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Cinco tecnologias que estão transformando a saúde, por Rodrigo Demarch, do Einstein

Diretor executivo de inovação do Einstein, Rodrigo Demarch aponta as grandes tendências de tecnologia para o setor

               
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(Conteúdo oferecido por Hospital Israelita Albert Einstein)

Definir inovação não é tarefa fácil. Talvez no passado distante seria possível afirmar que inovação é criar um produto novo ou fazer algo pela primeira vez. Hoje, o tema envolve tantas variáveis que não há um consenso. Na saúde, não é diferente. Mas em conversa com Futuro da Saúde, Rodrigo Demarch, diretor executivo de inovação do Hospital Albert Einstein, abriu a definição que considera adequada:

“Inovação em saúde é a capacidade de identificar problemas reais do sistema, criar a partir daí soluções, novas tecnologias ou novos serviços inovadores e, consequentemente, a capacidade de remunerar esses serviços e tecnologias, à medida que sejam capazes de gerar valor para o paciente e para os stakeholders envolvidos, como médicos, profissionais de saúde etc., que são partes importantes da cadeia de valor de saúde”.

Para ele, “o setor de saúde passa por um processo de transformação digital muito grande, que foi fortemente acelerado pela pandemia. Tecnologias digitais capazes de permitir a entrega de cuidado com alta qualidade e acessível, ou seja, para um número cada vez maior de pessoas, são tecnologias que vão impactar fortemente esse processo de transformação do setor de saúde”.

Na entrevista, Demarch elencou seis grandes tendências ligadas à tecnologia e inovação em saúde que já estão entre nós, mas que veremos cada vez mais no dia a dia. Confira:

Plataformas baseadas em dados

“As plataformas digitais precisam se basear em dados. Soluções que estejam fortemente apoiadas em ciências de dados, dados de vida real, big data, e a capacidade de extrair insights desses dados para customizar adequadamente determinadas intervenções, vão revolucionar o setor da saúde e fazer com que estejamos cada vez mais próximos da individualização do cuidado e de prover a melhor saúde populacional possível. Os dados são muito importantes, porque permitem enxergar exatamente o que um determinado indivíduo precisa, ao mesmo tempo que, quando analisados de forma agregada, permitem entender quais são as maiores necessidades e onde estão as maiores oportunidades de intervenções para determinadas populações. Hoje em dia ninguém mais imagina, por exemplo, o setor de saúde não ter a telemedicina, assim como não se imagina não usar a grande capacidade de análise de dados que existem para se entregar um melhor serviço de saúde”.

Medicina de precisão

“Algumas biotecnologias, como a genômica, associadas à inteligência artificial e ao uso do big data, nos permitem avançar na medicina de precisão, que é a capacidade de analisar as necessidades e entender um indivíduo no nível do seu DNA. A partir daí, é possível usar algoritmos para entender quais são os maiores riscos desse indivíduo e planejar intervenções personalizadas. É um mecanismo poderosíssimo, porque teremos a capacidade de realmente individualizar o cuidado baseado nas necessidades ou no conhecimento que a gente tem ou passará a ter do DNA desta pessoa. Medicina de precisão é um campo amplo, que vai desde o diagnóstico até o tratamento. Usaremos esse tipo de tecnologia para fazer um determinado diagnóstico e, com base nesse conhecimento que se tem em relação ao indivíduo em si, também iremos customizar os tratamentos para esse mesmo indivíduo. É algo já disponível hoje e que se disseminará fortemente nos próximos 10 anos. Serviços e produtos relacionados à medicina de precisão se tornarão cada vez mais acessíveis para um número maior de pessoas”.

Wearables

“Outro tipo de tecnologia já presente hoje, mas que deve ter um crescimento exponencial nos próximos anos, são os dispositivos vestíveis, os wearables. A tendência é que sejam cada vez mais usados desde para coisas simples do dia a dia, como medir passos e sinais vitais, para que indivíduos busquem um estilo de vida mais saudável. Da mesma forma, pode auxiliar diagnósticos e acompanhamento de pessoas com determinadas necessidades. Em pouco tempo será comum pessoas usando esse tipo de dispositivo sendo monitorados por equipes de saúde à distância, porque essa pessoa eventualmente está terminando um processo de tratamento que antes faria dentro de um hospital. Com isso, será possível ter esse acompanhamento dentro da casa dela, sendo monitorado à distância”.

