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Por que o debate sobre equidade no acesso ao cuidado deve fazer parte da rotina no setor de saúde?

Fórum latino-americano organizado pelo Einstein e o IHI reunirá lideranças regionais para discutir equidade no acesso e como ir além das metas de ESG

               

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Equidade no acesso
Atendimento na UPA Campo Limpo, administrada pelo Einstein em parceria com a Prefeitura de SP / Foto: Fabio H. Mendes/E6 Imagens

As desigualdades sociais em saúde no Brasil se intensificaram durante a pandemia de Covid-19, segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgada em junho deste ano. Embora tenha se tornado ainda mais urgente por conta da crise sanitária, a discussão sobre equidade no acesso à saúde não é de hoje: o tema aparece na Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada em 1948 e nos princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS), implantado no Brasil em 1988.

“Dentro da saúde, a equidade é conceito de direito e de justiça. Não é a mesma coisa que igualdade, porque não adianta ter o mesmo serviço para todos. Equidade é oferecer para a pessoa aquilo que ela realmente precisa naquele determinado momento”, explica Guilherme Schettino, diretor do Instituto Israelita de Responsabilidade Social (IIRS) do Einstein.

O Hospital Israelita Albert Einstein faz a gestão de dois hospitais públicos em São Paulo e um em Aparecida de Goiânia, além de várias unidades públicas na capital paulista, como UPA, UBS, AMA, CAPS e residências terapêuticas. “Levamos a eficiência de nossas operações para a saúde pública, contribuindo para que haja o melhor resultado possível, levando em conta o recurso financeiro disponível. Não importa por qual porta o paciente entre, ele vai ser atendido com qualidade, segurança e de forma humanizada. Isso tem ajudado na busca de equidade para a população desses locais”.

O conceito de equidade de acesso também entrou para as metas do Institute for Healthcare Improvement (IHI) – organização internacional sem fins lucrativos com mais de 30 anos de atuação – para melhorar o sistema de saúde. A estratégia proposta pelo IHI e adotada por serviços de saúde em todo o mundo está centrada em cinco pontos: a experiência do indivíduo em relação à assistência; a saúde das populações; o custo per capita dos cuidados de saúde; o cuidado com o profissional de saúde e a equidade na saúde.

O tema, incluindo os desafios para um sistema mais acessível, será um dos focos do debate proposto pelo IHI e o Hospital Israelita Albert Einstein na 7ª edição do Fórum Latino-Americano de Qualidade e Segurança na Saúde, que será realizada entre 12 e 15 de setembro em São Paulo. Sob o tema “Muito Além do ESG”, a ideia é que as lideranças de vários países da região presentes discutam como as empresas de saúde e os governos podem impulsionar as boas práticas sociais e ambientais e buscar oportunidades de parcerias para ações de sustentabilidade que vão além de suas fronteiras.

“Convidamos vários CEOs e stakeholders importantes para debater essas questões e vamos falar sobre saúde planetária. Daremos também espaço para os médicos que ainda estão em formação, que vão cuidar desses problemas e de todos nós no futuro. Será uma troca muito importante”, ressalta Miguel Cendoroglo, diretor superintendente médico e de serviços hospitalares do Einstein.

Em 2022, o fórum, que acontecerá pela primeira vez de forma híbrida (presencial e virtual), terá o novo Centro de Ensino e Pesquisa do Einstein como sede e espera receber mais de 8 mil pessoas de forma online, além de 2 mil participações presenciais. As inscrições para participar estão abertas e podem ser feitas pelo site do evento.

Atenção na rede pública

Há 20 anos atendendo junto ao Sistema Único de Saúde em São Paulo, o Einstein hoje tem uma ampla atuação na rede pública, fazendo, por exemplo, mais partos no SUS do que na rede privada. O mesmo ocorre com os transplantes, numa iniciativa que faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS) e inclui transplantes de fígado, rim, coração, pulmão e intestino, além de transplantes combinados e multiviscerais.

