Câncer de próstata: consenso indica alternativas para rastrear e tratar a doença nos países em desenvolvimento

Oncologistas, urologistas, radiologistas, radioterapeutas, patologistas e cirurgiões votaram as alternativas mais eficientes e com melhor custo-efetividade para tratar homens em regiões onde a infraestrutura de saúde é mais precária, como América Latina, África e Oriente Médio.

104

O Global Cancer Observatory, banco de dados sobre câncer, elaborado pela International Agency for Research on Cancer (entidade ligada à Organização Mundial da Saúde), projeta um crescimento importante dos casos de tumores de próstata no Brasil até 2040. Os números, que já são altos, devem dobrar nos próximos 20 anos. As projeções também indicam um aumento nas mortes pela doença na África e na América Latina nas próximas décadas.

Para termos a dimensão do problema, basta analisarmos o cenário atual: cerca de 66 mil novos casos da doença são estimados para 2021 no país. Quase 16 mil óbitos foram registrados em 2019 em decorrência dos tumores de próstata, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer.

Rever as estratégias para prevenção, rastreamento e tratamento do câncer mais incidente entre os homens brasileiros é um trabalho fundamental e urgente.

Com este objetivo, especialistas de 12 países se reuniram aqui no Brasil, no final de 2018, para elaborar o I Consenso Mundial sobre Rastreamento, Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Próstata para Países em Desenvolvimento.

Oncologistas, urologistas, radiologistas, radioterapeutas, patologistas e cirurgiões votaram as alternativas mais eficientes e com melhor custo-efetividade para tratar homens em regiões onde a infraestrutura de saúde é mais precária, como América Latina, África e Oriente Médio.

Os debates abordaram as questões referentes à jornada do paciente, a partir dos exames de rastreamento, passando pelo diagnóstico, tratamento da doença localizada, da doença localmente avançada, da recidiva e da doença metastática.

Esse trabalho robusto, que procurou opções factíveis para suplantar deficiências, foi publicado como uma série de oito artigos científicos em uma das mais importantes revistas do mundo na área do câncer, o Journal of Global Oncology, da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.

Os textos incluem as questões de consenso sobre ferramentas de triagem, diagnóstico e estadiamento em câncer de próstata, as estratégias de tratamento, incluindo vigilância ativa (quando ocorre apenas o monitoramento do câncer de próstata por meio de exames e consultas), o acesso tecnologias clínicas e cirúrgicas que são custo-efetivas. Os artigos também discutem sobre o preparo, estratégias de sequenciamento e limitações de acesso em áreas de recursos limitados na doença avançada.

Vale ressaltar as orientações para o rastreamento para câncer de próstata ser obrigatório nestes locais a partir dos 50 anos, com o exame de PSA e toque retal. A partir disso, é necessário criar um sistema de Saúde mais eficiente, para que o paciente que recebe o diagnóstico tenha o tratamento adequado, mesmo com as limitações de recursos. Isso inclui a proposta de projetos que aumentem e estimulem o acesso às novas tecnologias.

Os desafios são grandes, mas é necessário um compromisso real para permitir que a população possa utilizar medicamentos e técnicas que curem mais ou garantam melhor sobrevida, mudando o cenário atual e as perspectivas do câncer de próstata nos países em desenvolvimento.

A série de artigos do Consenso pode ser acessada pelo link https://ascopubs.org/doi/full/10.1200/GO.20.00518

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui