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Cuidados Paliativos: manual orienta oncologistas como minimizar a dor dos pacientes

Estima-se que anualmente cerca de 57 milhões de pessoas necessitem de cuidados paliativos. Entretanto, apenas 12% o recebem.

               
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A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica lançou recentemente um novo manual de cuidados paliativos direcionado aos oncologistas para ajudar na compreensão e gestão de sintomas dos pacientes com câncer. “A formação do médico oncologista naturalmente foca em farmacologia, prescrição de quimioterapia, indicação de remédios e incorporação de novas tecnologias. No entanto, a atenção ao manejo dos sintomas é fundamental para a qualidade de vida, especialmente de pacientes com doença metastática”, afirma Natalia Nunes, médica e uma das autoras do manual. O Manual de Tratamento Sintomático em Cuidados Paliativos está disponível aqui.

Os cuidados paliativos tratam e controlam sintomas que costumam afetar a qualidade de vida e bem-estar dos pacientes. Com a prevenção e o alívio do sofrimento, é possível minimizar e evitar sintomas físicos e psicológicos.

Além disso, a identificação precoce de sintomas e seu manejo adequado contribuem para aumento da adesão ao tratamento. Estima-se que anualmente cerca de 57 milhões de pessoas necessitem de cuidados paliativos. Entretanto, apenas 12% o recebem.

No manual, os autores reforçam ainda a importância do olhar multidisciplinar. Como fornecer auxílio psicológico, para ajudar o paciente a lidar com questões de autoimagem e medo. Destaca-se também a importância de estabelecer uma boa comunicação com o paciente e sua família para abordar temas como o luto.

Além disso, conforme o quadro da doença se agrava, os sintomas também se intensificam. Nestes casos, o cuidado paliativo pode aliviar a dor em 80% a 90% dos casos. Por isso, os autores do manual reforçam os sintomas sejam controlados desde o início do tratamento.

Destaques do manual

Para realizar essa tarefa, deve-se partir do princípio da “pain rules” — em português, regras da dor. Conceito que engloba a avaliação da dor, anorexia, incontinência, náusea, sintomas respiratórios, ulcerações, nível de funcionalidade, energia e sedação. Abaixo, alguns trechos de destaques do manual:

Tratamento da dor oncológica

“A dor no câncer é um sintoma complexo que afeta a maioria dos aspectos da vida do paciente oncológico. A prevalência geral dessa queixa em pacientes oncológicos é de 33 a 59%, e em pacientes com doença avançada é de 64 a 74%. A avaliação da dor é o primeiro passo para um tratamento adequado”.

Anorexia, caquexia e sarcopenia

“Em 77% dos casos, esses sintomas são subestimados pela equipe oncológica, ocasionando maior perda funcional e comprometendo a qualidade de vida dos pacientes. Ademais, há uma associação desses sintomas com mais complicações durante o tratamento e maior mortalidade, principalmente no câncer de pâncreas, esôfago, gástrico, pulmonar, hepático e colorretal”.

Fadiga relacionada ao câncer

“Recomenda-se, baseado no melhor nível de evidência disponível, a realização de atividade física regular 5x/semana, durante períodos mais energéticos, para todos os pacientes com fadiga. Deve-se também eliminar atividades desnecessárias, estimular momentos de lazer e suporte nutricional. Tais recomendações são baseadas na experiência clínica de melhora da fadiga em alguns pacientes. Além disso, sugerem-se técnicas de psicoterapia, acupuntura, ioga e meditação tipo mindfulness”.

Transtornos psiquiátricos e psicológicos

“Os principais transtornos psiquiátricos que afetam os pacientes em cuidados paliativos são: depressão, ansiedade, insônia e delírio. […] O tratamento farmacológico é preconizado para pacientes com ansiedade severa e debilitante que não responderam às terapias não farmacológicas. Os benzodiazepínicos são os mais utilizados, podendo estar associados aos antidepressivos”.

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