Dasa cria solução digital para desospitalização domiciliar da Covid-19

Com o avanço da compreensão do que é a síndrome pós-Covid, a Dasa surge com uma estratégia para atender seus pacientes de forma segura e que preserve a sustentabilidade de seu ecossistema.

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O desenrolar da pandemia exigiu criatividade e proatividade dos serviços de saúde para lidar com a alta demanda de casos, a longa permanência dos pacientes na UTI e a síndrome pós-Covid, fenômeno que já vem acontecendo e que deve continuar ganhando força enquanto o coronavírus estiver circulando. Nesse contexto, a rede integrada de saúde Dasa desenvolveu o Leito Virtual, um serviço capaz de monitorar a saúde dos pacientes em fase de desospitalização após infecção e internação por Covid-19.

Renato Bastos, diretor de Coordenação de Cuidados na Dasa, explicou ao Futuro da Saúde que a solução foi pensada devido às grandes taxas de ocupação nos hospitais. A estratégia do novo programa tem como objetivo permitir que os pacientes passem pelo período de pós-internação em suas respectivas casas, o que pode reduzir o tempo de estadia no hospital em cerca de 4 dias. Para isso, é oferecido ao paciente o mesmo suporte que ele receberia dentro do hospital: equipe multidisciplinar, monitoramento, central de saúde para orientações e oxigênio.

Para criar uma solução digital para esse problema, a Dasa acompanhou cerca de 320 pacientes infectados pelo novo coronavírus e que foram internados nos Hospitais 9 de Julho e Santa Paula, ambos na capital de São Paulo. Após receber alta, 98.5% receberam atenção domiciliar e não houve necessidade de reinternação. Segundo a companhia, o Leito Virtual melhorou em 50% o desfecho clínico dos pacientes, por reduzir a taxa da readmissão na internação. Consequentemente, 224 diárias foram liberadas nos hospitais da rede, o que permite atender a mais pacientes com necessidade de internação.

Ao receber alta, na maioria dos casos, o paciente já não transmite mais a Covid-19. Assim, tem sido possível oferecer uma equipe com enfermeiro, fisioterapeutas, médicos e outros, para atender os pacientes à domicílio. Essa forma de atendimento, combinado ao monitoramento e acesso diário a uma central de saúde faz do programa uma forma de evitar a re-hospitalização. E mesmo se retornar ao hospital for necessário “o médico já estaria ciente do motivo e conhecendo bem o caso do paciente”, afirma Bastos. O diretor reforça ainda que “tendo esse acompanhamento em domicílio, reduzimos a exposição ao risco de qualquer infecção e evitamos que os pacientes ficassem de 3 a 4 dias a mais no hospital, garantindo que ele estivesse recebendo todo o acompanhamento em casa, com a segurança de uma transição adequada”.

Síndrome pós-covid

A síndrome pós-Covid é uma condição complexa. É caracterizada por uma série de sequelas que ocorrem após a batalha para combater o vírus. Nessa questão, um estudo publicado na Nature, indica que os pacientes atingidos por esse quadro são divididos em dois grupos, o subagudo ou em andamento, e o pós-agudo ou crônico.

No subagudo, trata-se do período entre a quarta e a décima segunda semana, após uma grave infecção, onde o quadro pulmonar classificado como agudo e a respiração se torna instável. Nesse caso, é necessário realizar o monitoramento da ventilação e isso deve ser feito logo após o paciente receber alta da internação, para garantir que o paciente conseguirá a estabilidade respiratória de volta. Por isso, é feita uma terapia com oxigênio.

Já no caso crônico, tem sido cada vez mais relatado uma combinação de consequências neurológicas, cardiovasculares e respiratórias após as primeiras dozes semanas desde o início da infecção aguda pelo novo coronavírus. Os atingidos por essa condição tendem a relatar casos de dispneia, hipóxia, dificuldade para realizar exercícios físicos, palpitações, dor torácica, mialgia, dores de cabeça, demais problemas cognitivos e outros. Tudo isso implica principalmente na necessidade de realizar fisioterapia, ter o acompanhamento de outros profissionais, além de estar mais atento às orientações médicas e à vigilância na saúde.

Segundo um estudo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), cerca de 60% dos pacientes infectados pela Covid-19 ainda apresentam alguma sequela da doença após um ano da alta hospitalar. No estudo, cerca de 58,7% das pessoas ainda apresentava algum sintoma após seis meses. Entre eles, foram citados a perda de memória, que atingiu 42%; a insônia, relatada por 33%; concentração prejudicada em 31% dos casos e outros. Após um ano, ainda pode ser visto fadiga, fraqueza, falta de ar, dificuldade para se concentrar e problemas de memória.

Diminuindo o efeito dominó da Covid-19

A pandemia sobrecarregou o sistema público e privado de saúde. Além do número crescente de casos de Covid-19, os serviços continuaram a atender pacientes com outras enfermidades. A solução digital foi uma forma de diminuir o efeito dominó do coronavírus no sistema. “O restante das doenças não pararam. Como gestor de um hospital, também precisamos pensar nisso. Ao mesmo tempo que a pandemia tem os casos de Covid-19, ainda vimos nos nossos hospitais uma demanda de AVCs, infartos, infecção urinária, traumas e outros casos mais complexos, então precisávamos ter leitos disponíveis para demais patologias”, explica a diretora de Gestão de Rede na Dasa, Erika Fuga.

Segundo a diretora de gestão, o objetivo dos programas digitais era de “fazer uma gestão para que nesses momentos de pico a internação dos pacientes fosse feita de forma adequada, ao mesmo tempo que as desospitalizações fossem feitas de maneira correta, além de garantir a execução de outros tratamentos também não relacionados à Covid-19”, afirmou.

Ao longo deste ano, a Dasa também apresentou outras medidas voltadas para a inovação, que podem ser vistas nas iniciativas do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) e no Genov.

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