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Digitalização na saúde: a revolução dos bytes

Ao contrário de setores como varejo, financeiro e muitos outros, o de saúde demorou mais para se apoderar dos processos de digitalização. Mas eles estão cada vez mais presentes nessa área, imprimindo saudáveis mudanças agora e no futuro

               
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Para as pessoas de forma geral, a telemedicina, com o grande impulso que ganhou durante a pandemia, talvez seja o aspecto mais visível da digitalização na área de saúde. Mas essa é apenas uma faceta da revolução que vem acontecendo nesse setor, alimentada pelo aumento da capacidade de processamento de dados e por recursos como bigdata, analytics, inteligência artificial e internet das coisas. São trunfos com um potencial poderoso para enfrentarmos os imensos desafios na área da saúde.

O Institute for Healthcare Improvement (IHI) – uma organização independente que atua globalmente no sentido de aprimorar os cuidados de saúde e que tem o Einstein como parceiro estratégico na América Latina – estabeleceu três grandes metas a serem buscadas: ampliar o acesso à saúde, melhorar a qualidade da assistência e a experiência do paciente e reduzir desperdícios. Mais recentemente, com o Quintuple Aim, foram adicionadas duas outras: alegria no trabalho (experiência dos colaboradores) e equidade em saúde. A transformação digital permite evoluir de maneira importante e consistente rumo a esses objetivos.

Teleconsulta, telenutrição, telefisioterapia, telepsicologia e inúmeros outros derrubam barreiras geográficas, ampliam o acesso e promovem a saúde, conectando pacientes com médicos e outros profissionais. Telesserviços também reduzem custos e ajudam a não sobrecarregar o sistema. Um teleatendimento de casos corriqueiros de baixa complexidade, como febre baixa, problemas respiratórios e distúrbios gastrointestinais, evita que o paciente busque o pronto-socorro, uma estrutura mais cara e complexa, que deve ser reservada a situações de urgência/emergência.

Digitalização favorece equidade

Telemedicina promove a equidade ao levar a expertise de especialistas a regiões onde eles são escassos ou inexistem. Um projeto que exemplifica isso é o TeleAMES, que o Einstein desenvolve em parceria com o Ministério da Saúde no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Pelo TeleAMES, especialistas do Einstein em Cardiologia, Neurologia, Neurologia Pediátrica, Pneumologia, Reumatologia, Endocrinologia e Psiquiatria atendem pacientes do SUS de regiões remotas de sete estados do Norte do país – cidadãos que, antes, tinham de buscar atendimento especializado em outras cidades, às vezes tendo de viajar quatro, cinco dias de barco para chegar ao lugar da consulta (e outro tanto para voltar para casa depois).

O projeto inclui, ainda, a chamada teleinterconsulta, em que médicos especialistas do Einstein dão suporte aos colegas da atenção primária nos atendimentos. Presente em cerca de 120 municípios – e aberto a outros que estejam interessados – o TeleAMES realizou no último ano mais de 18 mil atendimentos. Aqui em São Paulo, temos outro exemplo do “tele” que promove a equidade: a UTI do Hospital Municipal M’Boi Mirim – Dr. Moysés Deutsch, que conta com a gestão do Einstein, tem atendimento cardiológico e neurológico sem que os especialistas dessas áreas estejam lá presencialmente. Eles estão na Central de Telemedicina do Einstein.

O prontuário eletrônico é outro aliado digital. Além de seu importante papel como um repositório de informações de todo o histórico do paciente, ele também incorpora algoritmos que ajudam o médico na tomada de decisão. Ou seja, marca pontos positivos no placar da qualidade da assistência.

Soluções que combinam big data e inteligência artificial realizam missões praticamente impossíveis há não muito tempo. A Central de Monitoramento Assistencial do Einstein é um exemplo. Ela monitora em tempo real cerca de 150 indicadores da qualidade da assistência de todos os pacientes internados, emitindo um alerta caso algum parâmetro alterado exija intervenção da equipe. São mais de 600 leitos monitorados. Possivelmente nem um batalhão de profissionais seria capaz de tal feito.

Grandes volumes de dados também são fonte de onde extrair informações preciosas para direcionar políticas públicas. É o caso de um projeto Proadi-SUS baseado em bigdata realizado pelo Einstein que analisou o contexto da saúde em regiões de Minas Gerais e Bahia, gerando subsídios para nortear o planejamento e aplicação dos recursos públicos. 

Os wearables (vestíveis) que permitem monitorar o paciente à distância, como os que aferem a pressão arterial; e os aplicativos de autocuidado – para cuidar do sono, da alimentação, do estresse, da prática de atividades físicas etc. são outros ingredientes digitais pró-saúde.

A medicina personalizada é outro campo que só existe e avança por causa dos recursos digitais que permitem processar um gigantesco volume de dados do sequenciamento genético e correlacionar com doenças específicas, gerando informações para prevenir o desenvolvimento de enfermidades ou para identificar o tratamento que será mais efetivo para aquele indivíduo.

São desafiadores os caminhos que temos de trilhar para perseguir as importantes metas preconizadas pelo Institute for Healthcare Improvement rumo a um mundo da saúde com mais qualidade, mais inclusivo, sustentável e equânime. As tecnologias digitais são motores potentes para acelerar essa jornada e levar cada vez mais seres humanos ao pódio da vida saudável.

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