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Como funcionam os Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA

Agência federal norte-americana conduz pesquisas de ponta, trabalha no combate a doenças e tenta dar respostas sobre diversos tipos de vírus que preocupam a humanidade.

               
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Centros de Controle e Prevenção de Doenças

Desde o início da pandemia, é comum ver notícias sobre a Covid-19 e a vacinação nos Estados Unidos citando como fonte os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Com o nome no plural por englobar algumas instituições, trata-se de agência federal daquele país que tem como responsabilidade proteger a saúde dos seus cidadãos. Para isso, conduz pesquisas de ponta, trabalha no combate a doenças e tenta dar respostas sobre diversos tipos de vírus que preocupam a humanidade.

Criado na década de 1940 para combater a malária, a instituição passou a incluir doenças transmissíveis, crônicas, deficiências, controle de lesões, riscos no local de trabalho, ameaças à saúde ambiental e preparação para o terrorismo. Os CDC combatem doenças emergentes e outros riscos à saúde, incluindo defeitos congênitos, vírus, obesidade, gripes aviária, suína e pandêmica, bactéria E. coli, bioterrorismo, entre inúmeros outros. A agência ainda guarda uma das duas únicas amostras do vírus da varíola existentes no mundo.

Desde janeiro de 2020, os CDC têm como um dos seus principais focos desacelerar a disseminação da Covid-19. Desde então, mais de 9,5 mil colaboradores estão envolvidos na batalha. Trata-se da maior resposta a qualquer surto de doença na história do órgão.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA já distribuíram ao mundo quase oito mil documentos com informações e orientações para agências governamentais, empresas e público em geral. Até o final de agosto de 2021, o relatório semanal do órgão publicou 324 estudos sobre o coronavírus.

Como funcionam os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças têm um papel importante na saúde pública dos EUA e também na mundial. Atua em diversas frentes. As principais são: doenças transmissíveis, doenças não-transmissíveis, saúde global e segurança de vacinas.

Doenças transmissíveis

Os programas do CDC tratam de mais de 400 doenças e problemas de saúde que possam causar a morte. Também trabalha na divulgação de doenças infecciosas. Em relação à gripe, incluindo a H1N1, a agência tenta conter a transmissão através da educação dos cidadãos em relação a medidas de higiene.

Há ainda a divisão de agentes selecionados e toxinas, que conta com dois programas. Um atua junto ao Departamento de Agricultura para regular substâncias ou microorganismos causadores de doenças em humanos, animais e plantas. Já o segundo regula a importação de materiais biológicos infecciosos. 

Os CDC contam ainda com um programa que protege o público de substâncias raras e perigosas, como o antraz e o vírus Ebola. Uma curiosidade sobre esse assunto é que durante o surto de Ebola de 2014 na África, os CDC ajudaram a coordenar o retorno de dois trabalhadores humanitários americanos infectados para tratamento nos Estados Unidos em uma unidade especial para lidar com doenças altamente infecciosas.

Centros de Controle e Prevenção de Doenças

Doenças não-transmissíveis

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças também trabalham com doenças não transmissíveis, incluindo doenças crônicas causadas por obesidade, sedentarismo e uso de tabaco. Há ainda uma Divisão de Prevenção e Controle do Câncer.

Da mesma forma, o órgão tem um papel importante no combate a bactérias resistentes a antibióticos. Recentemente, implementou um plano de ação nacional, que inclui uma rede de laboratórios específicos para esse fim. 

Saúde global

Centros de Controle e Prevenção de Doenças

Os CDC costumam trabalham com outras organizações, principalmente internacionais, para enfrentar os desafios globais da saúde e conter as ameaças de doenças em sua origem. A agência mantém funcionários em mais de 60 países. As divisões globais da agência incluem centros focos em imunização global e doenças como aids e malária. 

A agência também coleta e publica informações de saúde para viajantes em um livro. A publicação ganha uma nova edição a cada dois anos e inclui diretrizes atuais de saúde para viagens, recomendações de vacinas e informações sobre destinos de viagens específicos. 

Segurança de vacinas

A instituição também é responsável por monitorar a segurança de vacinas nos EUA. Possíveis problemas na área são detectados através da coleta de informações sobre possíveis efeitos colaterais ou problemas de saúde após a vacinação. Os resultados costumam ser divulgados na internet. 