“Nós pegamos os casos mais complexos, aqueles que a rede pública não conseguiria cuidar de forma adequada. Os pacientes são encaminhados para os nossos hospitais e utilizamos os nossos centros de alta tecnologia e equipe altamente capacitada para oferecer o melhor cuidado. Mais de 90% dos transplantes realizados pelo Einstein são para o SUS. É um programa com resultados de sobrevida equivalentes aos melhores centros europeus e americanos”, conta Schettino.

Também dentro do PROADI-SUS, o Einstein atua em pequenas cidades da região norte do país, dando apoio aos médicos de atenção primária, disponibilizando especialistas para discutir casos e definir tratamentos de forma virtual. “Nesses locais, encaminhar pacientes a consultas com especialista pode ser muito complicado, então utilizamos a tecnologia para estar presente, mesmo que à distância, oferecendo um bom cuidado, com custos menores e acesso. Hoje são 158 pontos de telemedicina e o projeto tem funcionado muito bem”, afirma Schettino.

Equidade no acesso à educação em saúde

Algumas das atividades mais emblemáticas do Einstein para além da rede privada são aquelas realizadas em Paraisópolis, a segunda maior comunidade de São Paulo, que é vizinha do maior complexo hospitalar da instituição.

Por lá, o Einstein marca presença com serviços de atenção primária na saúde e por meio de ações socioeducativas. Além dos vários complexos já instalados, um prédio de cinco andares dentro da comunidade está em construção e oferecerá gratuitamente Ensino Médio, ensino técnico e cursos profissionalizantes de administração em saúde. A conclusão das obras está prevista para 2024.

Alexandre Holthausen, diretor-superintendente de Ensino do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, lembra que equidade e diversidade estão dentro de todas as salas de aula da instituição, mesmo que fora da comunidade: “Quando olhamos para dentro da sala de aula, a equidade gera diversidade. Por isso, temos robustos programas de bolsa em todos os níveis de curso. A formação de um profissional em saúde, inclusive, se beneficia quando a sala é mais diversa”.

Ele acrescenta que o Einstein oferece apoio acadêmico e socioemocional para os alunos bolsistas. “E temos um currículo voltado para o aspecto social, com foco em medicina populacional e atenção primária, para que os alunos entendam que, daqui para frente, têm um papel fundamental na redução da iniquidade”, diz Holthausen. Para o diretor acadêmico, a educação é a solução mais transformadora em curto prazo e não há outra alternativa para se chegar à equidade.

7º Fórum Latino-Americano de Qualidade e Segurança na Saúde

Desde 2015, o Einstein é o parceiro e representante oficial do IHI na América Latina. As duas organizações reúnem uma comunidade de profissionais interessados na melhoria da qualidade e segurança do atendimento em saúde no continente, principalmente por meio de encontros voltados para lideranças do setor.

O fórum deste ano terá apresentação e premiação de trabalhos científicos e palestras ministradas por lideranças nacionais e internacionais do setor. Além disso, haverá exposição de cases e experiências brasileiras reais para mostrar como a melhoria contínua de processos favorece a excelência operacional, a redução de desperdícios e a gestão de riscos.

“Uma das nossas ações será a entrega do prêmio Júlia Lima, criado em homenagem a uma paciente que faleceu por conta de falhas em nossos processos. Atuamos nesse caso com muita transparência e essa premiação tem como objetivo promover a segurança na saúde”, diz Cendoroglo.

Outros temas como a situação das pessoas refugiadas na América Latina, melhorias e sugestões de novas políticas públicas, a crise ambiental e um panorama aprofundado das metas do IHI farão parte da discussão.

Equidade no acesso à saúde
Centro de Ensino e Pesquisa do Einstein receberá o fórum em 2022 / Foto: Fabio H. Mendes/E6 Imagens

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