Conahp 2021: “Prevenção é a chave. Mas o paciente não vai se engajar como imaginamos. É preciso educar e capacitar”, diz Mauricio Lopes

Vice-presidente executivo da Rede D'Or São Luiz, Mauricio Lopes participou de plenária com o consultor do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS), Eugênio Vilaça e o diretor-executivo do International Center for Health Systems Strengthening (ICHSS), Cristian Baeza

               
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modelo assistencial integrado

A primeira plenária do segundo dia do Conahp 2021 discutiu a construção de um modelo assistencial integrado que gere valor para o paciente e para o sistema. Participaram o diretor-executivo do International Center for Health Systems Strengthening (ICHSS), Cristian Baeza, o consultor do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS), Eugênio Vilaça, e o vice-presidente executivo da Rede D’Or São Luiz, Mauricio Lopes. Além de falar sobre as mudanças com as quais os hospitais estão tendo que lidar, os palestrantes abordaram ainda os desafios de um sistema fragmentado e a importância da prevenção.

A plenária começou com Baeza. Segundo ele, os hospitais estão tendo que lidar com muitas mudanças. As principais delas são: demografia da população, que está mais idosa e demanda mais cuidados; novas tecnologias, que vão além das paredes dos hospitais; maior volume de cuidados de alta complexidade; e o fato de o paciente ter se tornado um cliente, com necessidade de mais contabilidade, responsabilidade e prestação de contas.

Baeza disse que, por trabalhar com economia, tem uma visão mais financeira dos cuidados em saúde.

Cristian Baeza Conahp 2021

“Não há como administrar um hospital hoje de forma isolada, sem levar em consideração as pressões financeiras e econômicas no nível do hospital e gerando valor para a comunidade”.

Estados Unidos

Cristian Baeza ainda falou sobre a experiência do sistema de saúde dos Estados Unidos. Dos anos 1980 até os anos 2000, o país investiu em mudanças nas formas de pagamento e conseguiu criar mais eficiência no ambiente hospitalar. Em muitos locais, houve redução no número de leitos, mas sem mudanças em relação aos profissionais e aos pacientes. 

Apenas após o ano 2000, o foco passou a ser criar valor para o sistema e para os pacientes. Nesse sentido, ele defendeu a prevenção, maximizando os resultados e entendendo os gastos. “O movimento é de mudar o olhar sobre o paciente. Não é uma coisa simples. Trata-se de mudar o trem de direção, o que não é fácil”, concluiu.

Baeza também falou sobre ACOs, sigla para Accountable Care Organizations. Em outras palavras, são grupos de médicos, hospitais e outros prestadores de cuidados de saúde que se reúnem voluntariamente para prestar cuidados coordenados de alta qualidade aos seus pacientes do Medicare (programa financiado pela previdência norte-americana para oferecer atendimento médico a idosos que tenham contribuído ao longo da vida).

“A ideia é criar valor, mantendo pacientes bem monitorados e reduzindo os custos do sistema no geral”, avaliou.

Na avaliação de Baeza, não é fácil manter um bom funcionamento dos ACOs. Assim, segundo ele, os principais desafios do ACO são: governança e gerenciamento; choque cultural para os profissionais de saúde; gestão de dados com controle de custos; análises atuariais, para não assumir riscos que não pode pagar. 

Dessa forma, Baeza compara o hospital a uma empresa de seguros. “Não há como administrar um hospital hoje de forma isolada, sem levar em consideração as pressões financeiras e econômicas no nível do hospital e gerando valor para a comunidade”. .

Desafios da administração hospitalar

Em seguida, foi a vez de Mauricio Lopes. Ele defendeu a importância de hospitais maiores, que possam fazer atendimento em escala, e com profissionais qualificados e treinados. Desse modo, entre os esforços necessários para o sucesso na gestão hospitalar, estaria a análise de dados de qualidade técnica e de qualidade percebida, tanto do paciente quanto do médico, além dos dados de desfecho. 

