Empresa desenvolve gêmeo digital para monitorar saúde

Inspirado no medbay do Star Trek, o gêmeo digital irá atuar como um escâner, passando informações do corpo de um paciente para o formato virtual de visualização tridimensional.

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Uma tecnologia conhecida como “gêmeo digital”, que atua como uma espécie de holograma, é a nova proposta para o monitoramento da saúde. A startup Qbio, dos Estados Unidos, elaborou um recurso para escanear o corpo humano, captando até mesmo aspectos profundos do organismo. Nessa tecnologia, o corpo de um paciente passará também ao formato virtual, de visualização tridimensional, o que pode corresponder a um novo passo para alcançar a medicina preditiva e personalizada.

Durante cerca de 15 minutos o aparelho obterá informações profundas de centenas de marcadores biológicos presente no corpo do indivíduo, como a quantidade de gordura no fígado, a quantidade de gordura visceral do corpo, infiltração de gordura nos músculos ao longo do envelhecimento e outros. Após essa etapa, guardará os dados em um banco através do ‘avatar’.

A tecnologia analisa mudanças estruturais: ele mede elementos por meio de um padrão de tamanho de um milésimo de metro e em seguida procura por alterações, o que será relacionado com resultados de exames tradicionais e associados a possíveis riscos genéticos e químicos. Para realizar essas tarefas, o QBio Gemini utiliza ressonância magnética combinada a diversos sensores — os desenvolvedores afirmam que a tecnologia é barata e simples de ser instalada.

Problemas que impulsionaram a ideia

A solução foi inspirada no filme Star Trek. Jeff Kaditz, CEO da QBio, contou para o Science Focus que a ideia é poder entrar em uma sala e falar com uma figura virtual que possa informar se há algo para ser solucionado no organismo e como isso deve ser feito. Contudo, o que de fato motivou ideia é a rotina sobrecarregada dos profissionais de saúde.

Os cientistas do gêmeo digital associam essa situação ao crescimento acelerado da sociedade e o número insuficiente de médicos, o que acarreta na exaustão dos profissionais. Eles esperam que o recurso otimize a capacidade de atendimento ao trazer informações que indiquem quais pacientes precisam receber atenção imediata e quais podem ficar para outro momento.

Há ainda a questão do diagnóstico, que normalmente é obtido através de exames tradicionais e pontuais. “No momento, a forma como os diagnósticos são feitos é baseada em variáveis ​​únicas medidas em um único ponto no tempo. E não funcionam. A analogia que gosto de usar é o Shazam: você toca uma música e ela a identifica muito rapidamente. Se você tocasse uma única nota e a enviasse para o Shazam, isso não funcionaria porque muitas músicas têm a mesma nota. Você precisa ver a sequência de notas para ver o que torna a música única”, exemplificou Kaditz.

O especialista associa essa questão também ao fato dos pacientes consultarem um médico diferente a cada vez que algum sinal diferente se manifesta no corpo. Como este novo especialista não tem acesso ao seu histórico completo, pedem os mesmos exames que já foram pedidos anteriormente, além de associarem a informação à referência estatística da maioria da população. Quando se torna evidente que existe algo de errado, pode ser tarde para tratar.

“A razão pela qual precisamos de personalização é porque as referências populacionais em saúde não são reais. Há uma grande suposição estatística de que a saúde humana é aproximadamente uma distribuição normal. Então, quando você vê uma referência de população, muitas vezes é tirada de um bando de caras brancos de meia-idade. Se você é uma mulher africana, não é tão útil. A ideia de uma população de referência na era da genômica me parece estranha. Sabemos que somos todos únicos”, concluiu Kaditz.

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