Coronavírus: finalmente despertamos!

O novo coronavírus provocou transformações e trouxe inúmeros ensinamentos para a sociedade

247

Você deve estar estranhando o título desta coluna pois estou falando de um vírus que causou DIRETAMENTE mais de 570.000 mortes no mundo, mais de 137.000 mortes só nos EUA e por aqui perdemos por ora mais de 72.000 vidas, FORA as perdas indiretas não contabilizadas… mas isso são números, que absolutamente não expressam a dor, sofrimento e angustia de cada vida perdida…mas eu não quero mais falar do que já aconteceu, este passado (últimos 6 meses…) vai servir para termos um parâmetro, fazermos uma análise e reflexão crítica, ver onde o mundo inteiro errou ou pelo menos subestimou para que agora, no presente momento possamos despertar para o futuro. Assim, quero falar do “daqui para frente” aproveitando os inúmeros ensinamentos que esta pandemia nos trouxe e as situações “positivas” que nós vivenciamos.

O primeiro aspecto, é que o novo Cononavirus , o SARS CoV-2, causador da doença denominada COVID-19 (Corona Vírus Disease 2019) mostrou para nós o quanto somos vulneráveis a algo que nem enxergamos, a um microrganismo invisível que apresenta um potencial para mutações, um potencial de rearranjos, e um potencial de num futuro próximo novos outros vírus causem outras infecções, com diferentes apresentações clinicas, pois para cada vírus temos um receptor diferente, um órgão alvo diferente, um mecanismo de transmissão diferente, com diferente impacto na morbi letalidade.

Despertamos com o novo Coronavirus pelo fato dele ter escancarado para o mundo o quanto não estamos preparados para enfrentar uma pandemia, o quanto mesmo países com melhor condição socioeconômica, perde mais de 100.000 vidas como o caso dos Estados Unidos. O novo Coronavirus mostrou para nós o quanto são importantes coisas tão simples, que insistentemente não valorizamos como nossa liberdade, nosso trabalho, família, convivência domiciliar, o respeito interpessoal e a responsabilidade social. Da mesma forma ele nos provou que ter a nossa saúde em dia, quero dizer, com o devido controle de doenças crônicas como o Diabetes, a hipertensão arterial, as cardiopatias, a obesidade, entre outras pode fazer muita diferença entre a vida e a morte.

O novo Coronavirus relembrou-nos da importância das nossas mãos em termos de disseminação de infecções. Sabemos sobre a importância da higiene das mãos desde a época de Ignaz Semmelweiss, médico obstetra que atuava em Viena, e observou que os alunos que saiam da aula de anatomia e iam diretamente para a sala de parto, tinham maior taxa de infecção puerperal do que as parteiras que só realizavam os partos. Assim, ele estabeleceu a hipótese de que através das mãos sujas os alunos carreavam “partículas cadavéricas” nas mãos. Para combater a ocorrência recomenda, então, a lavagem das mãos com água clorada a (“clorina líqüida”). Essa medida salvadora foi iniciada em maio de 1847 e os resultados foram impressionantes, com queda da taxa de mortes, de 12,24% a 3,04% ao fim do primeiro ano e a 1,27% ao término do segundo (Enciclopédia Britânica, 1956). Assim há muitos anos se estabeleceu a importância da higiene das mãos para a prevenção de infecção dentro e fora dos hospitais, porem precisou de uma pandemia sem precedentes para fazer com que todos, de crianças a idosos, em qualquer nível sócio econômico soubesse o quanto é importante a higienização das mãos, seja com agua e sabão ou seja com solução alcoólica.

O novo Coronavirus mostrou que a forma como cada um de nós age ou a forma que encaramos o fato de poder estar infectado, pode causar um imenso dano para as outras pessoas. Hoje, vemos crianças aprendendo a lavar as mãos, a pedir álcool gel, a usar máscaras e a terem disciplina.

