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Covid Longa: o que a ciência sabe até agora?

Os sintomas persistentes da "Covid Longa" seguem sendo estudados pela ciência. Veja o que se sabe sobre o efeito das vacinas, os futuros medicamentos e o impacto das diferentes variantes

               
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“Covid Longa” é o conjunto de sintomas que permanecem após semanas, meses ou anos da infecção pelo SARS-CoV-2. O quadro atinge tanto pessoas que passaram pela infecção com sintomas fortes quanto aquelas que tiveram sintomas leves. Em geral, estima-se que até 30% dos infectados apresentam sintomas persistentes, como fadiga, falta de ar, dificuldade de concentração, confusão mental, olfato e/ou paladar alterado e insônia.

Apesar da incidência desse fenômeno, até o momento pouco se sabe sobre suas causas, como tratar ou minimizar os sintomas persistentes. Há diversos estudos em andamento e alguns já indicam respostas e caminhos, mas ainda não há conclusões definitivas. O consenso dos especialistas é que deve levar algum tempo para um melhor entendimento desse quadro clínico. Futuro da Saúde fez um levantamento para apontar o que se sabe até agora e o que está por vir neste cenário. 

A ação das vacinas na Covid Longa

A revista científica Nature reuniu uma série de estudos sobre a ação das vacinas na minimização da Covid Longa. Mesmo com resultados divergentes, em linhas gerais indicam que pessoas vacinadas estão menos propensas a serem infectadas pelo SARS-CoV-2 e caso o vírus se instale mesmo assim, os riscos de uma Covid Longa são menores.

A publicação destaca ainda um estudo, que ainda deve ser revisado por pares, onde foi observado que a vacinação reduziu as chances de desenvolver sintomas longos de Covid-19 em cerca de 41% de um grupo de mais de 3 mil participantes, que foram vacinados com duas doses e posteriormente infectados pelo SARS-CoV-2.

Variantes geram sintomas diferentes

Um novo estudo sugere que as variantes da Covid-19 possam acarretar em diferentes sintomas de Covid Longa – segundo o portal Medscape, o levantamento completo será apresentado no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (ECCMID) 2022, em Lisboa, Portugal.

As informações preliminares indicam que durante o período no qual a cepa original, descoberta inicialmente em Wuhan, era a dominante, os principais sintomas persistentes foram: fadiga (37%), insônia (16%), disgeusia (11%) e deficiência auditiva (5%). Por outro lado, na linhagem de Wuhan, sintomas como dispneia (33%), névoa cerebral (10%), mialgia (4%) e ansiedade/depressão (6%) foram menos comuns.

Já no período da variante Alfa, os resultados mostraram a prevalência de: dispnéia (42%), névoa cerebral (17%), ansiedade/depressão (13%) e mialgia (10%). Enquanto isso, sintomas de anosmia (2%), disgeusia (4%) e deficiência auditiva (1%) foram menos comuns.

Causas e medicamentos

Atualmente, o mundo e a ciência aguardam pelos medicamentos contra Covid-19. Diversas farmacêuticas estão tentando entender as causas da Covid Longa, para assim poder estabelecer o mecanismo ideal dos antivirais. Entretanto, tratando-se de um quadro clínico cujo tempo de duração pode variar entre semanas, meses ou anos, é necessário esperar até que mais evidências sejam coletadas.

Logo, a principal pergunta a ser respondida agora é: “como tratamentos administrados durante a fase aguda da Covid-19 podem reduzir o risco de apresentar sintomas meses depois?”. Segundo o artigo da Nature, pesquisadores propõem que diversas causas acarretem na persistência de sintomas, como a união da autoimunidade, pequenos coágulos sanguíneos e reservatórios virais persistentes.

Estima-se que quase um terço das pessoas que recebem alta após o tratamento contra Covid-19 voltam a ser hospitalizadas dentro de seis meses, e 12% acabam por vir a óbito dentro de seis meses após a alta inicial.

Pensando nisso, no Reino Unido, um estudo de grande porte chamado “Heal-Covid” (em português, Cura-Covid), está testando dois medicamentos para investigar a possibilidade desses tratamentos reduzirem hospitalizações e mortes no ano após as pessoas receberem alta hospitalar.

Ambos os medicamentos tem como objetivo melhorar o sistema cardiovascular de pessoas hospitalizadas com Covid-19. O primeiro é o apixabano, um anticoagulante. Já o outro, é a atorvastatina, um medicamento utilizado para baixar o colesterol – elemento que os médicos acreditam reduzir a inflamação nos vasos sanguíneos.

Possibilidade de tratamento precoce

Segundo o imunologista Danny Altmann, do Imperial College London, “em teoria, um medicamento que reduz a gravidade da doença pode reduzir a gravidade dos sintomas a longo prazo, mas a Covid Longa nem sempre está associada a doenças agudas graves”. Dessa forma, dois ensaios clínicos estão testando os efeitos de alguns antivirais como tratamento precoce contra Covid Longa.

Panoramic – Nesse ensaio clínico, os pesquisadores estão investigando os efeitos do antiviral molnupiravir, desenvolvido pela Merck. Serão coletados dados dos participantes três e seis meses após o tratamento, o que pode indicar se o medicamento afeta ou não o risco de desenvolver um quadro de Covid persistente.

O medicamento paxlovid, desenvolvido pela Pfizer, também será avaliado em dois testes, que devem acompanhar os participantes pelos seis meses seguintes.

Solidarity – O Solidarity é um ensaio clínico integrante de um estudo internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nessa análise, o objetivo é entender o impacto a longo prazo dos tratamentos recebidos por aqueles que foram hospitalizados com Covid-19. 

Em algumas semanas, os pesquisadores da Universidade de Helsinque, na Finlândia, terão os resultados de um ano de acompanhamento de participantes que foram hospitalizados com Covid-19 e tratados com o medicamento remdesivir.

Em paralelo, dois braços do estudo Solidarity testaram outros medicamentos. Um deles foi o medicamento imunossupressor, infliximabe. Já o outro foi o imatinibe, um medicamento que pode ajudar a reduzir a inflamação nos vasos sanguíneos.

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