemos ao longo desses 10 anos, as quais foram empresas que têm convergência direta, com análises clínicas, diagnóstico por imagem, depois veio a atenção primária com a Amparo Saúde. Em 2021 também lançamos a nossa plataforma do centro de cuidado coordenado digital, que é Rita Saúde. Eu acho que isso reflete esse ciclo da integração desses negócios e como nós nos posicionamos como ecossistema de saúde. A nossa marca corporativa passa a ser o Grupo Sabin e esse é o nosso momento de consolidar os nossos negócios, reforçando o nosso compromisso com o setor, com a evolução da saúde, com o cuidado do nosso cliente, dos nossos colaboradores e de todas as comunidades onde atuamos. Em 2024 completamos 40 anos, então é um ciclo importante.

Como vocês veem essa expansão para o segmento B2C? Como vocês esperam escalar a operação para esse segmento?

Lídia Abdalla – Hoje, quando falamos de análises clínicas de diagnóstico por imagem, nós já atendemos o cliente diretamente na prestação de serviços. É claro que a maior parte disso vem do atendimento via operadoras de saúde, mas já tem uma parcela do nosso público que nós atendemos diretamente. Porém, quando lançamos a Rita Saúde, foi com esse objetivo de acessar um público que não tem convênio. Nós sabemos que isso corresponde a 75% da população. Então, a Rita Saúde foi concebida com esse objetivo de proporcionar para essa população um acesso aos nossos serviços, e aí não só aos nossos, mas também ao serviço de parceiros, de drogarias, de médicos especialistas, podendo chegar a procedimentos. O que nós projetamos de escalar para o B2C é o que iniciamos com a construção da plataforma de e-commerce onde oferecemos os nossos serviços e estamos criando uma carteira digital para o cliente. A ideia é que seja também uma plataforma de crowdfunding, em que eu posso não só comprar os serviços para mim, mas também doar para terceiros ou para um familiar que não tenha plano de saúde. Muitas vezes eu tenho um plano de saúde, mas a pessoa que trabalha comigo em casa não tem, um parente não tem, então ali eu vou poder criar a minha conta e ter acesso ao serviço. Tem atenção primária digital, mas também oferecemos nosso serviço presencial. O que nós acreditamos é que o cliente vai utilizar os serviços de saúde de forma híbrida. Nós discutimos muito isso nos últimos anos por causa da pandemia. Nós vimos, afinal, que a tendência é que a utilização seja híbrida, porque muitos serviços demandam a presença física. O serviço de atenção primária digital é operado pela Amparo Saúde, que é outra empresa do grupo. Então, planejamos escalar para o B2C. Os nossos esforços, esse ano, vão ser direcionados para dar amplitude e levar ao conhecimento das pessoas que elas podem ter acesso aos nossos serviços via Rita Saúde.

Qual potencial vocês enxergam no segmento de saúde corporativa? Vocês acham que o mercado, no caso as empresas, estão maduras para investir na saúde de seus funcionários?

Lídia Abdalla – Eu acho que o mercado não era maduro antes da pandemia, mas ela mostrou que isso é fundamental, porque as empresas viram que saúde pode parar os nossos negócios. Acho que a pandemia deixou essa mensagem de uma preocupação grande das empresas com a questão da saúde corporativa. Um outro ponto está relacionado com o próprio cenário macroeconômico em que estamos vivendo. Quando as empresas olham para o custo do plano de saúde que elas oferecem para os seus beneficiários, talvez essa seja a segunda maior conta dentro da despesa de pessoal. É um benefício, sem dúvida alguma, que possui muito valor, mas que tem um alto custo. Se não existir, de fato, um trabalho de gestão de saúde corporativa dentro das organizações, esse custo vai ficando tão elevado que pode chegar um momento em que a empresa fica inviabilizada de oferecer o benefício para o seu colaborador. Já temos visto muito dessa dificuldade nos últimos anos. Há empresas que estão optando, às vezes, por planos de saúde de menor custo, com redes mais restritas, buscando opções para não deixar de oferecer o benefício. Então eu acho que é fundamental que as empresas tenham esse olhar para o investimento na gestão de saúde corporativa e o cuidado com seus colaboradores. Não sei te dizer o tamanho desse mercado, em números, mas eu acho que é um mercado que nem imaginamos o impacto que pode ter. Quando falamos, por exemplo, da própria Amparo Saúde, em atenção primária, temos mirado nesse mercado também. Na Amparo Saúde, temos construído projetos para rodarem em parceria com empresas, de colocar também o serviço de atenção primária lá dentro para ser a porta de entrada para sua jornada da saúde. Ali, conseguimos, de fato, cuidar da maior parte das queixas e direcionar para o serviço dos especialistas o que é necessário ser encaminhado. Eu acho que esse também é um caminho para o futuro e as empresas têm olhado para isso.

Em linhas gerais, quais as principais expectativas com esse movimento novo movimento do Grupo Sabin?

Lídia Abdalla – A principal expectativa está sobre o modelo de ecossistema de saúde que viemos construindo nos últimos anos. Agora ele está consolidado e possui uma comunicação por meio da marca corporativa, o Grupo Sabin, contando que somos um ecossistema de saúde e temos vários negócios e serviços integrados. Acho que isso é importante. Quando tratamos de ecossistema, falamos sobre como estamos construindo a integração desses serviços para entregar a melhor proposta de valor para os nossos clientes.

Nova marca do Grupo Sabin

Paola Costa

Estudante de Jornalismo da Cásper Líbero e graduada em Relações Internacionais pela UNIFESP. Compõe o time de redação do Futuro da Saúde desde setembro de 2022. Email: paola@futurodasaude.com.br

About the Author: Paola Costa

Estudante de Jornalismo da Cásper Líbero e graduada em Relações Internacionais pela UNIFESP. Compõe o time de redação do Futuro da Saúde desde setembro de 2022. Email: paola@futurodasaude.com.br

Leave A Comment

Recebar nossa Newsletter

NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

Artigos Relacionados

Paola Costa

Estudante de Jornalismo da Cásper Líbero e graduada em Relações Internacionais pela UNIFESP. Compõe o time de redação do Futuro da Saúde desde setembro de 2022. Email: paola@futurodasaude.com.br