Estudo da Unifesp liga tempo de tela e inversão do sono a sintomas de depressão

Pesquisa identificou uma relação direta entre aumento do tempo na frente das telas e alterações no horário de dormir ao aumento de sintomas de depressão e ansiedade.

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A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) publicou pesquisa na plataforma Scielo em preprint —  isto é, sem ser revisada por pares — sobre o impacto do uso de telas e inversão do sono na saúde mental dos jovens durante a pandemia. O estudo identificou uma relação direta entre estes dois fatores com sintomas de depressão e ansiedade. As conclusões se baseiam em 401 respostas válidas de um questionário que foi aplicado pela internet por jovens de 13 a 20 anos no período de 29 de outubro e 14 de dezembro de 2020, em que as aulas presenciais ainda não haviam retornado.

Cerca de 86% dos participantes afirmaram ter sua rotina alterada durante a pandemia e 27,3% dos entrevistados confirmaram estar dormindo durante o dia ao invés da noite. Sobre o uso de telas, 1 a cada 4 jovens afirma que, além do tempo para as atividades de ensino à distância, também passa mais de 8 horas por dia utilizando equipamentos eletrônicos para assistir filmes e séries, jogar e utilizar redes sociais.

Em triagem, o grupo responsável pela pesquisa constatou que estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de escolas estaduais e municipais de São Paulo e Guarulhos apresentaram 10,5% de casos de depressão e 47,5% de ansiedade. Os resultados são baseados no critério Inventário de Depressão Infantil e de Ansiedade pelo SCARED (Screen for Child Anxiety Related Emotional Disorders) e em dois modelos de regressão linear.

“Outros fatores revelaram estar relacionados a esses quadros. Quem avalia que o conhecimento adquirido na escola é importante tende a ter menos sintomas de depressão. Quem teve caso de Covid-19 em casa apresentou mais sintomas. Essas tendências também se verificaram em relação à ansiedade, mas testes estatísticos não puderam confirmar efeito consistente”, explicou Daniel Arias Vazquez, professor e pesquisador da UNIFESP, em nota.

Há ainda a questão do retorno das aulas presenciais, em que o pesquisador explica que isso poderia amenizar os sintomas de depressão e ansiedade. Contudo, “deve-se ter em mente que a incidência de casos de Covid-19 na família também impacta a saúde mental dos estudantes, podendo se tornar um fator ainda mais preponderante com o agravamento da pandemia”, concluiu Vazquez.

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