O novo coronavirus mostrou aos adolescentes e jovens, que eles não são super-heróis e que podemos viver com novas regras, com novas modalidades de relacionamento, que existe a possibilidade de você trabalhar com um rendimento até maior através de home office, a ensinar que não precisamos estar juntos de forma presencial para uma reunião ser eficaz, se deslocar em uma cidade, como São Paulo, para uma reunião, onde por vezes perdemos mais tempo no deslocamento do que na própria reunião.

O novo coronavirus nos ensinou que daqui para frente teremos uma forma diferente de se relacionar, de estar atento, de ser responsável, de não expor outras pessoas a quadros infecciosos, de saber que caso eu não adote medidas de prevenção eu posso contaminar outras pessoas.

O novo Coronavirus mostrou como a ciência está conseguindo em tempo recorde desenvolver novas publicações cientificas, novas linhas de tratamento, novos diagnósticos, e principalmente o desenvolvimento de novas vacinas

Obrigada por mostrar a importância das vacinas e TODOS esperarem por uma nova vacina, a “vacina da esperança” de retorno a “vida normal”, em tempos onde os movimentos antivacinas vinham num crescimento importante e irresponsável fazendo com que crianças e jovens adoecessem e morressem de enfermidades imunopreveniveis. Nunca se valorizou tanto a ciência e a pesquisa. Nunca se valorizou tanto os profissionais da saúde, que sempre trabalharam com o coração na frente de qualquer outra coisa, mas foi necessária uma pandemia para que as pessoas enxergassem que nós, profissionais da saúde e todos os envolvidos com a saúde das pessoas estamos sempre prontos e dispostos para fazer o que for preciso aos nossos pacientes. Nós médicos estávamos perdendo a credibilidade e a confiança dos nossos pacientes, mas aqueles que escolhem se dedicar a vida humana são pessoas diferenciadas, que tiveram e continuarão tendo que abrir mão de inúmeras coisas por causa do seu compromisso com sua profissão.

O novo Coronavirus escancarou fatos como POLITICA, ECONOMIA, EDUCACAO e SAUDE  DEVEM andar juntas E COMO O DESALINHAMENTO DISSO PODE TER CONSEQUENCIAS CATASTROFICAS.

O novo Coronavirus nos despertou para o fato de que revistas consagradas no meio médico como o “ The Lancet” e o “New England Journal of Medicine” podem cometer erros e da mesma maneira podem rever os seus erros, reconhece-los e fazer de tudo para reconquistar a credibilidade.

O novo Coronavirus “respeitou” os nossos “PETS” tão importante num momento de pandemia, não servindo como fonte de infecção e nem, na imensa maioria, não adoeceram.

Da mesma forma, ele preservou nossas crianças tanto no sentido de doença mais grave (morbidade e letalidade), quanto com o fato de que com a suspensão do funcionamento das escolas, o risco e incidência de viroses respiratórias típicas desta época do ano, simplesmente despencaram na população pediátrica, esvaziando os pronto socorros pediátricos nos meses de abril, maio e junho de 2020, como nunca visto antes.

O novo Coronavirus mostrou o poder da globalização, para o bem e para o mal, começando pela Ásia, compartilhando experiências sobre o enfrentamento de uma pandemia desde janeiro, indo para a Europa em fevereiro, especialmente a Itália e a Espanha, vindo para os Estados unidos com vários tropeços mas também ensinamentos e finalmente chegando aqui nas Américas e mostrando um cenário totalmente caótico da forma de lidar com a saúde pública.

Finalizo me solidarizando com todos que de forma direta ou indireta foram atingidos inesperadamente por este novo inimigo e falando que é muito triste ter que FINALMENTE DESPERTAR POR CAUSA DE UM novo vírus, causador de uma pandemia absurdamente cruel, MAS talvez NECESSÁRIA para que nós abramos os olhos e entendamos que de fato nós estamos de passagem por aqui… pois a história já mostrou que os vírus e bactérias habitam a terra muito antes de nós e seguramente ficarão por aqui muito mais do que nós.  Temos que despertar! É isso aí!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui