Curativo inteligente alerta quando ferida está cicatrizando incorretamente

Cientistas australianos desenvolveram tecnologia de curativos a base de hidróxido de magnésio, produto que pode ser uma alternativa eficaz e barata aos curativos atuais

               
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Um novo curativo inteligente, que é multifuncional e antimicrobiano, foi desenvolvido por cientistas da Royal Melbourne Institute of Technology University (RMTI), na Austrália. O estudo publicado na  ACS Applied Materials and Interfaces indica que a tecnologia alerta aos pacientes quando uma ferida não está cicatrizando de forma adequada. Essa tarefa é realizada através de nanosensores embutidos no curativo que possuem luz ultravioleta fluorescente que indica quando uma infecção começa a se instalar.

As propriedades antifúngicas e antibacterianas atuam graças ao hidróxido de magnésio. Segundo os cientistas, a tecnologia desenvolvida por eles é mais barata de ser produzida do que os curativos feitos de prata — devido a facilidade de aquisição do magnésio, o que pode reduzir em 20 vezes o preço do produto —, mas igualmente eficaz no combate a uma possível infecção. O curativo tem duração de uma semana.

Curativo Inteligente com nanossensores fluorescentes. |
Crédito: Universidade RMIT

As nanofolhas de hidróxido de magnésio atuam por meio das mudanças do pH, o que permite o rastrear e monitorar o processo de cura. Isso porque, quando a pele é saudável, ela apresenta um aspecto levemente ácido, mas quando ocorrem feridas pode acabar passando para moderamente alcalina. Nas situações onde essa transformação ocorre, as luzes do sensores brilham e identificam também os diferentes níveis de pH, que por sua vez indica qual o estágio de cicatrização naquele momento.

Além disso, os curativos inteligentes podem ser facilmente integrados a nanofibras compatívels, como bandagens comuns de algodão. Em testes feitos no laboratório, mostrou-se que o produto não é tóxico para as células humanas, mesmo ao destruir patógenos em ascendência, como a Candida auris.

“Atualmente, a única maneira de verificar o progresso das feridas é removendo curativos, que são dolorosos e arriscados, dando aos patógenos a chance de atacar”, defendeu Truong, um vice-chanceler de pós-doutorado da RMIT. “Ser capaz de ver facilmente se algo está errado reduziria a necessidade de trocas frequentes de curativos e ajudaria a manter as feridas mais protegidas” completa. Os cientistas acreditam que o novo recurso tenha potencial para ser produzido em massa, no entanto, testes pré-clínicos e clínicos ainda devem ocorrer no futuro.

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