Saúde ambiental

Saúde ambiental está ligada a todos os aspectos que envolvem a qualidade de vida da população. Ou seja, que têm a ver com os contextos ambientais físico, químico, biológico, social e psicológico. 

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças procuram atenuar e prevenir a população de doenças e epidemias como cólera, febre tifóide, dengue, leptospirose, esquistossomose, entre outros. Assim sendo, existe uma fiscalização em relação aos locais de trabalho, à utilização dos serviços de saúde (seringas, agulhas, esterilização) e às condições físicas, sanitárias e de higiene dos estabelecimentos de saúde e de locais públicos (hospitais, escolas, hotéis, clubes).

Saúde ocupacional e prevenção de acidentes

Através do Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (em inglês National Institute for Occupational Safety and Health – NIOSH), os Centros de Controle e Prevenção de Doenças são também responsáveis por pesquisar e produzir recomendações para a prevenção de lesões e doenças relacionados com o trabalho.

Através de exames de admissão, bem como os periódicos, demissionais e inclusive os de mudança de função e de retorno ao trabalho, a agência tenta monitorar a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores num aspecto geral. Prevenir, rastrear, diagnosticar com antecedência e tratar constam nos pilares da sua missão na saúde ocupacional. 

É realizado um trabalho na conscientização de profissionais sobre riscos de acidentes. Assim, inserem medidas de segurança individuais e coletivas. Deve-se contar com todos os riscos, tanto os químicos quanto os biológicos. Através de treinamentos, os trabalhadores aprendem a respeitar as normas e procedimentos relacionados à medicina e segurança do trabalho. Sempre com foco em prevenir acidentes. 

Há um cuidado especial com os enfermeiros. Isso porque são os profissionais da saúde que mais ficam expostos aos agentes biológicos. Por isso, o risco de infecções transmitidas pelo sangue e outros fluídos corporais é maior em relação a eles. Dessa forma, a proteção coletiva deve ser grande, com uso dos equipamentos de segurança individual como forma de prevenção.

Educação sanitária

Através de hábitos saudáveis, as creches e escolas ensinam aos alunos desde pequenos hábitos de manuseio e limpeza de alimentos. Da mesma forma, aprendem o hábito de lavar as mãos após ir ao banheiro, antes das refeições, entre outras boas práticas. Esses hábitos, quando passados de pais para alunos e reforçados na escola, diminuem a propagação de parasitas de uma população. 

Além disso, campanhas voltadas ao tratamento da água, esgoto e lixo ajudam a população. Assim, o bem-estar e a qualidade de vida podem melhorar consideravelmente. Muitas vezes, instituições privadas também participam de campanhas sanitárias.

Centros de Controle e Prevenção de Doenças

História

Os CDC foram fundados em julho de 1946 em um pequeno prédio em Geórgia, Atlanta, onde está localizada até hoje. Segundo o site oficial da agência, seu objetivo na época era bastante desafiador: combater a malária para que não se espalhasse pelo país. Com menos de 400 funcionários, precisava obter caminhões, pulverizadores e pás para iniciar a guerra contra o mosquito.

Mesmo com o foco principal no combate da malária, o fundador e líder Dr. Joseph Mountin tentava trabalhar ainda em questões de saúde pública e no combate a algumas doenças contagiosas. Vale ressaltar que a saúde pública era um ramo que recebia pouca atenção nos Estados Unidos dos anos 1950. A escassez de médicos epidemiologistas também era um problema. Por isso, o fundador estava determinado a mudar esse panorama. 

Em 1947, os CDC compraram 15 acres de terra em Atlanta, definindo desde então a sede da instituição. Aos poucos, se expandiu e incluiu mais doenças contagiosas dentro da sua missão de fornecer ajuda prática aos estados. A vigilância dessas doenças aumentou, se tornando o foco dos esforços em saúde pública. 

Muitas mudanças significativas ocorreram desde então. Atualmente, os CDC são um dos principais elementos operacionais do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. São reconhecidos como a principal agência de promoção e prevenção da saúde daquele país e uma das maiores do mundo.

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