Conahp 2021: “Até 2030 teremos grande capacidade de fazer diagnóstico antes da doença aparecer”, diz Emmanuel Fombu

O médico Emmanuel Fombu participou da plenária de abertura do Congresso Nacional de Hospitais Privados - Conahp 2021 na manhã desta segunda-feira

               
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Conahp Emmanuel Fombu

Atualmente, as pessoas costumam procurar um médico apenas quando já estão doentes. Porém, por que não fazer intervenções antes da doença aparecer, através de medicina preditiva e preventiva? Essa é a ideia defendida pelo médico, autor, palestrante e executivo da saúde Emmanuel Fombu. Ele participou da plenária de abertura do Congresso Nacional de Hospitais Privados – Conahp 2021 na manhã desta segunda-feira, dia 18.

Para Fombu, a tecnologia pode mudar o cenário atual de cuidados com a saúde. “Quando você vai ao médico, ele faz alguns exames e captura apenas um momento no tempo. O que estamos falando aqui é que, com a tecnologia, é possível capturar um filme inteiro”, explicou. 

Monitoramento remoto

Essa nova realidade é possível com o monitoramento remoto. Ou seja, através do uso de dispositivos vestíveis, os wearables, as informações de um maior tempo do cotidiano do paciente podem ser coletadas e reportadas aos profissionais de saúde, o que permite fazer diagnósticos de doenças existentes ou até mesmo prever possíveis problemas que ainda não ocorreram.

Para exemplificar isso, Emmanuel Fombu citou um estudo realizado durante seis meses com um grupo de pessoas sobre sono e qualidade de vida. Todos os participantes utilizavam um relógio inteligente para monitorar os sinais vitais. Entretanto, um deles morreu durante o estudo. Graças aos dados coletados, foi possível verificar alterações nos dados capturados nos últimos quatro dias de vida do paciente. Apesar de não terem conseguido salvar aquele participante, o que se aprendeu com as informações coletadas podem salvar outras pessoas que venham a ser monitoradas remotamente em um futuro não tão distante.  “Até 2030 teremos uma capacidade muito grande de fazer o diagnóstico antes da doença aparecer”, afirmou.

Conahp 2021 - Emmanuel Fombu

O médico ainda defendeu uma personalização dos cuidados em saúde. Isso porque cada pessoa tem características únicas e vive em um mundo real diferente do simulado nos estudos clínicos. “Nós pesquisadores sabemos que qualquer medicamento que chega no mercado tem que passar por pesquisa. A gente cria um ensaio com critério de inclusão e exclusão para ver se funciona e é seguro. Mas o mundo real não é assim. Quando a droga é aprovada, você dá para pessoas que não estavam nos critérios da pesquisa. Não pode ter a abordagem que uma droga funciona para todos”, explica.

“Uma dor de cabeça é diferente para cada um. A mesma coisa se aplica com um tratamento. Por isso, existe um perigo de você abordar todos de forma igual, principalmente em uma escala global”.

Papel da genética

Em sua fala, Emmanuel Fombu citou ainda sua experiência pessoal. Disse que sua falecida avó, que morava em Camarões, na África Central, tinha diabetes, hipertensão e costuma fumar charutos. Entretanto, a filha dela, mãe de Fombu, tem uma condição financeira melhor, hábitos mais saudáveis e uma vida mais ativa. Tendo isso em mente, ele questiona até que ponto é importante o histórico familiar quando o meio em que a pessoa vive e os hábitos são tão diversos.

Em relação à questão genética, ele também citou dados sobre as taxas de diabetes na China subiram de 0,67% em 1980 para 9,7% 2011. “Você acha que a genética das pessoas mudou ao longo dos anos? Acho que não. O que mudaram foram os hábitos e o acesso das pessoas a algumas coisas, como junk food. Claro que a genética tem um papel importante nas doenças, mas o ambiente também”, avaliou. 

De acordo com Emmanuel Fombu, as condições financeiras também têm grande influência na saúde das pessoas. Para exemplificar isso, citou as diferenças sociais na cidade de St. Louis, no estado do Missouri, EUA. Enquanto uma parte da cidade a população é mais pobre e tem menos emprego, a outra parte é mais rica. O resultado de um estudo mostrou que as taxas de doenças cardiovasculares eram 10x mais altas na parte com menos condições financeiras. “Não importa onde você mora, você vê isso acontecendo. O covid deixou isso claro. As pessoas com diabetes e comorbidades foram as que mais sofreram”, disse. 

Sobre Emmanuel Fombu

Fombu tem mais de 15 anos de experiência combinada em medicina clínica, organizações líderes de saúde e pesquisa. Assim, trata-se de uma autoridade reconhecida internacionalmente na convergência de tecnologias digitais e saúde. 

Seu livro The Future of Healthcare (O futuro da saúde, em tradução livre) foi selecionado pela National Library of Medicine e pelo All of US Research Program, do National Institute Health, como um dos três melhores livros de saúde digital em 2020. A obra fala da importância dos dados para tomada de decisões, inclusive na vida cotidiana, e traça um paralelo sobre a necessidade de avanços na coleta de informações relacionadas à saúde, para melhoria do bem-estar do indivíduo e dos sistemas público e privado.

Fombu é defensor da saúde baseada em valor e líder na concepção de ensaios clínicos usando designs de estudo inovadores para avaliar abordagens complementares de saúde e sua integração com os cuidados de saúde do mundo real. Além disso, se diz um apaixonado por e-health, nanotecnologia, big data, inteligência artificial, machine learning, medicina digital e é membro do conselho consultivo externo do projeto MIT.nano, doMassachusetts Institute of Technology.

Conahp 2021

Futuro da Saúde é a mídia oficial do Conahp 2021. Realizado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), o congresso tem como proposta repensar a saúde da próxima década. Entre 18 e 22 de outubro, os principais especialistas do setor discutem “Saúde 2030: Desafios e Perspectivas”. Acompanhe a cobertura dos principais painéis aqui, nas redes sociais do Futuro da Saúde (InstagramLinkedin) e assine a nossa newsletter se quiser acompanhar os conteúdos do portal.

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