Cientistas identificam proteína que pode evitar cirurgia de tumor cerebral

Anualmente, cerca de 16 mil pessoas são diagnosticadas com tumor no cérebro. Com a descoberta da proteína FBLN2, os cientistas acreditam que muitos pacientes submetidos a tratamentos invasivos como a radioterapia, quimioterapia e neurocirurgias poderão ser poupados se realizarem exames de sangue para checar o grau da doença.

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Pesquisadores da Universidade de Plymouth, na Inglaterra identificaram uma proteína que pode evitar cirurgias de pacientes com tumor cerebral apenas realizando exames de sangue. Eles identificaram a proteína Fibulin-2 (FBLN2) como possível biomarcador para diferenciar se tumor cerebral do tipo meningioma está em grau II ou não, segundo estudo publicado no International Journal of Molecular Sciences.

O meningioma é um tumor cerebral do tipo benigno – isto é, que se desenvolve lentamente e não invade outros órgãos -, que atinge as meninges, membranas do sistema nervoso do cérebro. Anualmente, cerca de 16 mil pessoas são diagnosticadas com tumor no cérebro. Normalmente, essa doença atinge mais as mulheres e surge entre os 40 e 60 anos. Contudo, pacientes abaixo de 40 anos e até mesmo crianças têm sido diagnosticadas com esta condição.

Em 2016, a OMS definiu que o tumor do meningioma se divide em 3 graus: os benignos são de grau I, que correspondem de 70 a 85% dos casos. O atípico intermediário são de grau II, equivalem de 15 a 30% das ocorrências. E os malignos são de grau III, correspondendo de 1 a 2% dos casos.

O diagnóstico muitas vezes é incerto. O comportamento biológico do tumor pode variar de moderado para muito agressivo e ainda sim apresentar manifestações visíveis similares. No grau II, há uma frequência de discordância de 12,2% , demonstrando então ser a fase mais difícil de avaliar a gravidade e qual o tratamento mais adequado. No grau I e III, a incerteza é 7% e 6,4%, respectivamente.

Com a descoberta da proteína FBLN2, os cientistas acreditam que muitos pacientes submetidos a tratamentos invasivos como a radioterapia, quimioterapia e neurocirurgias poderão ser poupados se realizarem exames de sangue para checar o grau da doença. Apesar de necessária para pacientes com tumores graves, as cirurgias, por exemplo, podem ter efeitos colaterais, como convulsões. As consequências de uma neurocirurgia interfere na vida dos indivíduos, deixando-os inseguros.

Estudo

Para chegar nessa conclusão, os cientistas utilizaram uma pesquisa anterior realizada na universidade, que também identificava um biomarcador para o diagnóstico do meningioma, só que de grau III. Além disso, amostras do tumor, células cancerosas cultivadas no laboratório e biópsias líquidas foram utilizadas para diferenciar o grau I do grau II da doença.

A Fibulina-2 se destacou no meio das 391 proteínas que foram analisadas e identificadas como expressivas. A FBLN2 apareceu em níveis mais elevados no grau II da doença, quando comparado com o grau I. Em estudos menores foi possível perceber que a proteína é capaz de diferenciar tumores benignos e malignos – isto é, que crescem mais rápido.

Os pesquisadores acreditam que este é o primeiro estudo a relacionar a FBLN2 como biomarcador para essa doença. Apesar de não haver evidências anteriores que relacionem esta proteína com o avanço do meningioma, ela foi associada com outros cânceres; com manifestações nos pulmões, no fígado, nas mamas e no pâncreas.

Mesmo com os apontamentos atuais, são necessários mais estudos, com mais amostras e um acompanhamento de 5 a 10 anos para garantir e melhorar a precisão do diagnóstico pela Fibulina-2.

“Neste estudo, identificamos FBLN2 como um novo biomarcador que pode distinguir meningiomas de grau II de grau I. Níveis mais elevados deste biomarcador foram encontrados em amostras de tumor de meningioma de grau II em comparação com a forma de grau I. Também mostramos que níveis mais elevados de FBLN2 podem ser detectados em amostras de sangue de pacientes com meningioma grau II, em comparação com aqueles de pacientes com meningioma grau I. A identificação de FBLN2 como um biomarcador para meningioma tem potencial significativo para melhorar o diagnóstico, tratamento, prognóstico e acompanhamento de meningiomas” disse o líder do estudo, professor Oliver Hanemann, da Universidade de Plymouth

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