Como falar sobre obesidade: novo guia traz orientações sobre o tema

Projeto tem como objetivo incentivar uma abordagem mais cuidadosa e responsável sobre a doença

               
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Foi lançado nesta sexta-feira (19) o Guia de Obesidade para Comunicadores. O projeto, que é uma iniciativa da farmacêutica Novo Nordisk, traz orientações para comunicadores sobre como abordar o tema de uma forma humanizada e com base em evidência científica. O guia teve apoio da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e da RedeComCiência, e autoria da jornalista especializada em saúde e criadora do Futuro da Saúde, Natalia Cuminale. 

A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE e divulgada em outubro de 2020, 60,3% da população adulta do Brasil está acima do peso. Embora seja comum, a obesidade nem sempre é encarada com a mesma seriedade de outras doenças como diabetes ou hipertensão — problemas que precisam de tratamento e de acompanhamento médico.

No evento de lançamento, os especialistas afirmaram que a ideia de fazer um guia surgiu da necessidade de falar de forma adequada sobre obesidade e passar as informações corretas para quem precisa de ajuda. O material possui diversas informações sobre a doença, como as causas, as consequências e as especificidades em cada faixa etária. E também traz discussões sobre como abordá-la de forma responsável e respeitosa, com cuidados específicos na comunicação: como a linguagem, a escolha das pautas ou das fotos. 

Entre os problemas citados pelos palestrantes, o estigma ao falar da doença foi apontado como um dos grandes desafios. Embora o debate tenha sido ampliado nos últimos anos, há uma grande dificuldade por parte da sociedade, e às vezes até de profissionais da saúde, em entender que a obesidade não é uma escolha, mas sim uma doença crônica como muitas outras. 

A falta de compreensão prejudica as pessoas que lidam com a doença, constrangendo quem pensa em buscar ajuda e trazendo dificuldades para quem já está em tratamento.

Ao longo do painel virtual, a psicóloga e cofundadora do Instituto Obesidade Brasil, Andrea Levy, apresentou dados de um estudo realizado com 498 mulheres nos Estados Unidos, publicado pelo International Journal of Obesity. O levantamento indicou que aquelas com obesidade atrasam os cuidados preventivos contra o câncer e isso tem consequências sérias para a saúde delas.

“Certamente essas mulheres já foram em alguma consulta onde elas foram desrespeitadas devido à obesidade. Imaginem que a mulher foi ao ginecologista e não cabia na maca, não cabia no avental ou foi tratada de uma maneira em que ela percebeu que o médico não sabia abordar a obesidade. Fica aquela situação onde ela se sentiu constrangida em falar no assunto e o médico também, por não saber como. E ela saiu de lá como se fosse um assunto proibido, um tabu.”

O guia completo pode ser acessado aqui.

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