Academias: já está na hora de reabrir?

Qual será o momento certo de reabrir as academias?

101

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de colocar academias de ginástica, barbearias e salões de beleza como serviços essenciais já começou do jeito errado. Na segunda-feira, o ministro da saúde Nelson Teich foi questionado sobre o tema durante a coletiva de imprensa e ficou claro que ele foi pego de surpresa. Ele não sabia do decreto e não sabia o que responder. Apesar da inclusão pelo governo federal, governadores disseram que não pretendem seguir a orientação. João Dória, governador de São Paulo, disse nesta quarta que o estado ainda não tem condições sanitárias seguras para autorizar a abertura desse tipo de estabelecimento nesse momento.

Ainda assim, a decisão de Bolsonaro atiçou os ânimos daqueles que não aguentam mais o isolamento e desejam a liberação. No meu prédio, por exemplo, houve uma discussão sobre a reabertura da academia do condomínio. A ideia seria limitar a entrada de pessoas na sala de ginástica e aumentar a higienização do local. O argumento era: “quem não se sentir seguro, não precisa ir”. O problema dessa justificativa é que, em saúde pública, o conceito de comunidade acaba prevalecendo em relação ao direito individual.

Uma matéria publicada no Estadão explicou muito bem esse tópico em relação às academias: “os frequentadores tocam o rosto com frequência para remover o excesso de suor, saliva ou secreções oculares e encostam nos equipamentos que serão usados por outras pessoas, causando a disseminação do vírus”. E continua: “as pessoas respiram de uma forma mais intensa durante os exercícios e podem transmitir, pela respiração, gotículas com mais força e de forma mais abundante”.   

Agora, se a academia do prédio vira um foco de transmissão de coronavírus, mesmo aqueles que decidiram ficar em casa acabam correndo mais risco, já que os ambientes de área comum, como elevadores e portaria, permanecem sendo frequentados por todos. Mas então quer dizer que nunca mais vamos poder fazer exercício? Claro que não. O presidente da rede de academias Smart Fit disse também ao Estadão que está criando protocolos de reabertura em locais em que os municípios entendam que não há risco na região. Isso implica, por exemplo, em medir a temperatura na entrada, aumentar higienização de aparelhos, reserva de horários e marcação de distância. Em São Paulo, por exemplo, estamos a caminho do pico do coronavírus, com número de casos crescentes. Ao invés de relaxar as medidas, a tendência é que elas sejam mais duras.

Quando isso vai melhorar? É preciso ter paciência. Em breve, o ministério da Saúde deve detalhar o plano de reabertura dependendo da situação de uma região específica. Vários países afetados antes que o Brasil pela epidemia estão retomando as atividades. Para ajudar, a Organização Mundial da Saúde fez uma lista para nortear uma saída mais segura da quarentena. Não vou citar todas aqui, apenas duas: capacidade de testar, rastrear e isolar suspeitos e contatos; e informação e engajamento da população.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui