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Profissionalização do gestor de saúde: impactos nos desperdícios de recursos

Boa formação do profissional pode equilibrar efetividade, eficácia e custo, melhorando a jornada do paciente e ampliando o acesso à saúde

               
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(Conteúdo oferecido por Hospital Israelita Albert Einstein)

As despesas do Brasil com saúde atingiram R$ 711 bilhões em 2019. A informação consta na pesquisa Conta-Satélite de Saúde, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa 9,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, somando-se os gastos do setor público e privado.

Apesar de seguir uma tendência global, uma vez que os gastos com saúde representam 10% do PIB mundial, o Brasil possui um dos menores investimentos per capita entre os países desenvolvidos e emergentes, segundo o Panorama da Saúde 2019, estudo realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Não há dúvidas que garantir e ampliar os investimentos em saúde são essenciais para um melhor desenvolvimento da sociedade brasileira. Entretanto, atrelado ao financiamento deve existir, também, uma gestão adequada dos recursos. Para se ter uma ideia, só em 2018, US$ 18 bilhões foram gastos desnecessariamente em saúde no Brasil, de acordo com um relatório elaborado pela Bloomberg.

Com um ecossistema cada vez mais complexo, a necessidade de equilibrar efetividade, eficácia e custo justo na operação do sistema de saúde também é maior. “Tipicamente, essa área cresceu de forma muito descentralizada. […] No meio, nunca houve uma grande preocupação com a gestão. Ao mesmo tempo, fica muito claro que um sistema bem gerido é melhor para todas as partes”, analisa Alexandre Holthausen, diretor de ensino da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (SBIBAE).

Em síntese, uma boa gestão de recursos, pessoas, ambientes e processos permite que uma parcela cada vez mais ampla da população seja atendida de forma equitativa e a um custo menor. Por isso, o gestor de saúde desempenha papel-chave dentro das instituições.

Importância da profissionalização do gestor de saúde

Além de entender profundamente o cenário e as políticas públicas de saúde, o gestor de saúde é responsável pelos resultados atingidos por uma organização e corresponsável pelo cuidado das pessoas, mesmo não atuando na linha de frente.

“O que fazemos como gestores impacta na diminuição de desperdícios, no aumento da eficiência e na experiência do paciente ao longo da sua jornada. Somos responsáveis por manter a instituição com os pés no chão e fazer o que precisa ser feito de forma bem feita, mas com a cabeça nas estrelas, aspirando uma saúde de maior qualidade e para um número maior de pessoas”, diz João Paulo Bittencourt, coordenador do curso de graduação de Administração de Organizações de Saúde da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE).

Historicamente, o chamado gestor empírico é o que mais ocorre na área da saúde. Trata-se de um profissional de saúde, usualmente um médico ou enfermeiro que se destaca na assistência e acaba selecionado para a gestão. “O problema desse cenário é que tornar esse profissional em um gestor de alto desempenho demanda muito tempo, no mínimo uma década. O setor não pode mais se dar ao luxo de aguardar”, observa João Paulo Bittencourt.

Profissionalização do gestor de saúde

Com o objetivo de oferecer uma formação de alta qualidade em gestão de saúde, porém em tempo reduzido e sem perder de vista todas as complexidades do setor, a Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE) elaborou o novo curso de graduação em Administração de Organizações da Saúde. Reconhecido com nota máxima pelo Ministério da Educação (MEC), a primeira turma terá início já em 2023.

“É um curso que pretende oferecer a formação generalista para o administrador, como também prepará-lo para a gestão de entidades com as particularidades de uma instituição de saúde. E isso vai acontecer dentro do nosso ecossistema. […] Na parte assistencial, atuamos em todas as esferas, proporcionando um campo de estágio riquíssimo para o aluno”, diz Alexandre Holthausen.

Acumulando 3.700 horas – dessas, no mínimo mil são práticas –, o curso apresenta um currículo inovador, com vivências já no primeiro ano de formação, por meio de consultoria, estágios e atividades de simulação e intervenção. Outro ponto de destaque é que o aluno receberá, de forma contínua, feedback sobre o seu desempenho, possibilitando o seu melhor desenvolvimento.