Realidade aumentada

“Existem algumas tecnologias que estão chegando ao mercado que vão fazer com que os eventos digitais ou mesmo uma teleconsulta sejam quase que de ‘telepresença’ por meio de componentes de realidade aumentada. São mecanismos que vão fazer com que essa nossa interação seja cada vez mais próxima da realidade. Na saúde elas têm uma aplicação bastante interessante pela proximidade que pode gerar na relação médico-paciente, por exemplo. Muito se fala da perda da qualidade na interação médico-paciente e tecnologias como essa poderão contribuir para melhorar essa percepção. No campo do ensino, a aplicação dessa tecnologia pode gerar um ganho fantástico, porque você cria um ambiente muito próximo do real, seja para simular uma cirurgia, seja para simular o aprendizado da prática médica ou da prática assistencial, em um ambiente extremamente seguro e bastante fidedigno. Isso pode ser feito tanto para o para o estudante da área da saúde, que está aprendendo a ser médico ou enfermeiro, como para profissionais já treinados, dentro de grandes centros, que precisam aprender a manusear diferentes aparelhos que têm a mesma finalidade, mas são de marcas diferentes”.

5G

“O 5G, que já está impactando outras indústrias, também vai transformar a saúde. Em relação à tecnologia anterior, o 4G, ela tem menor latência, maior capacidade de tráfego de dados, é mais eficiente, consome menos energia, e tem uma alta disponibilidade. Podemos utilizar o exemplo da telemedicina. Já existem, inclusive, equipamentos para fazer o exame físico remotamente, como uma ausculta pulmonar, uma ausculta cardíaca, eventualmente um exame de garganta, da boca, do ouvido. Então, dentro de uma rede 5G a qualidade desse processo vai aumentar e consequentemente melhora qualidade do serviço entregue. Esse é o tipo de tecnologia que tem grandes expectativas e a tendência é que, à medida que essa infraestrutura esteja mais disponível, os cases passem a ser construídos. Em algum momento não tão distante assim, acreditamos que será possível fazer cirurgias remotamente, com um robô em uma cidade e um cockpit controlando esse robô em outro local”.

Os próximos passos do 5G segundo Rodrigo Demarch

“No Einstein estamos desenvolvendo um laboratório 5G, que ficará no novo centro de ensino e pesquisa. Estamos construindo uma rede de parceiros com grandes empresas de tecnologia que têm interesse em desenvolver o mercado 5G aqui no Brasil. A ideia é construir esse lab de experimentação e, em conjunto com as unidades de serviço do Einstein e a curadoria da nossa equipe de inovação, trabalhar para desenvolver novos produtos e serviços baseados na tecnologia. Imaginamos que já existam algumas oportunidades de uso prontas para serem realizadas tão logo o laboratório esteja pronto, o que deve acontecer até meados do segundo semestre deste ano. Existem poucos labs dessa natureza aplicados à saúde, então é algo bastante novo para quase todo mundo”.

Impacto dessas tecnologias nos próximos anos

“O impacto dessas inovações no setor nos próximos cinco anos vai ser muito grande. As tecnologias amadurecem, novas gerações de serviços e produtos são desenvolvidos e se tornam mais acessíveis, se popularizam, e, consequentemente, a partir do momento que isso acontece, a adoção aumenta. O cuidado que devemos ter é para que essas tecnologias não sejam adotadas simplesmente pela adoção tecnológica, porque isso pela perspectiva de gestão do sistema de saúde não faz sentido. Ela tem que ser sempre utilizada visando melhorar a experiência do médico, do profissional de saúde e, principalmente, do paciente. Deve facilitar ou colaborar com o alcance dos melhores desfechos de saúde, da melhora da saúde da população alvo. Deve buscar a redução da ineficiência do setor, a redução do custo per capita que se tem dentro do setor de saúde. E, finalmente, deve buscar a construção de um sistema mais equânime, ou seja, um sistema que permita com que aquelas pessoas que mais precisam de recursos tenham de fato esse acesso”.

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