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Doenças crônicas têm tecnologia e inovação como aliados na prevenção e tratamento

Estratégias de saúde para conter o avanço de doenças crônicas passarão cada vez mais pela tecnologia e inovação para alcançar a população

               
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Não é à toa que empresas de vários segmentos da área da saúde se debruçam para resolver os diversos desafios gerados pelas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil: um estudo publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical este ano apontou que mais da metade das mortes no Brasil em 2019 foram por DCNT, como diabetes e hipertensão.

Este é apenas um dos vários dados que evidenciam este cenário preocupante. E as soluções passam por várias frentes, como atenção primária, prevenção, adesão ao tratamento, wearables, desenvolvimento de aplicativos e mesmo fusões e aquisições.

Empresas de saúde têm investido cada vez mais na gestão dos pacientes, seja no acompanhamento para prevenção de doenças crônicas ou no monitoramento do paciente com uma doença já diagnosticada para ajudar no controle.

Vale até unir esforços com a concorrência. Em 2020, Fleury e Sabin se uniram e criaram o Kortex, um fundo de R$ 200 milhões para investir nas áreas de medicina diagnóstica, medicina personalizada e saúde digital. A ideia é encontrar e investir em healthtechs, startups que utilizam tecnologias como inteligência artificial e análise de dados para a construção de diagnósticos focados no paciente.

Segundo Edgar Gil Rizzatti, diretor executivo médico, técnico e de negócios B2B do Grupo Fleury, essa é uma estratégia que complementa a experiência adquirida nas áreas de expertise da empresa: “O que nós pretendemos é fazer uma jornada integrada do cuidado. Com todo o aprendizado que a gente acumulou na integração da medicina diagnóstica ao longo dos anos, queremos transferir isso para serviços médicos de um modo geral”.

Causas das doenças crônicas segundo a pesquisa

Embora a pesquisa mencionada tenha um enfoque na dieta, ela também traz dados baseados em pilares em hábitos de vida. De acordo com o estudo, entre 1990 e 2019, o tabagismo, importante fator de risco, caiu pela metade; por outro lado, houve aumento de 41% no uso abusivo de álcool e de 61% no consumo excessivo de carne vermelha. Também pioraram fatores metabólicos relevantes, como Índice de Massa Corpórea (IMC) e hiperglicemia.

“Esses resultados preocupam e reforçam a importância da gestão populacional pelos sistemas de saúde, sejam públicos ou privados, para mitigar os efeitos dos fatores de risco na saúde das pessoas”, avalia Leonardo Vedolin, diretor geral médico e de cuidados integrados da Dasa.

Paola Smanio, cardiologista do Fleury Medicina e Saúde, acompanha pacientes há 30 anos e vê os resultados de quem passa a adotar hábitos saudáveis e mudar a rotina, mas também vê o desfecho dos que possuem mais dificuldades e não conseguem mudar: “É muito importante ter formas de fazer as pessoas se engajarem e informação é essencial. Como relata o artigo, esses resultados têm um impacto maior ainda em países de média e baixa renda, como o Brasil”.

Na análise de Mark Barone, vice-presidente global da Federação Internacional da Diabetes (IDF) e Coordenador Geral do Fórum DCNTs, as ações são urgentes. “Sabendo que diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e cânceres estão entre as DCNTs mais prevalentes e que outros fatores também contribuem de forma importante para seu desenvolvimento e agravamento, como o sedentarismo e a poluição, fica claro que ações e políticas nessas diferentes frentes precisam ser urgentemente implementadas para que, antes mesmo do diagnóstico e tratamento – também fundamentais –, pensemos na prevenção tanto primária quanto secundária e terciária”, afirma.

De acordo com o coordenador geral do Fórum de DCNTs, este estudo ilustra bem o caminho da transição epidemiológica no Brasil, com migração para centros urbanos, aumento do aporte calórico, acesso a alimentos industrializados, sedentarismo, entre outros componentes. “Essa transição se apresenta em estágio mais avançado nos estados mais ricos, especialmente do Sul e Sudeste”, analisa Barone.

Estes são alguns fatores que motivam ações no sentido de controle da publicidade dirigida ao público infantil, de análise da tributação versus incentivo fiscal a determinadas categorias de alimentos, campanhas educativas, medidas de rotulagem de alimentos e o acesso a alimentos saudáveis nas diferentes regiões do país e em escolas e locais de trabalho.

Tecnologia como catalisador de soluções

Para Barone, algumas inovações que surgiram recentemente têm papel importante para a prevenção e controle de doenças crônicas: “Entendo que a tecnologia pode ser uma grande aliada tanto na educação da população, para que faça escolhas saudáveis de alimentos, quanto como referência para auxiliar na escolha de ingredientes e preparo de refeições que auxiliem a reduzir riscos de DCNTs. De forma mais ampla, pode também auxiliar no mapeamento de regiões com escassez ou altos custos de alimentos frescos e maior prevalência de DCNTs, para o planejamento de ações geoespecíficas”.

Vedolin, da Dasa, compartilha desse pensamento de que tecnologia e inovação podem contribuir para o manejo de doenças crônicas de várias formas, com destaque para ferramentas de educação sobre saúde e doenças, iniciativas que aumentem o acesso a profissionais de saúde (como agendamento online de exames e telemedicina) e estratégias de monitoramento da saúde (como apps de engajamento ao tratamento).

Em se tratando de doenças crônicas, a Dasa também aposta nas healthtechs para buscar novas soluções, além de promover iniciativas robustas de transformação digital, com centenas de designers, desenvolvedores e profissionais de experiência do usuário (UX) criando produtos para a plataforma interna Nav e para as operações físicas em hospitais, centros médicos e de diagnóstico, e em um ecossistema phygital de saúde, ou seja, físico e digital integrados.

Pensando na cadeia integrada de cuidados com a saúde, prevenção e diagnóstico precoce, o Fleury está investindo em testes genéticos. Fleury Genômica é a plataforma do Grupo que permite comprar kits de uma série de testes genéticos que, entre outras coisas, é possível analisar o risco genético para doenças hereditárias, cardíacas e câncer. A empresa também criou a Gênesis, uma joint venture com o Hospital Albert Einstein para atuar na área de genômica.

“Temos tido uma boa procura deste tipo de prevenção e mais de 8% dos indivíduos que nos procuram tem uma alteração genética associada a câncer. Temos um programa que faz a orientação a essas pessoas que façam o monitoramento mais precoce do que é recomendado para o diagnóstico precoce, caso a doença venha a se desenvolver”, informa Edgard Gil Rizzatti, do Grupo Fleury.

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