Cuidado híbrido: novo formato deve ser tendência no tratamento da saúde mental

Psiquiatra e professor da Universidade da Califórnia, Peter Yellowles, explica quais os rumos dos cuidados com a saúde mental após a ampliação da telemedicina durante sua participação no Global Summit Telemedicine & Digital Health

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Após a ampliação da telemedicina, os cuidados com a saúde mental devem ganhar um novo formato, explica Peter Yellowles no Global Summit Telemedicine & Digital Health

Desde o isolamento social em 2020, a ampliação da telemedicina no mundo tem levantado o debate de como será a saúde do futuro. Pacientes e profissionais começaram a pensar na possibilidade do atendimento online se tornar predominante, tirando o espaço das visitas presenciais ao médico. Entretanto, os cuidados com a saúde mental devem se tornar a combinação do presencial com o virtual.

Essa foi a análise feita por Peter Yellowlees, médico psiquiatra e professor na Universidade da Califórnia (EUA), em apresentação para segundo dia do Global Summit Telemedicine & Digital Health de 2021. “No passado, muitas vezes as pessoas pensavam na telessaúde como alternativa ao atendimento presencial. Agora estamos pensando nisso como algo integrado ao nosso sistema de atendimento normal para que se torne parte das escolhas que os pacientes e provedores de saúde têm”, afirmou.

Os pilares do atendimento híbrido

Seguindo este raciocínio, Yellowlees explica a tendência dos pacientes de buscar pelos cuidados com a saúde como uma jornada e não mais como algo pontual. “Os pacientes querem vivenciar o cuidado. Não se trata de uma única consulta, mas de um cuidado contínuo. Eles querem decidir como e quando veem seu provedor de saúde. Então isso nos leva ao atendimento híbrido, uma abordagem de relacionamento com seus médicos ou enfermeiros que consiste em atendimento presencial e online”, afirmou o especialista.

Nessa questão, o cuidado híbrido é uma escolha baseada em uma série de fatores, como: a situação da clínica, as preferências individuais, a capacidade das pessoas de se conectarem online e da conveniência. Entre outras observações, há ainda o fato de que na abordagem híbrida os pacientes preferem ver o médico pessoalmente nas primeiras consultas, para então optar por atendimentos online.

Vantagens para pacientes e profissionais

No que se refere às vantagens de cada atendimento, o modo presencial é visto pelo especialista como o “padrão ouro”. Isso porque trata-se de um atendimento tradicional, imediato e que permite mais confiança nas interações entre médicos e pacientes. Por outro lado, o espaço virtual pode ser benéfico para pacientes com transtornos psiquiátricos, como ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático ou que são apenas tímidos.

Yellowlees cita ainda a oportunidade do provedor de saúde poder observar o paciente em seu próprio ambiente e, consequentemente, conhecer mais sobre ele. Isso pode ser feito através de visitas domiciliares, o que permite compreender sobre sua casa, os outros moradores e conhecer os animais de estimação. “É quase uma extensão do estado mental do paciente”, pontua Peter.

Por fim, há ainda a possibilidade do espaço virtual permitir que o atendimento seja off-line, o que permite que o médico não esteja necessariamente na clínica médica.

Riscos e cuidados no atendimento online

Apesar dos benefícios, há preocupação com o excesso de tempo frente às telas, que tem sido um fator de estresse durante a pandemia — gerando até mesmo a “fadiga do zoom”. Porém, com a chegada da geração Y e Z no mercado de trabalho, um estudo mencionado por Yellowlees estima que o uso da tecnologia seja mais fácil para esses novos profissionais. 

“Os médicos mais jovens, entre 20 e 30 anos, podem ter menos risco de burnout do que os baby boomers porque são melhores no uso da tecnologia e no uso da mesma em sua vida social normal”, explica Yellowlees.

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