Lopes também defendeu a gestão compartilhada e citou que ferramentas de gestão eficiente e facilmente navegáveis também precisam ser priorizadas. Além disso, é preciso alocar cada paciente no ativo correto. Ou seja, não adianta levar o paciente de baixa complexidade para dentro do hospital, pois isso não vai ser eficiente, segundo a sua opinião.

O vice-presidente executivo da Rede D’Or São Luiz também falou sobre a importância do cuidado contínuo da população como um todo. Dessa forma, para ele, ter visão de longo prazo e focar na saúde da população é essencial. Entretanto, é preciso conter as despesas administrativas para sobrar margem em qualidade.

Mauricio Lopes ainda disse acreditar que investir em prevenção e em atenção primária é o caminho.

Maurício Lopes Conahp 2021

“Prevenção é a chave, tem que fazer. Mas o paciente não vai fazer como imaginamos, precisamos educar e capacitar para entenderem que a atenção primária é importante”

Sistema organizado em rede

Último a palestrar, Eugênio Vilaça lembrou dos problemas da fragmentação do sistema de saúde brasileiro. Segundo ele, há um descompasso entre o sistema de saúde e a situação de saúde. 

Eugênio Vilaça Conahp 2021

“Tem que mudar do sistema fragmentado para o sistema organizado em rede. Assim, se volta não para indivíduo mas para a população, com cuidado interdisciplinar e focado na atenção primária”, explicou.

Ainda de acordo com Vilaça, o sistema organizado em rede tem três elementos: população vinculada à atenção primária; modelo de atenção às condições crônicas baseadas em evidência; modelo com intervenções de prevenção e promoção à saúde.

Cristian Baeza concordou. “Um dos maiores desafios é a fragmentação. É uma ordem natural do nosso sistema. Temos que focar na trajetória em termos do que tem que ser feito para poder avançar e passar uma integração maior de redes. Maximizar os resultados e gerar mais valor”, disCristian Baeza.

Sobre os palestrantes

Cristian Baeza é diretor-executivo do International Center for Health Systems Strengthening (ICHSS). Ele já atua com a melhoria de políticas e desempenho dos sistemas de saúde há 25 anos, tendo um foco especial em mercados emergentes na América Latina, Sul da Ásia, Oriente Médio, Europa e África. Atualmente, além do cargo no ICHSS, também é diretor-executivo no Center for Healthy Development (CHD).

Eugênio Vilaça é consultor do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS). Incansável estudioso de sistemas de saúde de todo o mundo, ele é autor de livros que tratam da necessidade de promover mudanças tanto no modelo de atenção à saúde, quanto nos modelos de gestão e de financiamento do sistema.

Por fim, Mauricio Lopes é vice-presidente executivo da Rede D’Or São Luiz. Já ocupou cargos de diretoria e gerência na Saúde e Odontologia da Sul América, na Allianz Saúde, na Medial Saúde, na Unimed-Rio e na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Atualmente, também é vice-presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar – Fenasaúde.

Conahp 2021

Realizado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), o Conahp 2021 tem como proposta repensar a saúde da próxima década. Entre 18 e 22 de outubro, os principais especialistas do setor discutem “Saúde 2030: Desafios e Perspectivas”.

Na segunda-feira, dia 18, o evento online contou com plenárias de Emmanuel Fombu e Robert Kaplan. Também houve um debate com mediação da jornalista especializada em saúde e diretora do portal Futuro da SaúdeNatalia Cuminale, com a participação de: Fernando Torelly, Hcor; Hilton Mancio, Tacchini Sistema De Saúde; Leandro Reis, Rede D’Or São Luiz; Massanori Shibata Junior, Grupo NotreDame Intermédica; Manoel Peres, Bradesco Saúde e Mediservice; e Paulo Ishibashi, Americas Serviços Médicos.

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