Future Health Index: o que os líderes de saúde querem para o futuro

Segundo o relatório levantado pela Philips, a transformação digital é o ponto principal para o mercado de saúde no mundo pós-pandemia.

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Segundo o relatório levantado pela Philips, a transformação digital é o ponto principal para o mercado de saúde no mundo pós-pandemia.

A falta de integração entre as entidades de saúde, sejam elas públicas ou privadas, é um dos principais desafios do mercado brasileiro, segundo o novo relatório anual Future Health Index (FHI). O levantamento, realizado pela empresa de tecnologia Philips, traz as percepções dos profissionais sobre o setor de saúde. Para os resultados, o FHI coletou informações e opiniões de cerca de 3 mil líderes de saúde espalhados por 14 países, baseando-se principalmente nas questões e demandas levantadas com a pandemia da Covid-19. Segundo a apuração, a transformação digital é o principal elemento que o mercado busca para o mundo pós-pandemia.

Na questão da integração, destacam-se a dificuldade de consolidar dados para a criação de bancos de informações, que viriam a se tornar a base para novas tecnologias — como a inteligência artificial — e, consequentemente, otimizar a gestão dos planos de saúde e hospitais.

No índice, também é possível ver quais tecnologias estão recebendo investimento dos líderes de saúde e a opinião destes quanto às influências no mercado — confira os dados principais:

  • 84% dos entrevistados afirmam estar apostando em registros de saúde digitais
  • 61% está investindo em telemedicina
  • 60% dos líderes de saúde estão em busca de tecnologias de Inteligência Artificial (IA)
  • 75% dos entrevistados citaram a pandemia como uma das principais forças externas que os impedem de se preparar para o futuro
  • 68% dos entrevistados afirmam estarem focados em encontrar maneiras de enfrentar a Covid-19
  • 53% estão concentrados em aumentar a eficiência de sua unidade médica

De modo geral, o Future Health Index aponta a telemedicina e os registros digitais de saúde como os principais meios de aceleração do momento atual, que busca por mudanças tecnológicas.

O FHI aponta ainda que o Brasil está próximo de grandes potências, mesmo com o mercado de saúde passando por dificuldades durante a crise sanitária, devido às necessidades de investir em medidas de emergência e imunização.

Na visão de Patrícia Frossard, Country Manager da Philips, “os líderes de saúde demonstram otimismo com o desenvolvimento do setor e esse momento de transformação digital”. Um dos fatores para isso seria a aprovação do uso da telemedicina durante a pandemia. Além disso, a Covid-19 acabou por trazer à tona também outros elementos.

Efeitos da pandemia

A crise sanitária da Covid-19 acabou por trazer novos pontos de atenção para os líderes: a prevenção de doenças e a desospitalização. Em outras palavras, o momento pede por medidas que diminuam as chances do paciente precisar ir ao hospital e, quando possível, finalizar seu tratamento fora ambiente do ambiente hospitalar. “Sempre teremos o tratamento, mas agora o foco será na prevenção”, reforça Patrícia. 

A pandemia também deixou evidente as questões de custo e com isso novos modelos de pagamentos estão sendo implementados. Entre eles, há a medicina baseada em valor, onde os players deixam de competir através dos preços e focam em maneiras de agregar valor para o paciente. Este é um modelo esperado principalmente pelos novos conglomerados de saúde, que surgiram na crise sanitária com os hospitais que não conseguiram se manter. Essa tendência deve ser vista principalmente nos próximos relatórios do Future Health Index.

“A inovação é o desejo, mas ainda não é implementada. Há um entendimento no setor público e privado de que é hora de arrumar a casa e criar as estruturas tecnológicas para aplicar essas tecnologias”, explica Frossard.

O que muda nos mercados de saúde e tecnologia

Para alcançar esses objetivos, as tecnologias como registros digitais e telemedicina devem gradualmente ser incorporadas no dia a dia. Assim, as parcerias entre o setor de saúde e Tecnologia da Informação (T.I) devem aumentar com o tempo. O que na visão da Manager da Philips, “é um processo irrevogável e que não irá retroceder”.

A classe médica pode apresentar alguns receios quanto às novas tecnologias, por questões de confiabilidade e adaptação de um trabalho no qual a maioria não foi treinado para fazer. Mas assim como a telemedicina, que com o tempo conquistou seu espaço no mercado, a inteligência artificial deve fazer o mesmo.

Além disso, o setor de Tecnologia da Informação (T.I) também ganha um grande fomento. Nesse momento, o mercado é visto como escasso, já que são poucos os profissionais que possuem o conhecimento necessário para unir saúde e tecnologia. Mesmo assim, “cada vez mais o T.I está sentado na mesa de decisão”, afirma a Manager da Philips.

Agora, as empresas de ambos os setores buscam preparar seus profissionais para lidar com ambos e criar parcerias governamentais como forma de obter investimento.

Novas portas abertas pelos dados de saúde

Segundo Frossard, “os dados só são bons se são bem coletados e consolidados. A partir daí, o céu é o limite”. Nos dias atuais, já existe um grande fluxo de dados nos quais os especialistas trabalharam para unir, filtrar e utilizar diariamente, mas eles foram coletados apenas nos últimos dois anos. Por essa razão, não há como realizar estudos aprofundados como o mercado almeja.

Mesmo assim, existem possibilidades para este momento, como a realizar estudos no setor de UTI ou de maternidade de um hospital, por exemplo. “Começaremos assim, com pouco. Mas em cinco anos acredito que essa base toda pode já estar consolidada, pois tudo está evoluindo muito rápido”. Com a chegada do 5G, a qualidade da Internet deve abrir novas portas, como a telecirurgia, novas redes de teleconsulta e outros.

Ao estruturar a base dos dados de saúde, também é possível aplicá-los em nuvens e criar redes que permitam facilitar a vida do paciente, chegando mais próximo do conceito de saúde 5.0. Entre os exemplos, é possível imaginar uma situação onde o paciente acaba de sair de uma consulta e não necessita de uma receita de medicamento em mãos: a farmácia já teria recebido e entregaria o remédio em seu domicílio.

Por fim, a Manager da Philips acredita que será possível “fazer uma gestão com resultados melhores e ajudar os médicos a trabalharem com mais foco, já que a inteligência artificial filtra as informações e com isso ele pode dar mais atenção à relação médico-paciente”, conclui.

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