Esclerose: qual o significado dessa palavra na medicina?

Do grego, a palavra esclerose quer dizer endurecimento. Em medicina, de maneira bem geral, significa endurecimento patológico de um tecido do organismo. Há algumas décadas nos acostumamos a ouvir que fulano estava ficando esclerosado, indicando geralmente um idoso que estava apresentando sinais de demência.

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Devo confessar que o texto que escrevo hoje tem um objetivo duplo. Ao mesmo tempo em que procuro – e espero que tenha êxito – esclarecer algumas dúvidas sobre o termo que serve de título para esta coluna, gostaria também de alcançar um objetivo menos nobre, o de me poupar de ouvir comentários leigos bastante folclóricos sobre o assunto.

Geralmente estas situações ocorrem durante jantares, almoços, festas das mais diferentes naturezas em que eu, incógnito de minha profissão, colecionei comentários dos mais variados sobre o tema esclerose. Porque, como sabem, as pessoas gostam de falar sobre temas de saúde, sem necessariamente estarem informadas. Na minha coleta informal, percebi que talvez seja importante entendermos melhor o que este vocábulo realmente significa.

Do grego, a palavra esclerose quer dizer endurecimento. Em medicina, de maneira bem geral, significa endurecimento patológico de um tecido do organismo. Há algumas décadas nos acostumamos a ouvir que fulano estava ficando esclerosado, indicando geralmente um idoso que estava apresentando sinais de demência.

No entanto, esclerosado e esclerose passaram a frequentar o vocabulário leigo, como revistas, internet e bate papos informais com maior frequência e variedade de significados, mais do que apenas o esquecimento de alguma tia ou avô.

Na saúde, são vários os significados e usos para a mesma palavra.

Esclerose — ou escleroterapia, por exemplo — é um procedimento médico estético utilizado para queimar vasos sanguíneos que podem ocorrer em situações como varizes.

Já a esclerose múltipla, que tem tipo bastante destaque nos meios de comunicação nos últimos tempos, não tem nada a ver com uma pessoa com alto grau de esclerose ou esquecimento. Trata-se de uma doença neurológica que está associada a uma resposta inadequada do nosso sistema de defesa, o sistema imunológico, e acomete o cérebro e a medula.

A esclerose lateral amiotrófica é outra doença neurológica que recebeu a abreviatura de ELA. A condição leva a uma fraqueza dos músculos de maneira progressiva.

Temos ainda doenças mais raras como a Esclerose Tuberosa – ou doença de Bourneville – que tem causa genética e caracteriza-se pelo crescimento anormal de tumores benignos em vários órgãos do corpo.

Nas doenças reumáticas podemos elencar a esclerose sistêmica. Também de causa imunológica, a doença leva a depósitos de colágeno na pele e em outros órgãos do organismo, acometendo também os vasos sanguíneos e órgãos do corpo.

Mas, caso me permita o leitor, gostaria de voltar ao termo mais comum, onde emprega-se a palavra esclerose. Lembre-se que aquela pessoa idosa, que está ficando “esclerosada” na verdade deve estar começando a apresentar um quadro que acomete a memória. Não é algo normal, apesar de ser comum em idosos. Em casos assim, é preciso que a pessoa seja encaminhada a um médico para uma avaliação. Assim, é possível afastar ou confirmar o diagnóstico de doença de Alzheimer, entre outras possibilidades.

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