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Covid-19: potencial de transmissão da ômicron pode ir além da carga viral, sugerem estudos

Novos estudos sugerem que a alta transmissibilidade da variante ômicron esteja associada ao escape das vacinas e da imunidade por infecções anteriores

               
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A ômicron já é a variante predominante da Covid-19 no Brasil. A nova versão do vírus tem avançado de forma progressiva: eram 3,4% de casos suspeitos em novembro, 67,5% em dezembro e 97% em janeiro. Segundo a Rede Corona-ômica, de 208 mil amostras coletadas, a cepa foi associada a 100% dos casos em 13 estados e a 90% nas demais unidades federativas do país.

Essa série de números apontam para uma variante de maior transmissibilidade. Até então, o potencial de transmissão das cepas era associado a carga viral – isto é, a quantidade de vírus no corpo do infectado –, mas novos estudos sugerem que no caso da ômicron, a explicação para esse cenário ocorreria devido ao escape às vacinas e à imunidade gerada por infecções anteriores.

Essas informações vêm de dois estudos internacionais, ambos ainda aguardando pela revisão por pares.

O que diz o estudo americano

No primeiro estudo, a análise foi feita com base nos dados da National Basketball Association – entidade de basquete profissional da América do Norte –, já que os jogadores e funcionários da instituição realizam testes frequentes de Covid-19.

Os resultados sugerem que as infecções pela ômicron apresentam carga viral no RNA menores do que as médias vistas com a variante delta. Para os cientistas, os achados podem representar que o potencial de transmissão da ômicron talvez não seja explicado pela quantidade de vírus no corpo.

Mesmo assim, eles reforçam que “não está claro até que ponto essas diferenças são atribuíveis a mais imunidade nesta população amplamente vacinada ou características intrínsecas da variante ômicron”. 

A segunda pesquisa apresenta observações que podem ajudar a responder essa questão.

As evidências do estudo suíço

Neste estudo, os cientistas acompanharam 384 pacientes e analisaram as amostras por isolamento em culturas de células. Indo além da carga viral encontrada no RNA do vírus, as análises consideraram também o pico da concentração das partículas virais. Observando este elemento em infecções pelas variantes delta e ômicron, em pessoas infectadas vacinadas e não-vacinadas.

Os resultados do estudo indicam que a carga viral dos infectados pela variante delta se aproxima da quantidade de vírus dos pacientes vacinados e infectados pela ômicron. Além disso, metade das amostras ainda continham o vírus cinco dias após o testes indicarem o resultado positivo para Covid-19. Assim, mesmo após esse período, a carga viral ainda é suficiente para contaminar outras pessoas.

No que se refere à variante delta, quando ocorre infecção em pessoas vacinadas, o imunizante atua permitindo picos mais baixos de carga viral e eliminação mais rápida do vírus – o que implicaria em uma redução do risco de transmissão.

Entretanto, no caso das infecções da ômicron (por escape à vacina), os picos de carga viral observados não foram elevados como nos quadros pela variante delta. Assim, os dados sugerem que outros mecanismos além do aumento da carga viral contribuem para a alta transmissão da ômicron.

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