Sobrepeso e obesidade podem custar 218 bilhões de dólares ao Brasil até 2060, aponta estudo

Sobrepeso e obesidade podem custar 218 bilhões de dólares ao Brasil até 2060, aponta estudo

A obesidade é uma doença que vem apresentando um crescimento […]

By Published On: 31/10/2022

A obesidade é uma doença que vem apresentando um crescimento vertiginoso — como apontado na coluna do Sidney Klajner no Futuro da Saúde — mundialmente, o que tem levado a muitos alertas e pesquisas tanto em relação aos reflexos nos sistemas de saúde quanto ao aumento do risco de outras doenças. Um estudo recente com 161 países, publicado no BMJ Global Health, trouxe uma análise sobre os impactos econômicos do sobrepeso e obesidade e apontou que, no Brasil, essas condições atingirão 88,1% da população até 2060, com gastos diretos e indiretos que podem chegar a 218 bilhões de dólares.

De acordo com os pesquisadores, a tendência de crescimento dos índices de sobrepeso e obesidade no mundo está relacionada principalmente à diminuição da atividade física, com destaque para a natureza sedentário de muitas formas de trabalho, e ao aumento da ingestão de alimentos carregados de gorduras e açúcares.

Do ponto de vista global, o estudo mostra que dois em cada cinco adultos apresentam essas condições de saúde atualmente e, ainda, muitos dos países com as taxas mais altas são aqueles de renda média — o levantamento ressalta que existe um equívoco habitual de ligar sobrepeso e obesidade apenas a países de alta renda.

A maior preocupação com os índices de obesidade e sobrepeso advém da seu atuação como fator de risco para doenças cardiovasculares, câncer, Alzheimer, diabetes, entre outras. A pesquisa ressalta que mais de cinco milhões de mortes ao ano causadas por doenças não transmissíveis estão ligadas ao sobrepeso e obesidade, com um índice de 77% delas ocorrendo em países de renda média e mais da metade desse número em pessoas abaixo dos 70 anos de idade.

Visão global do sobrepeso e obesidade

O estudo constitui a primeira estimativa global que apresenta os impactos econômicos do sobrepeso e obesidade por país. A análise realizada utilizou uma abordagem de custo de doença, considerando as 28 doenças ligadas a essas condições segundo o Global Burden of Disease (GBD). As estimativas consideram uma linha do tempo que inicia em 2019 e termina em 2060.

Ainda, foi levado em consideração os custos diretos e indiretos, médicos e não médicos: entre os custos diretos não médicos, estão os econômicos advindos do processo de busca por cuidados de saúde; entre os indiretos, estão as perdas econômicas ligadas à mortalidade prematura, ausência no trabalho e diminuição da produtividade.

Com relação aos países, o estudo começou com os mais de 200 países representados no banco de dados de classificação de renda do Bando Mundial. Contudo, vários deles foram excluídos por conta da ausência de dados em relação a doenças, mortalidade e dados macroeconômicos. Isso levou a redução da amostra para 161 países.

Como resultados, a pesquisa estimou que o impacto econômico do sobrepeso e obesidade em 2019 chega a 2,19% do produto interno bruto (PIB) global, possuindo uma variação média de US$ 20 per capita na África a US$ 872 per capita nas Américas, e de US$ 6 em países de baixa renda a US$ 1.110 em países de renda média. Além disso, os pesquisadores também projetaram que, caso as atuais tendências permaneçam, os impactos econômicos atingirão 3,29% do PIB global até 2060.

Dentre as projeções, o estudo estimou que uma diminuição de 5% na tendência projetada entre 2020 e 2060 resultaria em torno de US$ 429 bilhões em economia anual média global. Por fim, um cenário otimista de rompimento com o aumento projetado na prevalência de sobrepeso e obesidade nos níveis de 2019 resultaria em cerca de US$ 2,20 trilhões em economias anuais em média globalmente.

Redação

Equipe de jornalistas da redação do Futuro da Saúde.

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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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