Covid-19: receber segunda dose com certo atraso pode ser benéfico, aponta estudo

Covid-19: receber segunda dose com certo atraso pode ser benéfico, aponta estudo

As vacinas contra Covid-19, em geral, são aplicadas em 2 […]

By Published On: 05/05/2021

As vacinas contra Covid-19, em geral, são aplicadas em 2 doses, o que exige um período de hiato entre as duas. Agora, um novo estudo da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, foi publicado na PLOS Biology, e sugere que ao invés de aplicar o imunizante entre 3 a 4 semanas, pode ser mais benéfico adiar a segunda dose para 9 a 15 semanas. É importante ressaltar que a pesquisa foi conduzida com as duas vacinas disponíveis nos Estados Unidos: Pfizer-BioNTech e Moderna.

De acordo com os achados, a primeira dose sozinha não é capaz de garantir imunidade, mas a aplicação um pouco mais tardia da segunda pode reduzir ainda mais os casos de infecções, hospitalizações e mortes por Covid-19. Com isso, lugares onde a distribuição das vacinas ainda é limitada poderiam recorrer a esse método para potencializar a imunidade gerada pela substância, segundo os cientistas.

Estudo

Para chegar nessa conclusão, um modelo matemático foi desenvolvido com o objetivo de comparar o impacto de diferentes estratégias de vacinação em epidemias. No modelo, foi simulada a transmissão do novo coronavírus e diversos esquemas de vacinação para segunda dose, além de levar em consideração os níveis de imunidade anteriores à Covid-19. Nesta comparação, a análise foi baseada também na eficácia estimada das vacinas durante os ensaios clínicos e estudos populacionais feitos após as duas doses.

Partindo deste ponto, o estudo concluiu que, no caso da vacina Moderna, por exemplo, aguardar mais do que 28 dias para a segunda dose pode prevenir contra infecções. O atraso de 12 a 15 semanas desta substância pode impulsionar a redução de hospitalizações e mortes.

Quanto à vacina da Pfizer, o modelo indica que o atraso de 6 a 12 semanas pode reduzir o número de hospitalizações e morte, mas não impede infecções.

Atualmente, as vacinas contra Covid-19 vivem o estágio quatro de ensaios clínicos, onde analisam a performance do imunizante quando ele já está sendo distribuído. Por isso os pesquisadores alertam que as evidências em que se basearam para o estudo ainda são escassas e dependem de mais informações para um veredito. Eles afirmam que o modelo matemático será atualizado conforme o avanço nas questões do SARS-CoV-2, como eficácia de vacinas, variantes, fatores de risco e outros.

“Ainda não temos o quadro completo da eficácia da vacina à medida que novas e mais contagiosas variantes se espalham”, disse o Dr. Seyed Moghadas, professor de matemática aplicada e epidemiologia computacional e principal autor do estudo para o Medical News Today. E acrescentou: “A eficácia das vacinas contra essas variantes é um fator adicional que precisa ser considerado na determinação dos resultados da segunda dose dentro do prazo versus atrasada e o intervalo entre as doses”.

Brasil

No Brasil, as vacinas em distribuição são a CoronaVac e AstraZeneca, mas a expectativa é que vacinas como a Covaxx e Pfizer sejam distribuídas em breve. Enquanto os brasileiros aguardam, ainda não se pode confirmar que a conclusão dos cientistas quanto às vacinas utilizadas nos Estados Unidos seriam as mesmas para os brasileiros.

Mesmo assim, as autoridades de saúde alertaram sobre o grande número de pessoas que não retornaram para a segunda dose das vacinas, que precisam ser aplicadas para que a substância seja realmente eficaz. Outro ponto a ser lembrado é o fato de ser necessário continuar utilizando máscaras, ventilar o ambiente e respeitar o distanciamento social, principalmente enquanto o esquema vacinal não foi realizado por completo.

Redação

Equipe de jornalistas da redação do Futuro da Saúde.

About the Author: Redação

Equipe de jornalistas da redação do Futuro da Saúde.

Leave A Comment

Recebar nossa Newsletter

NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

Artigos Relacionados

  • Sidney Klajner

    Cirurgião do Aparelho Digestivo e Presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Possui graduação, residência e mestrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, além de ser fellow of American College of Surgeons. É coordenador da pós-graduação em Coloproctologia e professor do MBA Executivo em Gestão de Saúde no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Einstein. É membro do Conselho Superior de Gestão em Saúde, da Secretaria de Saúde do Estado de S. aulo e coautor do livro “A Revolução Digital na Saúde” (Editora dos Editores, 2019).

  • Rosana Richtmann

    Infectologista do Instituto Emílio Ribas, Chefe do Departamento de Infectologia do Grupo Santa Joana e Membro dos Comitês de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia, de Calendários da Sociedade Brasileira de Imunização e do Comitê Permanente em Assessoramento de Imunização da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. É graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e possui Doutorado em Medicina pela Universidade de Freiburg, na Alemanha

  • Redação

    Equipe de jornalistas da redação do Futuro da Saúde.

Redação

Equipe de jornalistas da redação do Futuro da Saúde.