Dasa anuncia integração de empresas e investimento em produção científica no Brasil

A empresa anunciou seu reposicionamento no setor da saúde, unindo todos os atores sob a mesma marca, além do lançamento do Instituto de Ensino e Pesquisa, uma organização sem fins lucrativos que deve gerar conhecimento e tecnologia para todo o setor da saúde.

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A Dasa anunciou na terça-feira (27) uma série de mudanças que representam o novo momento da companhia para se fortalecer como um ecossistema de saúde. A partir de hoje, tanto a rede de laboratórios como a rede de hospitais Ímpar e GSC passam a fazer parte da mesma estrutura vertical — em um movimento de reestruturação também de marca, em que todos os laboratórios, hospitais e iniciativas da rede responderão pelo mesmo nome. Sob a liderança do presidente Pedro Bueno, o objetivo do novo modelo é garantir a jornada integral de cuidado, com um ambiente de saúde mais integrado, buscando sustentabilidade, predição e prevenção.

Na esteira das tendências do mercado de saúde que busca a integração dos atores, a empresa apresentou ainda a tecnologia NAV Dasa, uma plataforma de gestão de saúde que permite ao paciente agendar exames, realizar consultas a distância, ter acesso ao próprio histórico médico, discutir o resultado de exames e outros. Atualmente, o aplicativo conta com 100 mil usuários únicos por mês e quase 7 mil médicos cadastrados.

A nova identidade visual apresentada pela Dasa

Entre as novidades, a empresa anunciou com exclusividade ao Futuro da Saúde que lançará também um Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) para fomentar a ciência brasileira. De acordo com Gustavo Campana, diretor médico da Dasa e líder do IEP, o novo instituto é direcionado para contribuir com o mercado e comunidade científica — e não para a criação de produtos para a empresa.

“O IEP tem como objetivo gerar e desenvolver conhecimento, tecnologias e inovações assistenciais, fortalecendo a produção científica brasileira”, afirma Campana. 

As iniciativas dentro do instituto buscam utilizar dados para direcionar o cuidado personalizado, enquanto aumentam a qualidade e eficiência do ecossistema de saúde. São várias frentes de estudo, que envolvem genética, oncologia e até a produção de órgãos 3D. 

Uma das iniciativas do IEP envolve a análise dos dados produzidos a partir do Projeto DNA do Brasil, estudo conduzido em parceria com a USP que investiga o sequenciamento genômico dos brasileiros, e pelo Centro de Diagnóstico em Genômica. As informações servirão para desenvolver formas de avaliar o risco dos pacientes de ter determinadas doenças, direcionando assim para o diagnóstico e para a intervenção precoce. O instituto investirá também em pesquisas voltadas para oncologia, que buscam encontrar marcadores genéticos para indicar tratamentos personalizados para os pacientes.

Parceria ‘privada-acadêmica’ e os ganhos para a ciência brasileira

Segundo Campana, o IEP já possui diversas parcerias com universidades, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC), e a tendência é que essa troca de conhecimento seja crescente. “A união do “privado-acadêmico” une um maior acesso a recursos tecnológicos e financeiros, com o vasto conhecimento gerado nas universidades”, explicou.

Com isso, a expectativa é que estudos progridam com mais agilidade. “A partir do momento que você tem a instituição privada suportando essas pesquisas, ganhamos muito em velocidade e infraestrutura. Ela traz muito dessa capacidade operacional, o que acelera o processo de pesquisa, garantindo acesso e capilaridade às inovações”,explica o médico. 

O corpo clínico da Dasa está presente, mas o IEP não se restringe a ele. Segundo Campana, o instituto visa ser acessível para qualquer pesquisador. Caso tenha os recursos necessários para a pesquisa proposta, o centro de pesquisa estará disposto a contribuir.

Uma tentativa de evitar a ‘fuga de cérebros’

Esse tipo de iniciativa também contribui para a redução da “fuga de cérebros”, uma situação que tem sido cada vez mais comum entre os cientistas que decidem sair do país para trabalhar e pesquisar devido à falta de oportunidades e assistência no Brasil.

Segundo o relatório Research in Brazil: Funding Excellence, as universidades públicas são as principais responsáveis pela produção científica no Brasil. Os dados indicam que entre 2013 e 2018, a produção científica no país obteve um crescimento de 30%, o dobro dos 15% da média mundial, mesmo com diversos cortes em bolsas e outros recursos. Entretanto, continuando a redução nos investimentos, a tendência é que essa produção sofra um grande decréscimo; seja pela falta de equipamentos, seja pela fuga dos cientistas brasileiros em busca de oportunidades no exterior. 

Ainda não existem números oficiais para quantificar como está sendo a diáspora científica. Os números da Receita Federal, que apesar de não distinguir entre as profissões, apontam que o total de emigrantes aumentou em 184% entre 2011 e 2018.

“Existe sim um desafio em fazer pesquisa no país como um todo. Nós temos massa crítica, o Brasil sabe formar pesquisadores e isso não é um problema. Nós conversamos com várias universidades fora do país e sabemos que temos pesquisadores brasileiros em posição de liderança em instituições acadêmicas de peso no exterior”, diz. Ele explica, no entanto, que o gargalo, além da pesquisa e da falta de financiamento, está em introduzir essas novas tecnologias na realidade brasileira devido à dinâmica do setor.

“A Dasa tem esse foco em inovação, e pelo tamanho e relevância da companhia no setor nós entendemos isso como uma responsabilidade. O IEP tem como objetivo fazer a ciência acontecer aqui no Brasil para garantir que a inovação traga melhores resultados para o setor e para os pacientes”, finaliza Campana.

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