Pesquisa aponta forma de diagnosticar complicações na gravidez precocemente

Em geral, possíveis distúrbios na gravidez são detectados entre o segundo e terceiro trimestre da gestação, quando os efeitos negativos já podem ter atingido a mãe ou o bebê, mas o estudo descobriu que os tais marcadores existem desde o terceiro mês da gravidez.

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Uma pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, publicada na Nature Communications Biology, indica que é possível prever quais mulheres podem passar complicações graves na gestação ao analisar marcadores biológicos nos níveis de hormônio da placenta. Em geral, possíveis distúrbios na gravidez são detectados entre o segundo e terceiro trimestre da gestação, quando os efeitos negativos já podem ter atingido a mãe ou o bebê, mas o estudo descobriu que os tais marcadores existem desde o terceiro mês da gravidez.

A descoberta foi feita através de análise em camundongos. Os pesquisadores investigaram as proteínas produzidas na placenta e compararam com amostras de sangue de mulheres que passaram por uma gravidez normal e aquelas que foram diagnosticadas com diabetes gestacional. “Esta forma de diabetes induzida pela gravidez causa crescimento acelerado do bebê e complicações no momento do parto. Infelizmente, algumas mulheres já apresentam sinais de um grande bebê, mas o momento do diagnóstico foi na 28º semana. Este novo teste pode ser capaz de identificar diabetes gestacional no início da gravidez”, analisa Claire Meek, médica especialista em diabetes na gravidez e pesquisadora do estudo.

Ao traçar o ‘perfil’ da placenta, identificando quais hormônios são secretados no órgão, foi possível criar um mapa das proteínas. O mapeamento com o modelo de camundongo foi comparado a conjuntos de dados de estudos anteriores sobre a placenta humana e resultados de gravidez, o que permitiu a descoberta de sobreposições biológicas. Dentre os achados está o fato de que cerca de um terço das proteínas identificadas nas mulheres mudaram ao longo da gravidez em casos onde havia complicações. Foi observado também que níveis anormais de hormônios já apareciam por volta da semana 12 de gestação (primeiro trimestre).

Por fim, segundo os cientistas, existem proteínas presentes nas células que podem ativar ou desativar genes, uma função que provavelmente é responsável pela produção de hormônios da placenta. Essa informação pode ajudar a compreender o órgão e descobrir novas formas de diminuir os riscos de complicações na gravidez. “Esta é uma descoberta muito importante, visto que os distúrbios da gravidez afetam cerca de uma em cada dez mulheres grávidas e geralmente são diagnosticados tarde demais”, completa Amanda N. Sferruzzi-Perri, médica e principal pesquisadora do estudo, para o EurekAlert.

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