Envelhecimento da pele: a ciência por trás do cuidado

Com o desenvolvimento da tecnologia, foi possível entender melhor as maneiras de manter a pele saudável e de retardar o envelhecimento.

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Podemos afirmar que o envelhecimento afeta todas as células de um organismo e seus diversos sistemas fisiológicos. A pele humana, que corresponde a um sexto do peso total corpóreo, constitui o indicador de envelhecimento mais visível, sendo um verdadeiro espelho do que ocorre nos demais órgãos do corpo humano.

O envelhecimento também pode ser observado como um processo no qual determinantes intrínsecos e extrínsecos levam, progressivamente, à perda da estrutura de integridade e função fisiológica. Os fatores considerados intrínsecos são aqueles que ocorrem inevitavelmente como uma consequência natural das alterações fisiológicas, ao longo do tempo, mediadas por padrões geneticamente determinados. Eles são os responsáveis pelo envelhecimento cronológico.  Por outro lado, os fatores extrínsecos incluem exposição à radiação solar, poluição, tabagismo, alimentação, sono, atividade física e saúde global. Estes últimos fatores, amplamente estudados atualmente, são controláveis em diferentes níveis e podem ter seu impacto reduzido por mudanças de estilo de vida.

Com os avanços da genética e da biologia molecular, diferentes aspectos fisiopatogênicos a respeito do envelhecimento cutâneo e seu complexo processo biológico foram esclarecidos. Diversas teorias são consideradas para explicar o envelhecimento cutâneo. As principais estão relacionadas às alterações do DNA mitocondrial, ao estresse oxidativo, à regulação de processos inflamatórios, ao encurtamento dos telômeros, às anormalidades cromossômicas, à redução dos mecanismos de reparo de DNA e às mutações em genes únicos.

Ao longo dos anos, a pele sofre alterações devido à diminuição de alguns dos seus principais componentes, como fibras elásticas e colágeno, estruturas que conferem sustentação. Isto acontece por causa dos fatores naturais de envelhecimento e mudanças celulares geneticamente programadas, como alterações hormonais e modificações na produção de proteínas do organismo. Além dessas, as mudanças causadas por fatores externos, principalmente a radiação solar, tabagismo, má alimentação, poluição do dia a dia, ingestão de bebidas alcoólicas, doenças dermatológicas e determinados estilos de vida, associados aos aspectos étnicos e culturais, constituem fatores relacionados ao envelhecimento cutâneo.

Com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, as pessoas prestam mais atenção ao envelhecimento da pele e tentam entender melhor as maneiras de manter a pele saudável e de retardar o seu envelhecimento.

A proteção solar é a principal medida preventiva contra o envelhecimento da pele, uma vez que cerca de 80% do envelhecimento clinicamente visível acontece por danos solares.  Ela pode incluir, além de uso de filtros solares em cremes, medidas físicas como uso de chapéus de aba larga, óculos escuros, roupas com fator de proteção solar no próprio tecido e guarda-sóis.

Além disso, enfrentamos, regularmente, diversos desafios ao decidir o que comer, uma vez que fatores dietéticos e suplementos nutricionais podem influenciar o envelhecimento da pele, ou retardá-lo, como agem os antioxidantes. O uso de nutracêuticos representa uma estratégia promissora para prevenir, atrasar ou minimizar o envelhecimento prematuro da pele e doenças associadas à idade.    No Brasil e em diversos países como os Estados Unidos, a China e o Japão, muitas pessoas investem uma parcela significativa de suas despesas diárias em cosméticos e medicamentos para o tratamento e prevenção do envelhecimento da pele. Essa enorme demanda continua a impulsionar pesquisa na prevenção e tratamento do envelhecimento da pele. Devemos enfatizar que as autênticas pesquisas em envelhecimento merecem ter como objetivo principal não apenas aumentar a longevidade, mas fazê-la com qualidade de vida adequada, sem doenças ou dependências funcionais. Graças aos avanços desses estudos e ao desenvolvimento de novos tratamentos e tecnologias, hoje, o médico dermatologista pode tratar com segurança não somente as mudanças causadas na pele em razão do envelhecimento cronológico ou ambiental, como também dermatoses inestéticas das mais diversas origens, antes desprovidas de recursos terapêuticos mais eficazes, garantindo, assim, a melhoria da qualidade de vida das pessoas.    

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