Estudo sugere nova alternativa para tratamento de câncer de pulmão

Durante o ASCO, um dos maiores eventos da oncologia, estudo demonstrou resultados positivos para uma nova abordagem para pacientes com câncer de pulmão.

               
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Depois de 16 anos sem novidades quanto ao tratamento de câncer de pulmão, a Roche Farma apresentou ao setor os resultados do ensaio clínico IMpower010, do medicamento atezolizumabe, em um dos maiores eventos de oncologia do mundo, o ASCO Annual Meeting, que ocorreu de 4 a 8 de junho de forma remota. O estudo indica o potencial da substância na atuação contra o câncer de pulmão ao reduzir em 34% o risco do retorno da doença após quimioterapia e cirurgia de pacientes em estágio IIA e IIIA — fase da doença onde o câncer não está totalmente limitado ao pulmão e já atinge outros tecidos do corpo, mas que ainda pode ser controlado. A conclusão é baseada no estudo clínico que está em andamento desde 2015 e contou com 1.280 participantes. Mesmo apresentando resultados, a fase III do estudo deve prosseguir até que demais protocolos dos ensaios clínicos sejam concluídos.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pulmão é o segundo tipo de neoplasia mais comum entre os homens e mulheres no Brasil, atingindo uma marca de 82% de mortalidade — o tema foi abordado por Marlene Oliveira em sua última coluna em Futuro da Saúde. Dentro dos 18% das possibilidades de cura, há ainda o risco de recidiva da doença, ou seja, o paciente que demonstrava estar curado pode acabar desenvolvendo a doença novamente. Com o atual padrão de tratamento – a quimioterapia adjuvante à base de platina – há um aumento de somente 4% a 5% as chances de os pacientes permanecerem vivos em cinco anos. Mesmo assim, 50% dos sobreviventes são atingidos com o retorno da doença.

Para o médico e diretor de acesso da Roche Farma Brasil, Lenio Alvarenga, o potencial do medicamento representa “um resultado que muda um paradigma que durava há muitos anos”. Normalmente, o tratamento desse tipo de câncer é composto por cirurgia e quimioterapia. Nesse contexto, o atezolizumabe entraria como uma estratégia logo após a cirurgia em pacientes que tem alta expressão da proteína PD-L1. “O uso do atezolizumabe logo após o procedimento estimula o sistema imunológico a derrotar qualquer resquício de célula que tenha ficado ali. Com isso, é possível reduzir em 34% o risco desse paciente recair e a doença voltar”.

Com alta agressividade, o câncer de pulmão possui vários estágios. No estágio 1, o câncer está contido somente no pulmão. No segundo, já atingiu alguns nódulos linfáticos próximos ao órgão. No terceiro, o câncer entra na cavidade entre os dois pulmões, chamada de mediastinal e, portanto, já se expandiu. No quarto estágio, a doença saiu dessas estruturas e segue expandindo para outros órgãos. Os estágio IIA e IIIA tratam de classificações ainda mais específicas quanto ao progresso e localização da doença no órgão.

Mesmo realizando o tratamento com quimioterapia e cirurgia, os pacientes que estão em um estágio onde o câncer já se expandiu para além da estrutura do pulmão correm o risco de ver a doença voltar após algum tempo, o que torna o quadro clínico mais difícil de tratar. “Conseguimos provar agora que é benéfico tratar o paciente nessa fase inicial, porque evita que ele entre na fase mais difícil de tratar — e mais impactante para o paciente e familiares, porque o câncer já avançou”, reforça Alvarenga.

No Brasil, além de cinco indicações para câncer de pulmão em fase metastática — isto é, quando a doença sai do órgão onde se originou —, o medicamento também possui recomendação para o tratamento de câncer de fígado, mama e bexiga. Agora, a empresa deve submeter os resultados apresentados na ASCO para análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que deve decidir se o remédio terá a nova indicação aprovada ou não.

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