Casos de gripe podem aumentar nos próximos meses no Brasil

Há uma preocupação dos especialistas com a imunidade da população em relação ao vírus da gripe em 2021. A quase inexistência de casos no ano anterior pode acarretar em um número elevado de pessoas doentes nos próximos meses.

               
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Com a aproximação do inverno surge também o alerta sobre o vírus da gripe, já que a chegada da estação normalmente facilita a transmissão de vírus respiratórios. Neste ano, os especialistas alertam que é preciso ter uma preocupação maior com a imunidade da população para a próxima temporada.

“Em 2020 nós não tivemos quase nada de quadros respiratórios que não fossem Covid. Os outros vírus praticamente não circularam, devido ao isolamento, restrições, fechamento de escolas e comércio”, explica a infectologista da UNICAMP e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Raquel Stucchi.

O vírus da gripe costuma passar por mutações todos os anos, razão pela qual a vacina contra essa doença é adaptada anualmente. Além disso, a proteção gerada pela vacina normalmente só dura nove meses, o que exige também uma nova aplicação.

Mesmo assim, há uma preocupação com a imunidade da sociedade para lidar com esse quadro em 2021, isso porque a quase inexistência de casos no ano anterior pode deixar as pessoas mais vulneráveis a infecção. Logo, podemos esperar ver mais pessoas gripadas do que o normal.

“A partir do momento que você começa a ter uma maior circulação de pessoas, é esperado que possamos ter uma maior circulação do coronavírus e também dos vírus que causam a gripe, além de outros quadros respiratórios. Por isso é importante as pessoas se vacinarem assim que possível” disse a infectologista.

A preocupação se dá principalmente por conta de grupos mais fáceis de contaminar. As crianças menores de 6 anos, idosos e pessoas com doenças associadas são os que mais têm risco de sofrer casos graves.

Como reflexo da volta da circulação das pessoas, o número de casos de gripe já começou a aumentar. Segundo Stucchi “há dois meses houve um aumento expressivo de vírus respiratórios nos mais novos, principalmente em bebês” e a situação pode se tornar mais frequente nos próximos meses.

Sinais de gripe

A gripe pode apresentar maior gravidade nas pessoas citadas como grupo de risco. Os sinais de alarme podem incluir elementos semelhantes aos da Covid-19, como febre alta e mau estar persistente (mais de 3 dias), cansaço, além da falta de ar.

De acordo com a infectologista, para pessoas com esses sintomas, a recomendação é buscar atendimento médico presencial para análise de exames, buscando compreender a intensidade do quadro clínico. Além disso, as gripes mais fortes podem exigir um tratamento específico.

O oseltamivir, por exemplo, é um medicamento antiviral usado em casos de gripe causadas pelo vírus do influenza dos tipo A ou B. Nas gripes intensas, a substância pode reduzir o tempo da doença no organismo, se tomada até o quinto dia após o início dos sintomas.

Distinguir o que é sintoma de Covid-19 ou de gripe pode não ser possível de forma clínica, sem testes específicos, devido a semelhança entre eles. Mesmo assim, quadros gastrointestinais como cólica e diarreia podem estar associados a casos de infecção pelo novo coronavírus, principalmente em crianças e idosos. A dor abdominal e a perda de olfato também podem indicar Covid-19, já que não acontecem na gripe.

Cuidados preventivos

A principal recomendação de Stucchi e de outros especialistas é de não esquecer de vacinar-se contra a gripe. A campanha desta vacina está em andamento desde 12 de abril pelo Sistema Único de Saúde. O objetivo é imunizar pelo menos 80 milhões de pessoas, de forma gratuita. A campanha vai até o dia 9 de julho deste ano. Além disso, a vacinação não sofrerá com problemas de abastecimento e outras interrupções, como tem acontecido com as vacinas contra a Covid-19.

Assim como o novo coronavírus, a gripe também é transmitida de pessoa para pessoa. Logo, as mesmas medidas de bloqueio de transmissão da Covid-19 servem como medidas contra a gripe. Entre as recomendações, podemos citar:

  • Utilização de máscaras — confeccionadas e usadas de forma correta.
  • Máscaras descartáveis devem ser trocadas sempre que estiverem úmidas — o que pode ser necessário após cerca de 4 horas.
  • Sempre higienizar as mãos, seja lavando ou com álcool em gel.
  • Manter o distanciamento de 1 metro e meio das pessoas.

Calendário da campanha de vacinação contra gripe

As pessoas citadas como grupo de maior risco são elegíveis para a vacinação contra a gripe pelo Ministério da Saúde. No dia 12 de abril, o calendário teve como foco as crianças de 6 meses a 6 anos de idade, gestantes, puérperas, povos indígenas e profissionais da saúde.

A partir deste 11 de maio , os maiores de 60 anos e professores já podem ir aos postos de saúde para obter a vacina. De 9 de junho a 9 de julho, a vacina está disponível para os demais grupos.

Porém, para tomar a vacina contra gripe é necessário que o indivíduo não esteja doente, seja pela Covid-19 ou outras infecções. O motivo para isso é que tomar a vacina estando doente ou apresentando sintomas febris poderia sobrecarregar o sistema imunológico, além de impedir a distinção do que é reação à vacina e o que é sintoma da doença.

Para quem apresenta sintomas de Covid-19, o ideal é realizar o teste RT PCR ou de antígeno para confirmar se está de fato doente. Em caso de diagnóstico positivo, a recomendação é aguardar o prazo de um mês para tomar a vacina contra o coronavírus, seja primeira dose ou intervalo para a segunda dose. Já para aplicar a vacina da gripe, deve-se esperar o fim dos sintomas e mais 14 dias.

A vacina da gripe não é recomendada para bebês com menos de 6 meses e para pessoas que já tiveram reações alérgicas fortes tomando esta vacina.

Segundo estudos do final de 2020, a vacinação contra gripe e pneumonia podem ajudar a diminuir o risco de casos graves de Covid-19. Contudo, a prioridade deve ser tomar a vacina contra o coronavírus primeiro, se for possível, e realizar o esquema vacinal de forma completa. Ou seja, devem ser tomadas as duas doses da mesma vacina e no período estipulado pelos fabricantes. Após imunizar-se contra o novo coronavírus, a vacina da gripe pode ser aplicada após 14 dias.

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