Diabetes, doenças cardiovasculares e crônicas terão alta nos próximos anos, apontam estudos

Novas pesquisas sugerem ligação entre Covid-19 e o desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares. Sintomas persistentes após a infecção também são um desafio para os médicos

               
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Mesmo após um ano de pandemia, ainda há muito para ser desvendado sobre o novo coronavírus e seus impactos a longo prazo. Além dos efeitos diretos da infecção, alterações nos hábitos físicos e alimentares forçados pela pandemia podem levar outras doenças para o holofote nos próximos anos.

Sabe-se que pacientes com diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares fazem parte do grupo de risco e estão mais sujeitos a um quadro infeccioso pior. Entretanto, estudos em andamento também sugerem que a Covid-19 não só é agravada por essas doenças como ela também pode causar o desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares.

Diabetes

Em abril de 2020, médicos de Wuhan, na China, constataram que a infecção pelo SARS-CoV-2 pode elevar os níveis de açúcar no sangue. Em novembro, a análise de oito estudos indicou que de 3.700 pessoas hospitalizadas, cerca de 14,4% foram diagnosticadas com diabetes.

Uma das hipóteses para a relação entre Covid-19 e os quadros de diabetes seria devido ao vírus atacar e destruir as células beta do pâncreas, onde é produzida a insulina, que tem como função regular os níveis de açúcar no sangue. Mas os estudos ainda estão em andamento e não é possível ter uma resposta determinante sobre o tema.

Os especialistas suspeitam que alguns pacientes sem diabetes acabam desenvolvendo a doença após a infecção. Um dos fatores para isso pode ser o uso de corticoides, uma classe de medicamentos reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o tratamento de quadros graves da doença. Um de seus efeitos, no entanto, seria o aumento dos níveis de açúcar no sangue.

“Como pediatras, temos definitivamente seguido casos de crianças que tiveram Covid-19 ou nem sabiam que tinham a doença, mas apresentavam diabetes tipo 1”, disse o pediatra chinês, Dyan Hes, para a CBS News. Contudo, ainda é preciso analisar antecedentes médicos dos pacientes.

Doenças cardiovasculares

Quanto ao coração, a American Heart Association (AHA), prevê que dentro de um ou dois anos haverá um crescimento nos índices de doenças cardiovasculares, além do aumento no número de mortos por essa complicação.

A pandemia levou as pessoas a mudarem consideravelmente seus costumes e a rotina também foi afetada. O aumento no consumo de álcool, alimentação inadequada e sedentarismo foram atividades que passaram a fazer parte do cotidiano de muitas pessoas que anteriormente possuíam hábitos mais saudáveis.

Segundo análises da JAMA Cardiology, de um grupo de 1.540 adultos, houve um aumento de 14% no consumo de álcool. Além disso, outra investigação com 3.052 pessoas mostrou que 32,3% dos adultos fisicamente ativos pararam de praticar exercícios. Quanto aos hábitos alimentares, a Covid Symptom Study aponta que 31% dos adultos passaram a comer mais durante a quarentena.

Além disso, o estudo ainda aponta que o SARS-CoV-2 poderia infectar e danificar diretamente o tecido cardíaco de alguns pacientes. Na investigação realizada, 78 de 100 pacientes recuperados, apresentavam alguma inflamação ou cicatrizes no tecido do coração. Apesar da suspeita, nenhuma conclusão foi alcançada ainda, visto que seria necessário analisar um grupo maior para isso.

Sintomas persistentes e doenças crônicas

Atualmente outro desafio urgente é a chamada “covid prolongada”. Ou seja, pessoas que tiveram Covid-19 e apresentam sintomas persistentes mesmo após a infecção. Alguns reclamam de ter sintomas após um mês, três ou até seis meses.

Estudos publicados e pesquisas realizadas por grupos de pacientes indicam que 50% a 80% dos pacientes continuam a ter sintomas incômodos três meses após o início da doença – mesmo depois que os testes não detectam mais o vírus no corpo.

Segundo Tim Spector, professor de epidemiologia genética da King’s College de Londres, há sinais que podem indicar se você terá ou não que lidar com um quadro prolongado da doença:

 “Se você tem tosse persistente, rouquidão, dor de cabeça, diarreia, perda de apetite e falta de ar na primeira semana, você tem duas a três vezes mais chances de desenvolver sintomas por um longo tempo. ”

Além disso, o especialista também explica que mulheres, principalmente na faixa dos 40 anos, podem ser duas vezes mais atingidas por esse agravante do que os homens.

Por outro lado, um indicador de que não sofrerá com um quadro persistente é a intensidade da febre na primeira semana. Quando a febre é alta, geralmente significa que o sistema imunológico está reagindo contra o vírus.

Os afetados pelos sinais persistentes sofrem para realizar atividades cotidianas, se exercitarem e até mesmo ao se alimentarem. Entre os sintomas, podem ser citados alguns, como:

  • Fadiga crônica
  • Dores de cabeça
  • Dores nas articulações
  • Tosse
  • Falta de ar
  • Perda do olfato
  • Erupções na pele
  • Trombose
  • Problemas cardiovasculares
  • Problemas gastrointestinais (diarreia)
  • Problemas de saúde mental (depressão, ansiedade, cognição afetada)

Com tudo isso, os médicos reforçam que o cuidado com o coronavírus não é apenas sobre não contaminar outras pessoas, mas também proteger a vida de todos e as atividades que gostamos de fazer. O novo coronavírus pode ser mortal para uma parte das pessoas. Em outros casos, pode deixar sequelas para a vida toda.

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