Esse parecer é estruturado pelo Escritório de Carreira, que promove avaliações mensais a respeito do desenvolvimento do estudante sob a própria perspectiva, dos docentes, dos pares e dos supervisores de campo, compondo uma avaliação 360º do início ao final do curso.

As aulas teóricas serão ministradas no novíssimo Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein – Campus Cecília e Abram Szajman. Com investimento de R$ 700 milhões, o prédio, localizado no bairro do Morumbi, na capital paulista, já é um marco da arquitetura e da tecnologia. Reunindo pessoas de diferentes especialidades e idades, a ideia é que o ambiente seja um verdadeiro caldeirão, fervilhando ideias e ações.

O mercado e seus desafios

Apesar do Brasil viver um momento de alto desemprego, atingindo cerca de 11% da população brasileira, segundo dados do IBGE, o setor de saúde segue sendo um dos principais empregadores. De acordo com o boletim da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), o setor fechou 2021 com saldo positivo de quase 177 mil postos formais.

Entretanto, apesar de muito aquecido, a própria complexidade do setor o torna carente de bons profissionais. Em um país em que mais de 70% da população depende, exclusivamente, do Sistema Único de Saúde (SUS), um bom gestor será aquele que conseguir ser efetivo tanto no sistema privado, quanto no público.

“Temos seguido como norte os objetivos do Institute for Healthcare Improvement (IHI) que, de certa forma, mostram claramente quais são os nossos problemas. Cabe a todos nós encontrar as soluções para chegar nesse sistema ideal”, comenta o diretor de ensino do Einstein. São eles: melhoria da saúde da população, e não apenas de um indivíduo; uma melhor experiência do paciente que passe pelo sistema; custo per capita adequado para manter o sistema funcionando; satisfação do próprio colaborador da área de saúde; e, por fim, a equidade, que significa fazer as coisas na proporção que cada um precise, de acordo com a sua necessidade e condição de saúde.

Para atingir esses objetivos, não há dúvidas de que o sistema precisará passar por mudanças significativas. Na opinião de Alexandre Holthausen, a principal refere-se à educação em saúde, seja na graduação ou na pós-graduação, com profissionais melhor preparados para esse novo ambiente e matrizes curriculares mais adequadas.

Em seguida, uma melhor gestão, que compreende, também, reformas do próprio sistema de saúde. Nesse ponto, João Paulo Bittencourt destaca o uso adequado das ferramentas de gestão, assim como o domínio da liderança e da humanização. “Tudo o que um gestor de saúde faz é por pessoas e para pessoas. Precisamos entender que o paciente é pessoa, assim como o profissional de saúde e quem está envolvido nos processos de inovação e identificação de riscos”, ressalta o coordenador do curso de graduação de Administração de Organizações de Saúde do Einstein.

Por fim, temos a inovação e a tão falada transformação digital, quando o uso assertivo da tecnologia contribui para automatizar processos, gerar indicadores e predizer cenários, favorecendo a tomada de decisões rápidas e assertivas. Isso propicia à gestão, assim como aos pacientes e cidadãos, maior celeridade e transparência, aumentando as possibilidades e melhorando o serviço ao usuário. Portanto, é mandatório que o gestor de saúde tenha proficiência nessa linguagem.

Impactos da boa gestão

O desempenho significativo do gestor de saúde pode ser sentido de diferentes maneiras, desde um acesso à saúde que não era gerado, passando por um atendimento mais rápido e humanizado, realizado por uma equipe que está trabalhando na sua plenitude.

“A formação dessas pessoas vai melhorar a jornada do paciente, diminuir complicações, ajudar na gestão da saúde populacional e no seu principal objetivo, que é reduzir decorrências que são evitáveis. […] É uma participação extremamente relevante para que a gestão seja feita baseada em evidências, mobilizando pessoas, adotando melhores práticas, promovendo diálogos e parcerias que vão aumentar a qualidade do atendimento”, reforça João Paulo.

Profissionalização do papel do gestor é urgente para garantir operações mais seguras, eficientes, acessíveis e estratégicas.

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