Câncer de cabeça e pescoço é um dos tumores mais preveníveis – saiba como afastar os fatores de risco

Uma boa notícia é que o tratamento destes tumores evoluiu muito nos últimos anos. Na fase precoce da doença, a taxa de cura já chega a cerca de 90%, com cirurgias menos invasivas e novos protocolos de radioterapia.

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Os tumores de cabeça e pescoço já ocupam os primeiros lugares da lista de incidência do câncer no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são mais de 40 mil novos casos da doença registrados anualmente no país. Os dados internacionais também evidenciam a tendência de alta. São tumores que se originam em regiões das vias aéreo-digestivas, como boca, gengivas, bochechas, língua, amígdalas, faringe, laringe e seios paranasais, podendo apresentar desfechos bastante graves.

Apesar dos números elevados, é um dos tipos de câncer mais preveníeis, já que os fatores de risco são muito bem estabelecidos. Em primeiro lugar está o tabagismo. O uso do tabaco em todas as suas formas – e não apenas no cigarro – é responsável por grande parte dos casos de neoplasias malignas de cabeça e pescoço. O consumo de álcool em excesso também é prejudicial, pelo potencial de irritação do organismo. Já quem fuma e bebe pode ter o risco de desenvolvimento da doença aumentado em até 200 vezes.

Um terceiro fator importante, que vem ganhando destaque tanto no Brasil como em outros países, é a infecção viral pelo HPV (o mesmo vírus que causa o câncer de colo de útero), transmitido principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas. Por isso, sempre alertamos para a vacinação das crianças, que ainda não tiveram contato com o vírus, para uma proteção mais eficaz.

O diagnóstico precoce é fundamental para os tumores de cabeça e pescoço. Desta forma, poderemos mudar a triste realidade da doença em nosso país: cerca de 70% dos pacientes são diagnosticados já em estágio mais avançado. Reconhecer os sintomas é uma ação importante para a prevenção de casos graves. Este é o objetivo de iniciativas como a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço – Julho Verde. A identificação de feridas no rosto e na boca que não cicatrizam, de uma rouquidão persistente, de um desconforto para engolir, ou a aparição de caroço na região do pescoço que dure duas semanas ou mais, são sinais para uma consulta com um médico ou dentista.

Uma boa notícia é que o tratamento destes tumores evoluiu muito nos últimos anos. Na fase precoce da doença, a taxa de cura já chega a cerca de 90%, com cirurgias menos invasivas e novos protocolos de radioterapia.

Para os casos mais graves, boa parte dos tratamentos cirúrgicos, que eram muito invasivos e mutilantes, já podem ser substituídos por radioterapia, quimioterapia e drogas imunoterápicas. Hoje é possível preservar a laringe de boa parte dos pacientes, por exemplo.

Para quando a doença já atingiu em outros órgãos, houve também uma enorme evolução, com novas imunoterapias inteligentes que, combinadas com quimioterapia, têm conquistado excelentes resultados.

O número de pacientes que se curam fica cada vez maior, com tratamentos mais específicos, que garantem melhor qualidade de vida e maior sobrevida. Porém, mais do que tratar e curar, o melhor é evitar. Reforço, então, a orientação para manter a atenção aos sinais do câncer de cabeça e pescoço e, mais importante, largar o tabagismo, evitar o consumo de álcool e promover a proteção contra o HPV, com as duas doses da vacina.

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