Ministério da Saúde inaugura fábrica da Hemobrás em Pernambuco

Ministério da Saúde inaugura fábrica da Hemobrás em Pernambuco

Unidade permitirá independência nacional na produção do Fator VIII recombinante e pode ser plataforma de exportação no futuro

By Published On: 03/04/2024
Coletiva de imprensa para inauguração da fábrica da Hemobrás em Pernambuco

Coletiva de imprensa para inauguração da fábrica da Hemobrás em Pernambuco. Da esq. p/ dir.: Carlos Gadelha, Nisia Trindade e Ana Paula Menezes. Foto: Rafael Nascimento/MS

O Ministério da Saúde promoveu uma coletiva de imprensa para anunciar que a primeira fábrica de produção nacional de fator VIII recombinante entrará em operação na quinta-feira, 4. Localizada na cidade de Goiana, em Pernambuco, o complexo fabril de biotecnologia da Hemobrás pretende reduzir não apenas a dependência de insumos internacionais, mas ampliar o acesso em termos de volume e de custo.

A unidade levou mais de dez anos para ficar pronta e consumiu mais de R$ 1 bilhão de investimento. Agora, conta com capacidade produtiva para produzir por ano 1,2 bilhão de unidades do medicamento, que é utilizado por pessoas com hemofilia A, condição que demanda um tratamento recorrente. “Nossos dados apontam para 12 mil pessoas que são portadoras de hemofilia A, que sofrem muito com traumatismos, hemorragias, entre outros. Estamos falando de um medicamento que leva uma enorme qualidade de vida para quem sofre com essa doença”, comentou a ministra Nísia Trindade.

A estimativa é que o SUS receba medicamentos a partir de setembro deste ano, como detalhou Carlos Gadelha, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Complexo Econômico e Industrial da Saúde: “Estamos na fase de coroamento desta parceria de desenvolvimento produtivo em biotecnologia de saúde mais importante de todo o Nordeste. O primeiro passo é onde se rotula um medicamento, com controle de qualidade. Portanto, em setembro teremos eles no SUS. Em segundo momento, início de 2025, começa a formular o medicamento e, em 2026, se produz a tecnologia inteira, da caixa até o IFA”.

Durante a coletiva, Antônio Edson de Lucena, diretor industrial da Hemobrás, afirmou que haverá uma redução de cerca de 30% do preço praticado atualmente dos medicamentos desta categoria, o que acarretará maior oferta e mais acesso. Gadelha reforçou ainda que a fábrica representará uma economia de 200 milhões de dólares por ano com a importação do medicamento.

Produção da Hemobrás ainda é via PDP

No entanto, o complexo fabril ainda não alcançou produção tecnológica 100% nacional. No início de sua operação, que começará a partir de seu lançamento, a produção ainda será fruto de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo com a Takeda. A previsão é que a produção seja própria até janeiro de 2026, após ser aprovado por todas as etapas de qualificação e pela ANVISA.

O complexo fabril ainda passa pelas etapas de qualificação para entrar no mercado, mas já cumpriu etapas de aprovação de seus equipamentos, instalação e, no momento, será qualificado o processo de produção, o que deve impactar na entrega dos medicamentos para distribuição.

Em vista dos benefícios à saúde, a possibilidade de exportar os medicamentos internacionalmente para outros países não é descartada. “Pelo papel estratégico da Hemobrás, podemos beneficiar pessoas com o mesmo problema em outros países com a cooperação que o Brasil faz em termos de saúde global”, completou Trindade. Segundo ela, poucos lugares têm o nível de qualidade de produção que será lançada no Brasil.

A titular da pasta relembrou ainda a importância do lançamento da fábrica, que fornece acesso aos imunoderivados para o SUS, além de sair da zona de dependência e garantir autonomia financeira.

Isabella Marin Silva
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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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