Colapso no sistema de saúde e o “novo normal”

Será que o nosso “novo normal” será aceitar o colapso do sistema de saúde?

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Hospital de campanha para tratamento de covid-19 do Complexo Esportivo do Ibirapuera. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Outro dia me perguntaram o que era, de fato, o colapso do sistema de saúde. Usamos tanto esse termo no início da pandemia, lembra? A ideia era fazer o isolamento para evitar o colapso do sistema de saúde. Ao diminuir o número de infectados, seria possível dar tempo aos hospitais para que eles se preparassem para o que estava por vir. A definição mais simples de colapso foi dada pelo ex-ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta: “colapso é quando você tem o dinheiro, o plano de saúde, a ordem judicial, mas não tem onde entrar para se tratar”. É a falta de equipamentos, a dificuldade de contratar profissionais de saúde, leitos ocupados e novos casos chegando.

Colapso tem a ver com aquele cenário que assustava quando assistíamos de longe na Itália. Em que profissionais de saúde tinham que escolher quais pacientes atender, quem vivia e quem morria. Ontem, o Brasil superou a Itália em número de casos (mas não em mortes), com mais de 233 mil registros. É sempre bom deixar claro que não dá para comparar países e cenários sem fazer as ressalvas como tamanho, perfil da população, acesso a recursos financeiros e de saúde.

A comparação aqui é por dois motivos. O primeiro é que antes o que acontecia com a Itália chocava, hoje parece que nem tanto. Outra diferença: a Itália está no momento de descida, com número de casos regredindo. Aqui, ainda precisamos chegar ao pico, ao momento de estabilização de casos e só depois é que entraremos na fase de desaceleração. No Brasil, em alguns locais, o sistema público já chegou ao colapso, outras cidades estão próximas.

Em Manaus, o colapso no sistema público já é uma realidade: faltam leitos e os enterros das vítimas de covid-19 são feitos em valas coletivas. Na cidade de São Paulo, 89% dos leitos de UTI de hospitais municipais estão ocupados. Com a rede de saúde pública pressionada, a prefeitura contratou leitos de hospitais particulares. Desde o começo da pandemia se fala muito do “novo normal” para discutir os novos comportamentos, a mudança de hábitos, o distanciamento…mas será que, acostumados já com o SUS precário, o nosso “novo normal” será aceitar o colapso do sistema?

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