Em meio a pressões, Ministério da Saúde exonerou 8 cargos de 2º e 3º escalão em cerca de 1 mês e meio

Em meio a pressões, Ministério da Saúde exonerou 8 cargos de 2º e 3º escalão em cerca de 1 mês e meio

Crise dos hospitais federais e Yanomami aumentaram pressão no Ministério da Saúde, que busca organizar pastas.

By Published On: 10/04/2024
Em meio a críticas e pressões, Ministério da Saúde faz exonerações e nomeações.

Ministra Nísia Trindade participou, nesta quarta-feira (10), de reunião na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados (Foto: Rafael Nascimento/MS)

Quando Nésio Fernandes, então secretário de Atenção Primária à Saúde (SAPS) do Ministério da Saúde, foi exonerado em 23 de fevereiro, após uma crise entre o Governo Lula e o Congresso Nacional em relação a emendas parlamentares, não se imaginava que uma “dança das cadeiras” ocorreria em diferentes áreas da pasta.

O cenário se agravou com a crise envolvendo os hospitais federais do Rio de Janeiro, que levou à queda do secretário de Atenção Especializada à Saúde (SAES), Helvécio Miranda Magalhães Júnior, em 19 de março. Com isso, ao menos 8 membros de segundo e terceiro escalão do Ministério da Saúde foram trocados, afetando essas e outras pastas, como a Secretaria de Saúde Indígena e o gabinete da ministra Nísia Trindade.

A epidemia de dengue também tem colocado mais pressão política nesse cenário, com investidas de partidos e membros do chamado Centrão em torno do cargo de Trindade. O presidente Lula tem afirmado, repetidas vezes em aparições públicas, que a ministra fica, mas há uma cobrança para que a Saúde divulgue mais seus feitos.

Para a SAES, Adriano Massuda, professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e membro do FGV-Saúde, foi nomeado. Para o lugar de Nésio Fernandes, Felipe Proenço, então diretor de Programas da SAPS, assumiu a pasta. Após sua entrada, dois diretores caíram: Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas, do Departamento de Estratégias e Políticas de Saúde Comunitária, e Marcos Vinicius Soares Pedrosa, do cargo do Departamento de Gestão do Cuidado Integral.

Outros nomes que deixaram a pasta foram de Marcia Luz da Motta, chefe de gabinete da ministra, e Maria do Carmo Andrade Filha, diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena da Secretaria de Saúde Indígena. A pasta tem sido alvo de críticas pela continuidade da crise na Terra Indígena Yanomami, que mesmo após ações do Governo, segue com números altos de mortes, registrando 363 óbitos em 2023, e forte presença do garimpo ilegal.

Em entrevistas, a ministra Nísia Trindade afirma que não há uma limpa no Ministério, mas que tem feito ajustes necessários após um ano de Governo. O Ministério tem focado no lançamento de novas políticas para melhorar a imagem, como o programa Mais Acesso a Especialistas e o SUS Digital, mas sendo uma das pastas mais disputadas, é preciso acompanhar os próximos passos.

Hospitais Federais

A crise dos hospitais federais do Rio de Janeiro, envolvendo as más condições das instituições, culminou em um grande movimento de nomeações, que começou com a saída de Alexandre Telles, diretor do Departamento de Gestão Hospitalar, em 18 de março. De lá para cá, diversos cargos passaram por trocas.

Composto pelos hospitais federais do Andaraí, de Bonsucesso, de Jacarepaguá Cardoso Fontes, de Ipanema, da Lagoa e dos Servidores do Estado, o conglomerado passa por disputas internas até mesmo do Partidos dos Trabalhadores (PT). O Ministério da Saúde havia decidido intervir na gestão desses hospitais, centralizando as compras no Departamento de Gestão Hospitalar, como forma de ter mais controle sobre a entrada e saída de recursos. Contudo, não foi bem aceito pelos gestores. 

Passado quase 1 mês do início da crise, exonerações e nomeações ocorreram em busca de retomar o controle e normalizar o funcionamento dos hospitais. Nesta terça-feira, 9, o  diretor do Hospital Federal do Andaraí, Jefferson Antunes Gomes, foi exonerado do cargo. Em seu lugar, Luiz Felipe Carvalho Matos foi nomeado.

