Cientistas apostam em impressão 3D para medicamentos personalizados

A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores da Inglaterra trabalha com poros de tamanhos reguláveis, que podem oferecer uma precisão maior sobre a quantidade de substância circulando no corpo. O serviço também pode ser benéfico por poder conter diversos medicamentos em um só comprimido. O recurso ainda está em estudo mas apresentou os resultados iniciais no International Journal of Pharmaceutics.

               
151

Pesquisadores da Universidade de East Anglia (UEA), na Inglaterra, estão investigando como produzir remédios específicos para a necessidade de cada paciente por meio da tecnologia de impressão 3D. O estudo ainda está em andamento, mas uma parte dele já foi publicada no International Journal of Pharmaceutics. A motivação surgiu pela identificação de um novo método de fabricação: a impressão 3D permite que os comprimidos tenham uma estrutura altamente porosa e esta grande quantidade de pequenos furos possibilita regular a quantidade de substância liberada no corpo do indivíduo.

“Atualmente, nossos medicamentos são fabricados de maneira ‘tamanho único’, mas a medicina personalizada usa uma nova tecnologia de fabricação para produzir pílulas que têm a dose precisa e combinações de medicamentos sob medida para pacientes individuais. Isso permitiria aos pacientes obter o benefício máximo da droga com efeitos colaterais mínimos”, explica o líder do estudo, Dr. Sheng Qi, da Escola de Farmácia da UEA, para o EurekAlert.

O cientista afirma também que essa forma de tratamento poderia ser benéfica principalmente para idosos, que muitas vezes precisam tomar diferentes medicamentos ao longo do dia. Pacientes de condições como câncer, transtornos mentais e doença inflamatória intestinal também poderiam ver maior vantagem nesse serviço. A ambição também é tornar os medicamentos personalizados possíveis de serem fabricados no local de atendimento do paciente e sob demanda.

Impressão 3D

As pesquisas sobre impressão 3D são consideradas um novo campo de pesquisa e ganharam força nos últimos cinco anos. O método mais comum utilizado para fabricação de comprimidos 3D é o processamento da substância em filamentos que se assemelham a espaguetes. O método desenvolvido pelos cientistas da UEA não necessita desses filamentos, o que permite uma produção rápida dos comprimidos porosos. O resultado da pesquisa indica que alterando o tamanho dos poros, a velocidade de saída da substância do comprimido para o corpo pode ser regulada.

Entretanto, são necessárias mais pesquisas para entender melhor sobre a quantidade e frequência da dose do medicamento — isto é, se o remédio deve ser ingerido uma, duas ou mais vezes por dia. Com isso, pode ser possível criar comprimidos ‘poli-pílula’, contendo todas as substâncias necessárias para pacientes que tomam diversos remédios.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui