Covid-19: por que os estados suspenderam a aplicação da vacina AstraZeneca em grávidas

Entenda porque o Brasil decidiu interromper a aplicação das vacinas da AstraZeneca em gestantes

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Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) orientou que a aplicação da vacina contra Covid-19 da fabricada pela AstraZeneca e Fiocruz fosse suspensa devido a morte de uma gestante. A decisão dos estados em suspender a vacinação com esse imunizante ocorreu na noite da terça-feira (11).

A Anvisa está investigando a morte de uma gestante de 35 anos do estado do Rio de Janeiro, que ocorreu após a aplicação da vacina devido a um AVC hemorrágico (acidente vascular cerebral). A agência está analisando se o óbito está associado ao imunizante da AstraZeneca.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou nesta quarta-feira (12) que as mulheres grávidas com comorbidade devem ser vacinadas com imunizante da Pfizer ou da CoronaVac. Além disso, recomendaram também que, até segundas ordens, as gestantes sem doenças não tomem a vacina contra Covid-19.

Segundo dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), cerca de 22 mil mulheres grávidas já foram imunizadas com a vacina da AstraZeneca.

O que os especialistas dizem?

Nenhuma vacina contra a Covid-19 possui estudos publicados sobre ensaios clínicos com mulheres grávidas. O que se sabe, são dados de mulheres que engravidaram durante o período de alguns ensaios clínicos e que acabaram sendo imunizadas no processo. Mesmo assim, ainda seria necessário realizar testes apropriados com esse público.

Porém, as observações dos profissionais de saúde durante o ano de 2020 indicam que as gestantes estão expostas a um alto risco de adoecer e serem encaminhadas para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além precisarem mais de ventilação mecânica no pulmão. O risco pode ser ainda maior para as grávidas com alguma doença.

Logo, o que realmente tem incentivado as autoridades de saúde a recomendar a vacina mesmo sem respaldo de ensaios clínicos adequados, é as taxas altas de mortalidade materna por Covid-19, vistas no Brasil e em outros países também.

Em entrevista para o Futuro da Saúde, Raquel Stucchi, infectologista da UNICAMP e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), falou sobre a situação: “Outros países também começaram a indicar a vacina nas gestantes mesmo sem estudos, porque as receitas dessas substâncias não demonstram possibilidade de interferência na gravidez, nem reações adversas na mãe e nem alguma alteração para o bebê”.

Mesmo assim, a especialista explica que nessa situação, é pesado o que compensa mais: o risco ou o benefício, já que em saúde pública é necessário pesar o risco e benefício para a coletividade também, não apenas para o individual.

O imunizante da AstraZeneca trabalha com o mesmo método da vacina Janssen, com vetor viral. Em ambas tem sido relatado que de fato há risco de trombose, mas que é muito raro, correspondendo a 4 casos para cada 1 milhão de doses aplicadas.

Em outros países, a estratégia para reduzir os riscos para a população é trabalhar com outras vacinas. “Os países que têm outras opções de vacinas estão deixando a AstraZeneca para quem está acima dos 50 anos ou até outras vacinas que estiverem disponíveis em seus territórios” disse a infectologista.

Entretanto, o Brasil ainda não possui uma grande diversidade de opções de vacinas. “O problema no Brasil é que a nossa disponibilidade de vacinas é muito restrita e o risco de adoecimento é muito grande. Existe um risco desse fenômeno trombótico. Ele é raro e é muito mais fácil as mulheres terem a trombose por tomar pílula, por exemplo, do que pela vacina. O risco de adoecimento por Covid-19 é muito grande” comentou Stucchi.

O Futuro da Saúde explicou mais sobre as vacinas contra Covid-19 em mulheres grávidas e efeitos colaterais em: Covid-19 e a vacinação em grávidas: o que já sabemos e “Vacina contra Covid-19: o que se sabe sobre efeitos colaterais“.

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