Precisamos falar de expectativa de vida saudável

Precisamos falar de expectativa de vida saudável

Aumento da expectativa de vida trará desafios para a sociedade como um todo, mas há caminhos para promover um envelhecimento saudável.

By Published On: 30/08/2023

Viver os últimos dez anos de vida sentindo progressivamente a piora de dores e da capacidade cognitiva, agravamento de doenças crônicas, a perda da visão e da audição ou o aparecimento de alguma outra condição que impacte de forma significativa a qualidade de vida. Esta será a realidade para a maioria dos brasileiros, segundo dados divulgados pela OMS1. A expectativa de vida tem sido apontada como fator chave para medir o desenvolvimento de um sistema de saúde. As causas de falecimento são bem documentadas e conhecidas – doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias, entre outras –, assim como os fatores de risco e a importância de um estilo de vida saudável.

O debate, porém, precisa ser ampliado para além de expectativa de vida, pois não basta viver mais, é preciso viver com qualidade.

E quais são as principais condições que levam à perda da qualidade de vida?

Os principais fatores de risco documentados no Brasil são obesidade, comportamento sexual de risco, tabagismo, abuso de drogas e álcool, sedentarismo e falta de ergonomia ocupacional.2

De acordo com um levantamento recente do governo britânico3, esses motivos nos levam às três principais causas da perda da qualidade de vida: doenças do sistema musculoesquelético (9.9% da população), doenças cardiovasculares (6.6%) e doenças do sistema nervoso (2.9%), incluindo demência.

A principal causa, as doenças do sistema musculoesquelético, compreende, por exemplo, dores crônicas causadas por artrose do joelho e quadril e por discopatia de coluna. A perda de massa muscular com o envelhecimento, o sedentarismo, a obesidade e a falta de ergonomia ocupacional são os principais fatores de risco.

Como reverter esse cenário, então? Quando pensamos em ações estruturantes, é necessário ampliar políticas públicas atuais para também incluir diretrizes que promovam a expectativa de vida saudável. Estas ações devem ser pautadas nas recomendações das sociedades médicas como as diretrizes do colégio brasileiro de medicina do estilo de vida4 e, também, de especialistas de diversas áreas, como fisioterapia, nutrição e educação física.

Especificamente para as questões musculoesqueléticas, quando bem indicado e realizado por profissional capacitado, o tratamento cirúrgico pode mudar a vida destas pessoas. Soma-se a isso dois desafios importantes: equidade de acesso e como podemos aumentar o engajamento do paciente em sua jornada de tratamento para melhores resultados. A construção de linhas de cuidado que estabelecem protocolos claros e uma equipe interdisciplinar para o atendimento desses pacientes é um dos caminhos na busca por uma expectativa de vida de qualidade.

Outra perspectiva a se considerar é a chegada de novos exames usando Inteligência Artificial e que permitem identificar precocemente doenças do sistema nervoso – e, a partir deste diagnóstico, em um futuro breve, novos medicamentos possivelmente ajudarão a retardar sua progressão. 

Conectada a todo esse cenário, a tecnologia deve ser uma grande aliada na prevenção dessas doenças, já proporcionando um ambiente de trabalho ergonômico, óculos escuros e lentes de contato com proteção contra raios ultravioleta ou medindo intensidade e tempo de uso de fone intra-auriculares, ajudando a ter uma vida mais ativa.

A longevidade saudável pode estar ao alcance de muitos, mas, para torná-la realidade, é fundamental ampliar o conhecimento sobre o tema e promover acesso a rotinas e tratamentos que possam, de fato, proporcionar uma perspectiva futura com qualidade de vida.

  1. https://apps.who.int/gho/data/node.main.688
  2. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2589791822000172
  3. https://www.gov.uk/government/publications/understanding-the-drivers-of-healthy-life-expectancy/understanding-the-drivers-of-healthy-life-expectancy-report
  4. https://cbmev.org.br/
Fabricio Campolina

Fabricio Campolina é referência no setor quando o assunto é tecnologia, inovação e transformação digital e, atualmente, é presidente da Johnson & Johnson MedTech Brasil. Graduado em ciência da computação pela UFMG, possui ainda especialização em gestão de negócios pelo Ibmec e MBA em administração de negócios pela Duke University, onde se graduou entre os top 10% de sua classe. Foi também presidente do conselho da ABIMED, onde liderou o processo de reposicionamento estratégico da associação, e é membro-fundador do Instituto Coalização Saúde.

About the Author: Fabricio Campolina

Fabricio Campolina é referência no setor quando o assunto é tecnologia, inovação e transformação digital e, atualmente, é presidente da Johnson & Johnson MedTech Brasil. Graduado em ciência da computação pela UFMG, possui ainda especialização em gestão de negócios pelo Ibmec e MBA em administração de negócios pela Duke University, onde se graduou entre os top 10% de sua classe. Foi também presidente do conselho da ABIMED, onde liderou o processo de reposicionamento estratégico da associação, e é membro-fundador do Instituto Coalização Saúde.

Leave A Comment

Recebar nossa Newsletter

NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

Artigos Relacionados

Fabricio Campolina

Fabricio Campolina é referência no setor quando o assunto é tecnologia, inovação e transformação digital e, atualmente, é presidente da Johnson & Johnson MedTech Brasil. Graduado em ciência da computação pela UFMG, possui ainda especialização em gestão de negócios pelo Ibmec e MBA em administração de negócios pela Duke University, onde se graduou entre os top 10% de sua classe. Foi também presidente do conselho da ABIMED, onde liderou o processo de reposicionamento estratégico da associação, e é membro-fundador do Instituto Coalização Saúde.