Em março, foi exonerada a coordenadora-geral de Governança Hospitalar do Departamento de Gestão Hospitalar no Estado do Rio de Janeiro, Mirena Silva. A pasta nomeou 3 novos membros, que assumiram como coordenador de Compras e Contratos, coordenador de Atenção à Saúde e coordenador de Orçamento e Finanças.

Ouvida nesta quarta-feira (10) pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, a ministra Nísia Trindade falou sobre a situação dos hospitais federais do Rio de Janeiro. “Esses hospitais foram hospitais de excelência, isso é uma herança dos hospitais dos institutos de aposentadoria e pensões e depois do INAMPS, mas naquele momento não havia SUS. Portanto, não eram hospitais que atendiam a todos e todas. A meta colocada por mim e pelo presidente Lula, de uma maneira muito clara, é que esses hospitais voltem a ser serviços de referência, integrados plenamente ao SUS e também voltados, portanto, para o atendimento às necessidades da população do Rio de Janeiro”, disse a ministra.

Segundo ela, houve a reabertura de 300 leitos em 2023, dos cerca de 600 que estavam fechados, além de um aumento de produção, ainda aquém das necessidades da população. Em 2024, afirma que o Ministério da Saúde está trabalhando de forma acelerada para “resolver as questões ali colocadas”.

Linha do tempo das trocas no Ministério

Quem saiu

23/02
Nésio Fernandes
, deixou o cargo de Secretário de Atenção Primária à Saúde

27/02
Ana Laura Pereira Abreu
, deixou o Cargo de Chefe de Gabinete da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (foi nomeada posteriormente como coordenadora-geral de Gestão Administrativa e Estratégica do Gabinete da Ministra de Estado da Saúde)

19/03
Helvécio Miranda Magalhães Júnior, deixou o cargo de Secretário de Atenção Especializada à Saúde; e Alexandre Oliveira Telles, deixou o cargo de Diretor do Departamento de Gestão Hospitalar no Estado do Rio de Janeiro.

26/03
Maria do Carmo Andrade Filha, deixou o cargo de Diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena da Secretaria de Saúde Indígena.

05/04
Marcia Luz da Motta, deixou o cargo de Chefe de Gabinete da Ministra de Estado da Saúde.

08/04
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas, deixou o cargo de Diretora do Departamento de Estratégias e Políticas de Saúde Comunitária da Secretaria de Atenção Primária à Saúde; e Marcos Vinicius Soares Pedrosa, deixou o cargo de Diretor do Departamento de Gestão do Cuidado Integral da Secretaria de Atenção Primária à Saúde.

Quem entrou

23/02
Felipe Proenço, nomeado como secretário de Atenção Primária à Saúde; e Amanda Araújo Rodrigues, nomeada como diretora de Programa da Secretaria-Executiva

27/02:
Luana Konzen Nunes
, nomeada como Chefe de Gabinete da Secretaria de Atenção Primária à Saúde

13/03
Fábio Campelo Santos da Fonseca Ribeiro, nomeado como Chefe de Gabinete da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde.

19/03
Jerzey Timoteo Ribeiro Santos, nomeado como Diretor de Programa da Secretaria de Atenção Primária à Saúde; e Gilmara Lucia dos Santos, nomeada como diretora do Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde da Secretaria de Atenção Primária à Saúde

26/03
Adriano Massuda nomeado como secretário de Atenção Especializada à Saúde

04/03:
Wellington Mendes Carvalho
, nomeado como diretor do Departamento de Apoio à Gestão da Atenção Primária da Secretaria de Atenção Primária à Saúde 

03/04
Maria Lucilene Martins Santos, nomeada como diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena da Secretaria de Saúde Indígena

05/04
José Artmando Fraga Diniz Guerra, nomeado como Chefe de Gabinete da Ministra de Estado da Saúde.

08/04
Grace Fátima Souza Rosa, nomeada como diretora do Departamento de Gestão do Cuidado Integral da Secretaria de Atenção Primária à Saúde

Rafael Machado

Jornalista com foco em saúde. Formado pela FIAMFAAM, tem certificação em Storyteling e Práticas em Mídias Sociais. Antes do Futuro da Saúde, trabalhou no Portal Drauzio Varella. Email: rafael@futurodasaude.com.br

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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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