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Covid Longa: como o quadro afeta crianças, adolescentes e atletas

Novos estudos analisaram como os sintomas persistentes de Covid-19 afetam crianças, adolescentes e atletas. Junto a isso, as reinfecções acrescentam novos riscos à saúde.

               
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Alguns sintomas do quadro clínico chamado “Covid Longa” como fadiga, tosse persistente, perda de olfato e paladar ou dores de cabeça frequentes já são conhecidos. No entanto, as pessoas não sentem esses sintomas da mesma forma. As manifestações físicas e psicológicas podem variar de acordo com a faixa etária e até pelo tipo de ocupação. Novos estudos têm analisado como os sintomas persistentes de Covid afetam crianças, adolescentes e atletas.

Sintomas persistentes em crianças e Adolescentes

No que se refere ao público menor de 18 anos, uma revisão sistemática e meta-análise estudou o quadro de Covid Longa através de 21 estudos, totalizando 80.071 participantes. Publicada na Scientific Reports, a investigação indica que em 16,50% dos de Covid Longa, os sintomas mais comuns em crianças e adolescentes foram tristeza, tensão, raiva, depressão e ansiedade. Para 9,66% dos jovens, houve ainda a sensação de fadiga; os distúrbios do sono aparecem logo em seguida, atingindo 8,42% dos participantes.

Na definição de Covid Longa como “presença de um ou mais sintomas por mais de 4 semanas após a infecção por SARS-CoV-2”,  a meta-análise aponta que o quadro persistiu em 25,24% das crianças e adolescentes, independente da infecção ter sido assintomática, leve, moderada ou grave. Junto a isso, a Covid Longa também mostrou prevalência para 29,19% dos pacientes internados.

Em complemento, há ainda as conclusões do estudo dinarmaquês LongCOVIDKidsDK, publicado no The Lancet Child and Adolescent Health. Nesta análise, os pesquisadores compararam 11 mil crianças menores de 14 anos e que testaram positivo para Covid-19, com outras 33 mil crianças que sem histórico de infecção pelo novo coronavírus. Os cientistas observaram que as crianças de até 14 anos que tiveram infecção pelo SARS-CoV-2 apresentaram sintomas de longa duração.

O impacto para os atletas

Para os atletas amadores e profissionais de alto rendimento, os achados da ciência também não parecem muito otimistas no que se refere aos sintomas persistentes de Covid. 

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), publicado no British Journal of Sports Medicine, analisou dados de 43 artigos sobre Covid-19 em atletas. Em geral, os casos foram assintomáticos ou leves (94%) e somente 1,3% evoluiu para quadros graves.

No entanto, após a fase aguda da infecção, de 3,8% a 17% dos atletas apresentaram sintomas persistentes, como: perda de paladar e/ou olfato (30%), tosse (16%), fadiga (9%) e dor no peito (8%). Como consequência, 3% dos atletas desenvolveram intolerância ao exercícios.

“Este não é um distúrbio grave ou com risco de vida, mas no mundo do esporte pode ser um problema. Para atletas de elite, qualquer diferença na preparação pode determinar quem ganha medalhas porque a competição é acirrada”, explicou Bruno Gualano, principal pesquisador do estudo e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP).

Logo, apesar das confederações esportivas autorizarem o retorno à atividade em cerca de cinco ou seis dias após o desaparecimento dos sintomas, nem todos os atletas estão prontos para a voltar a treinar após um período tão curto.

“Os atletas devem ser avaliados cuidadosamente e, se houver sintomas persistentes, pode ser necessário garantir que o treinamento seja leve por um tempo, ou até mesmo atrasar a retomada até que todos os sintomas sejam resolvidos”, afirmou o pesquisador.

Outro ponto relevante é quanto ao risco de miocardite, que apesar de ser uma consequência apontada em estudos anteriores, não foi confirmado na revisão. Para futuras pesquisas, os pesquisadores devem considerar quais os impactos da omicron e suas sublinhagens, além da vacinação e a imunidade prévia.

A ligação entre reinfecção e Covid Longa

Nesse sentido, a variante omicron e suas sucessoras têm sido mais ágeis em infectar e reinfectar pessoas. Para se ter uma ideia, o Instituto Butantan afirma que o risco de infectar-se pela variante ômicron é 6 vezes maior – isto é, entre pessoas não vacinadas ou que não completaram o esquema vacinal. Junto a isso, segundo um outro estudo (que aguarda pela revisão por pares na Nature Portfolio) os riscos de saúde aumentam a cada reinfecção.

Com base na análise de banco de dados dos Estados Unidos, os pesquisadores sugerem que as reinfecções possuem ligação direta com a Covid Longa. Isso porque, foi observado que além dos sintomas durarem até 6 meses, os efeitos à saúde foram piores durante a infecção ativa.

Durante a fase aguda, houve maior risco de sequelas nos órgãos e aumento da sobrecarga nos sistemas do organismo. Os danos dessa etapa persistiram, da fase pós-aguda até seis meses depois. Por esses motivos, os pacientes reinfectados são mais suscetíveis à hospitalização e mortalidade por todas as causas.

“É possível que a primeira infecção tenha enfraquecido alguns sistemas e tornado as pessoas mais vulneráveis ​​a riscos à saúde quando contraem uma segunda ou terceira infecção”, disse Al-Aly, epidemiologista clínico da Universidade de Washington, ao MedScape. “Há muitas variáveis ​​em jogo, mas é claro que as reinfecções contribuem com riscos adicionais e devem ser evitadas”, completou. 

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